Entries for June, 2004

June 3rd, 2004

... voltando aos poucos

* eu e meu futuro marido, que deu uma surra naquela interrogração e conquistou seu lugar. Feito pelo meu futuro marido.
[img:267935]

Posted by subversiva at 03:52 PM | 4 Comentário (s)

Diálogos pós-modernos entre mãe e filho

* Enqüanto isso, no telefone:

- Auô (Alô).
- Oi, Lucas. É a mamãe.
- Ei, mamãe (Ei, mamãe).
- Tudo bem?
- Tá (Está tudo bem).
- Você está se comportando?
- Tá (Não, não estou me comportando).
- Vo...
- Ku de a dadá? (Quero ver a dadá* - madrinha dele)
- A dadá está trabalhando.
- Ku tauá ku a dadá (Quero falar com a dadá).
- Já disse que a dadá está trabalhando.
- Ku tauá ku a dadá (Quero falar com a dadá).
- A dadá não trabalha com a mamãe. A dadá trabalha em outro lugar.
- Ku tauá ku a dadá (Quero falar com a dadá).
- Filho, deixe a mamãe te explicar uma coisa. As pessoas não trabalham no mesmo lugar sempre. A mamãe trabalha em um lugar, o vovô em outro, a dadá em outro diferente. O papai não mora em uma casa e a mamãe em outra? Então, com o trabalho é a mesma coisa. A dadá trabalha lá e a mamãe aqui. Entendeu?
- Tendi... (entendi). Ku tauá ku a dadá (Quero falar com a Dadá).
- Ah, Lucas, esquece. A dadá tá no banheiro.

¬¬

Posted by subversiva at 04:26 PM | 15 Comentário (s)

June 4th, 2004

Da série: Quem mandou escolher o jornalismo?

Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) é uma merda, mas o da Samsung conseguiu se superar.

----- Original Message -----
From: Leonor
To: callcenter@samsung.com.br
Sent: Friday, May 28, 2004 1:40 PM
Subject: Revista da ONG2


Prezados responsáveis,

recebemos a mensagem abaixo de nossa leitora XXXXX e pretendemos publicá-la na Revista da ONG2, uma publicação mensal da ONG2. Para isso, gostaríamos que avaliassem o caso e nos esclarecessem a posição da Samsung sobre o assunto. Aguardamos a resposta até o dia 31 de maio. Qualquer dúvida, nosso telefone é XXXX-XXXX.

Atenciosamente,
Leonor Macedo
Revista da ONG2

Por favor, se houver outra pessoa indicada para receber esse email, avise-nos, pois a falta de resposta pode implicar na publicação da carta sem o retorno da empresa.

FAVOR CONFIRMAR O RECEBIMENTO DESTE EMAIL.


A Resposta

----- Original Message -----
From: callcenter@samsung.com.br
To: leonor@ong2.org.br
Sent: Friday, June 04, 2004 11:57 AM
Subject: Revista da ONG2


Prezado (a) Leonor Machado,

Solicitamos que encaminhe este e-mail ao Departamente de Acessoria de Imprensa,
aos cuidados de Hélio ou Andreas. Segue abaixo os endereços:
andreas.adriano@edelman.com.br
helio.kohan@edelman.com.br

Atenciosamente

Samsung Internet Team
Administrador


1-) Eles não sabem se sou homem ou mulher.
2-) Eles trocaram o meu sobrenome por MACHADO.
3-) A "resposta" chegou quatro dias depois do prazo final estabelecido.
4-) Não é uma resposta. É um pedido de reencaminhamento de e-mail.
5-) Provavelmente, a resposta da reclamação chegará daqui dois anos.
6-) ACESSORIA DE IMPRENSA????????????????
7-) Os endereços para onde eu deveria encaminhar o e-mail NÃO EXISTEM.


This is the Postfix program at host xsara.idecsp.org.br.

I'm sorry to have to inform you that the message returned
below could not be delivered to one or more destinations.

For further assistance, please send mail to

If you do so, please include this problem report. You can
delete your own text from the message returned below.

The Postfix program

: Name service error for name=edelman.com.br
type=A: Host found but no data record of requested type

: Name service error for name=edelman.com.br
type=A: Host found but no data record of requested type

Posted by subversiva at 02:21 PM | 11 Comentário (s)

June 6th, 2004

É o jeito!

Me lembro direitinho do dia em que nos conhecemos. Está tudo tão vivo na minha memória que parece que foi ontem. Você estava embriagado e fizemos planos para o futuro. Desde então, não ficamos um só dia sem dar oi. Ok, talvez dois. Mas o que são dois dias para quem se conhece há tanto tempo? Hoje é seu aniversário. Parabéns. Na hora de cortar o bolo, peça para que essas três semanas de convívio transformem-se em três meses, três anos, três gerações, três vidas. =*

Posted by subversiva at 02:06 PM | 39 Comentário (s)

June 7th, 2004

Da série Problemas com o O.B.

Depois do escândalo do O.B. no elevador enrolado no fio do walkman* e do atentado com o absorvente interno na frente do contador**, decidi dar uma chance ao produto da marca Johnson & Johnson.

Hoje, ia para o trabalho com meu pai, quando me ocorreu que tinha esquecido os malditos O.B.s. Na portaria do prédio, cochichei:

- Pai, esqueci de pegar os absorventes.
- Sobe de volta para buscar.

Quando chegava perto do elevador, papai gritou:

- LELÊ, LELÊ! GUARDEI SEU O.B. NO ARMARINHO DO BANHEIRO!!!! ESTÁ LÁ.

Emputeci por ele ter dito isso na frente do porteiro Edivaldo, do pintor Zé e de um motoboy aparentemente jovem e com os hormônios a flor da pele.

- Ué, Lelê... Senão você não ia achar...

Desisto.

* post do dia 5 de maio.
** post do dia 18 de maio.

Posted by subversiva at 04:25 PM | 20 Comentário (s)

June 8th, 2004

Serviço de estagiário*

Eu queria escrever de cachecóis, toucas de banho e cachorro-quente gigante, mas a ONG1 levou embora todo o meu bom humor (que não é lá essas coisas). O dia, que tinha tudo para ser ótimo (o bizuzinhu-lindinhu-fofuxinhu-da-mamãe estava no msn às 7h30), começou a piorar quando passos duros e eufóricos entraram na sala.

Eram 9h da matina e a missão impossível: cadastrar até às 11h, trinta e poucas famílias para receberem a bolsa-auxílio em um desses programas do governo. Atentem ao fato de serem famílias e, sem o menor preconceito, pessoas muito pobres se reproduzem como coelhos (deixando de lado o lance de eu ser a deusa da fertilidade).

O governo nunca colabora. Depois da primeira leva de informações a serem fornecidas para o cadastro, nem o quase sempre desconhecimento do pai ajuda a melhorar a situação (um a menos para preencher nas planilhas – amenidade diante de 15 filhos) e você se pega desejando que essas pessoas comprem uma carrocinha para pegar papelão, ou vendam latinhas para a reciclagem e cerveja na frente do Pacaembu em dia do jogo do Timão. Eu sei, é cruel e politicamente incorreto, mas a culpa é do governo.

A situação fica ainda mais caótica quando você tem de responder se aquele menininho de dois anos que acabou de cadastrar está amamentando ou não. Ou se mora com a esposa. E dá uma tremenda vontade de quebrar o computador na hora em que você é obrigada a preencher o C.N.P.J. daquela diarista ao colocar que ela trabalha, mas ela não é uma pessoa jurídica. Só passa, lava e cozinha. O pior é no momento em que se tem de fornecer o código do registro da escola no MEC só porque você colocou que aquele adolescente de 17 anos estuda na primeira série do ensino fundamental.

Quando já está na hora extra e todos os cadastrados se tornaram analfabetos e desempregados, é chegado o instante de apertar o botão vermelho “FINALIZAR CADASTRO”. Então, o fim da história a maioria já sabe: ao trabalhar em uma organização não-governamental, a conexão é uma merda, o sistema cai, você perde todos os dados e não consegue dar nem um “tchauzinho” para quem acordou as 7h só para entrar no MSN.

NOTA1: E, apesar de a equipe ter contratado 24 estagiários novos para desempenharem os mais variados tipos de cargos (relações públicas, engenharia, publicidade, mágica, vouyerismo), somente eles ficaram de fora da tarefa.

Posted by subversiva at 03:41 PM | 11 Comentário (s)

June 12th, 2004

O melhor namorado do mundo não tem cheiro

Já tinha me programado: no dia dos namorados eu me encolheria debaixo das cobertas e evitaria qualquer lugar onde casais apaixonados esfregariam felicidade na minha cara. Cinema, nem pensar. Restaurante, impossível. Supermercado, deusmilivri. Só sairia se alguém me chamasse para ir ao Zoológico, porque lá nem animal tem mais.

Mas o destino havia me reservado um 12 de junho muito feliz. Estava escrito nas estrelas. Quando o Edivaldo anunciou que na portaria tinha chegado um pacotinho para mim, desci feito uma bala.

Na caixinha do Submarino, o DVD novo do Weezer.

"Dona Leonor Macedo

Eu sou louco por você
Queria te falar. Não sei como dizer
Meu problema é mental. Tomo sempre gardenal.
Sem você fico assim. Quero você toda pra mim."

Sem assinatura. Até agora não sei para quem dizer obrigada. A única pista que tenho do "meu namorado" é que ele tem muito bom gosto. Por gostar de Weezer, claro.

Feliz dia dos namorados para todo mundo. Quem não tem um (ou uma), que encontrem namorados (as) inodoros (as), como eu encontrei.

Para você, em especial.

THE GOOD LIFE - (Weezer)

When I look in the mirror
I can't believe what I see
Tell me, who's that funky dude starin' back at me?
Broken, beaten-down can't even get around
without an old-man cane I fall and hit the ground
Shivering in the cold, I'm bitter and alone

Excuse the bitchin' - I shouldn't complain
I should have no feeling, 'cuz feeling is pain
as everything I need is denied me
and everything I want is taken away from me
but who do I got to blame?
Nobody but me

I don't wanna be a lone man anymore
It's been a year or two since I was out on the floor
Shakin' booty, makin' sweet love all the night
It's time I got back to the Good Life
It's time I got back, it's time I got back
'n I don't even know how I got off the track
I wanna go back, yeah!

Screw this crap, I'm tired! I ain't no Mr. Cool
I'm a pig, I'm a dog, so 'scuse me if I drool
I ain't gonna hurt nobody, ain't gonna cause a scene
I just need to admit I want sugar in my tea
Hear me out, I want sugar in my tea!

Posted by subversiva at 11:07 PM | 10 Comentário (s)

June 14th, 2004

Ontem, eu, Júlio e mamãe subindo a avenida Pompéia para a Parada Gay*:

EU: - Júlio, imita o Steven Seagal (Júlio faz uma imitação brilhante do Steven Segal em um ato de amor)?

Júlio: - Ah, Lelê. Não vou imitar o Steven Seagal METENDO.

Mamãe: O_O

*maiores informações sobre a parada gay, em breve neste blog. COM FOTOS.

Posted by subversiva at 08:23 AM | 12 Comentário (s)

June 15th, 2004

A cachorra da Maria

* Ontem, na volta da faculdade:

- Pessoal, minha cachorra foi atropelada.
- Jura, Maria? Como foi isso?
- Eu estava fazendo cooper às 6h da tarde e levei minha cachorrinha, uma akita amarela. Veio um carro e...

(meia hora depois)

... eu gritava para a minha cachorra não correr e ela achava que eu queria espancá-la...

(uma hora e meia depois)

... quando peguei ela no colo, percebi que estava com sangue na calça jeans. Ela tinha se ralado toda...

(quatrocentos e sessenta minutos depois)

... sei que quando um cachorro tem hemorragia na cabeça, ele começa a ter ânsia de vômito.

- Maria, você só tem até a estação Sé para contar.

(...)

... eu comecei a chorar e pedi para minha mãe levar ela ao veterinário...

- ESTAÇÃO BRÁS.

(...)

... aí minha mãe levou de noite em um veterinário perto da minha casa. Eu tenho o maior medo de veterinário porque eles usam piercings no umbigo e depilam o peito, além de matarem cachorros só para ganhar dinheiro...

- ESTAÇÃO DOM PEDRO II.

(...)

... a consulta saiu R$ 180. E adivinha o que a cachorra tinha?

- O QUE?
- Pulgas!!!!

Posted by subversiva at 12:27 PM | 5 Comentário (s)

UI! (mas sem KY)

Domingo, telefone toca às 8h da manhã. Do outro lado da linha, uma voz ultra-ansiosa:

- Lelê, vamos na parada gay?

Era o Júlio me chamando para 8ª Parada GLTB...

Ok, ok... dessa vez contarei a história sem mentiras. Fui eu quem o chamou para a parada gay, admito. Eu que liguei para ele (mas foi às 10h30), confesso. Mas foi ele quem sumiu misteriosamente por 10 minutos no meio da avenida Paulista. Sejamos francos, Júlio. Combinamos apenas de falar a verdade.


A idéia foi de minha mãe. Em pleno dia dos namorados, ela me fez o convite:

- Lelê, se amanhã não estiver chovendo, vamos ver só a abertura da parada gay?

Na carência de abraços e beijinhos naquele sábado romântico, topei sem pestanejar. Não me arrependo.

Eu e Júlio estabelecemos um desafio: quem seria mais xavecado? Ele foi de óculos, camisa pólo e moleton da Lacoste (gay sóbrio), eu fui com calça colada preta, decote no agasalho preto e óculos escuros (lésbica ousada).

Busquei umas dicas no manual do escoteiro mirim e fomos para a Paulista.

O metrô estava lotado. Na plataforma da estação, drags, punks do cabelo rosa, casais de velhinhos, gays de mãos dadas, japoneses com máquinas fotográficas, eu, Júlio e mamãe. Logo de cara, um rapaz todo vestido com o uniforme da Mancha Verde. Já tinha ganhado o dia e uma fotografia.

Quando o Júlio sumiu no meio da parada com a desculpa de que ia procurar a Bia, eu e mamãe nos desesperamos. Estaria ele sendo estuprado ou se divertindo? Assim mesmo, no gerúndio. Gerúndio de 10 minutos entre os gays. Enquanto isso, um mendigo oferecia um gole de vinho para a minha mãe. Ótimo, porque descobri que meu karma com mendigos não é karma, mas herança genética. O Júlio chegou tentando disfarçar o sorriso no canto da boca. Fingi que não vi, porque ele é ex-gay.

Daí para frente, só bizarrices: crise de ciúmes da namorada (e da Bia) de uma lésbica que quase me beijou sem querer (além do baita sorrisão da lésbica), cantada de hetero, cantada de drag, anã gay, velhinho gay, cachorro gay, mãe e filho gays, mau humor de marido gay da prefeita gay, Mc Donald’s gay, pipoca gay. “Porra, mas tem gay pra caramba aqui”. Momento brilhante da tarde.

Vestida toda de preto, eu era o destaque da parada. Sem paetês e plumas cor-de-rosa, como todos os que estavam naquele lugar. Devo ter aparecido em algum blog glamouroso e purpurinado como a bizarra da Paulista.

Não me importei de ganhar a disputa do Júlio. Quase, inclusive, fui estuprada por uma lésbica que parecia o Chuck Norris. Ainda bem que desistiu no meio do caminho, porque não conseguiria resistir ao defensor da floresta.

Percebi que o Júlio batia o pezinho no chão ao som de Dancing Days e achei que devíamos ir embora. Lembrei das histórias do Incrível Rosca e evitei a vergonha.

No ponto de ônibus, um ventinho e gritinhos de mamãe:

- Ai, que friiiiiiio.
- Friiiiiio demais – completou o Júlio.
- Como vocês estão gays – observei.
- Ai, credo! – e Júlio me deu um tapinha de mão mole.

Ao passar pelos machões do Rapel no viaduto Sumaré (aqueles que saltam da ponte presos por um cadarço), ouvi uns “gostosa” e “MINHA NOSSA”. Saudades da “frescura” e das cantadas das Drags. Elas são muito mais originais. E viva a diversidade sexual.

NOTA1: Algumas descobertas chocantes: Freddy Krueger é gay, o segurança-que-toma-conta-da-fila-de-torcedores-na-porta-do-Pacaembu-é-gay, a Ana Maria Braga é homem, o modelo do outdoor na M Oficcer é gay e namorado do modelo do encarte da Zoomp. minha mãe gosta de Eduardo Dusek e a Bia usa pochete.

NOTA2: Não tive tempo de escanear as fotos.

Posted by subversiva at 12:35 PM | 25 Comentário (s)

June 16th, 2004

Como conseguir um lugarzinho no céu – em uma lição

Uma vez li em um folheto evangélico, desses entregues por senhoras em pontos de ônibus quando você está com um belo decote e mini-saia, que Jesus se disfarça de mendigo para testar nossa fé, bondade e solidariedade. Eu acho que ele se disfarça de pessoas que pedem informações dentro dos coletivos.

Voltando para casa, percebi que uma senhora olhava demais em minha direção. “Descolada”, pensei logo que vi o óculos da Chilli Beans na cabeça. Como respondi a seu olhar com outro olhar, ela foi se encostando.

Bastou começar “Still Loving You” na rádio (todo mundo sabe que essa música mela-cueca do Scorpions é uma das minhas preferidas, principalmente agora que estou pleduxinha e que vi o passarinho cantá-la acompanhado de um banjo) para ela puxar papo:

- Crianças bonitas ali, ó.
- Ãhn? – tirei o fone de ouvido.
- Ali, ó. Olha que crianças bonitas.
- É – coloquei de volta o fone de ouvido.

Não deu dois segundos e ela voltou-se para mim de novo:

- Para eu ir na Clélia, qual o ponto que tenho de descer?

“Ela quer conversar”, deduzi e desliguei o walkman.

- A senhora tem de descer no ponto da Guaicurus.
- Está muito longe?
- Não, ele vai descer a Pompéia, virar na Venâncio Aires, pegar a Turiassú e entrar na Guaicurus. Mas é no início da Clélia ou no final da Clélia?
- Perto do Sesc Pompéia.
- Então, esquece. A senhora tem de descer no último ponto da Avenida Pompéia, atravessar a rua, andar mais um quarteirão da avenida, virar a esquerda na Turiassú, caminhar mais meio quarteirão, entrar a esquerda na Clélia.
- Ah! Obrigada.

Coloquei o walkman de novo. Começou a tocar The Boomtown Rats com “I Don’t like Mondays” e essa música é uma das minhas preferidas.

- Você sabe se lá da Clélia eu posso ir para um metrô?
- Minha senhora, você pode ir para o metrô de qualquer lugar de São Paulo – desligando o walkman.
- O que eu quero dizer é se fica longe do metrô.
- Ah! Sim, um pouco longe.
- Mas passa ônibus para o metrô lá?
- Sim, passam vários.
- Que bom!
- É, é ótimo!
- E para qual metrô eu vou?
- Ué?! Não sei. Para qual você quer ir?
- Vou para o metrô Santa Cruz depois.
- Acho mais fácil você ir para a Barra Funda, descer na Sé, pegar sentido Jabaquara e prestar atenção nas estações.
- Legal.
- É, legal!

The Smiths. “Ask Me”.

- Você acha que é mais vantagem eu descer no ponto da Guaicurus ou da Pompéia?
- Droga.
- O que?
- Não sei.
- Você descerá onde?
- No último da Pompéia.
- E se eu for descer na Guaicurus, é um ponto depois do seu?
- Não, são três pontos depois do meu, porque esse ônibus dá uma certa volta.
- Então vou descer com você.
- Tá.
- Me avisa na hora de descer?
- Sim.

Guardei o walkman na mochila e esperei perguntas como “Por que você está estranha comigo?”, “Deus existe?”, “Qual é o sentido da vida?”

- O ponto é o próximo.

Levantei, dei o sinal. Ela permaneceu estática.

- Senhora, o ponto é o próximo.

Quieta. Paralisada.

- A senhora não vai descer no próximo?
- Quem disse que eu tenho de descer no próximo?

Céu, aí vou eu.

Posted by subversiva at 02:56 PM | 7 Comentário (s)

Da série Grandes Dúvidas Universais

Quem é o ser que faz cocô em banheiro de boteco?

Posted by subversiva at 05:09 PM | 19 Comentário (s)

June 17th, 2004

Nossa... Mas o que você deu pro seu filho??? Fermento???

Dia desses, eu, mamãe e papai levamos o Lucas para conhecer uma escolinha. Ele só tem dois anos e meio, mas é preciso que gaste energia em algum lugar. Mamãe está quase morrendo louca e fica com os cabelos em pé a cada palavrão dito pelo pequeno terrorista. “Ele convive demais com adultos”, chegamos a conclusão. Então, achamos que a solução é coloca-lo em convívio com delinqüentes infanto-juvenis de quatro anos. Se ele não aprender a conseguir seu próprio fogo sozinho ou cavar um túnel com uma colher, estará curado.

Quem seria capaz de imaginar que a pequena Leonor Macedo já tem um filho pronto para a escola? Lucas está quase com a idade do Bizuzinhu. Parece que foi ontem que o Gira-Gira da escola Trenzinho emperrou e a Super-Lelê foi tentar arrumar. Quando coloquei a cabeçona lá embaixo, ele desemperrou e as criancinhas começaram a correr para pegar velocidade. Voltei para casa parecendo o Corcunda.

Também me lembro perfeitamente do rosto assustado da minha mãe quando ia até a escola São Domingos para buscar eu e meu irmão e nos encontrava com as cabeças cheinhas de taturanas. Que gostoso era sentir aquilo peludinho. Os afagos da Tia Loló (era esse mesmo o apelido dela), as broncas da Tia Cecília e meu primeiro namoradinho Rafael Castellani, relacionamento mais duradouro até hoje. Durou o pré I, II, III e primeira série. Aí ele me chutou para ficar com a gordinha da Mariana Dantas. Mas não guardo mágoas dessa filha da puta.

E é impossível esquecer quando a Fernanda vomitou sanduíche de presunto na minha mão, na terceira série do Tenente José Maria Pinto Duarte, só porque fui ajuda-la a correr até o banheiro. Nunca mais fui a mesma. Meu nível de solidariedade, hoje em dia, é baixíssimo. Ou como eu ficava emperebada toda vez que distribuíam Mummy (hoje Muppy) na hora da merenda. Colégio público é isso aí.

A cena do Fabrício suado, correndo para se lavar, depois de uma aula de educação física e rolando na cagada que fizeram no chão do banheiro do Miss Browne. E a mãe dele o tirando da escola só por causa disso. E como apagar de minha memória o campeonato de futebol do primeiro colegial, quando a Flavinha fez o gol e foi comemorar no melhor estilo boleiro: colocou a camiseta na cabeça porque estava com uma blusinha por baixo, mas a blusinha subiu, ela ficou com um seio de fora diante de milhares de pessoas e nem percebeu? Se deu conta apenas quando ouviu o total silêncio, seguido de espalhafatosas gargalhadas. Mesmo assim, bravamente, concluiu todo o ensino médio no Brasílio Machado.

Quase terminando a faculdade, não deixo de citar todos os churrascos-putarias, as festas (à fantasia foi a melhor) que organizei, as sinuquinhas, as conversas com Maria e Júlio, principalmente, e cenas memoráveis que coloco diariamente por aqui.

Agora é a vez de meu filho. Passo para ele toda a responsabilidade de ser feliz em sociedade e, mais do que tudo, honrar o sobrenome que lhe dei. Sei que não é fácil manter meu padrão de qualidade. Ele precisará aterrorizar muitos colegas, professores e diretores. Se ficar nessa primeira escola que visitamos, Lucas já tem seu primeiro desafio: a diretora de lá tem dentes horríveis.

Reunião de pais e mestres, aí vou eu (e isso está repetitivo).

Posted by subversiva at 04:56 PM | 17 Comentário (s)

June 18th, 2004

Tudo o que você sempre quis saber, mas tinha medo de perguntar

Dia desses eu citei em um dos meus textos (mais especificamente o da Parada Gay) sobre o fato do karma com mendigos não ser um karma, mas uma herança genética e muita gente não deve ter entendido absolutamente nada. Eu explico.

Quem me conhece pessoalmente sabe que dentre todas as histórias bizarras da minha vida, algumas são clássicas. Quem conhece pessoalmente meus amigos sabe que as histórias clássicas da minha vida são usadas única e exclusivamente para me chantagear. Portanto, não me importo em contar. Um a mais ou um a menos para me extorquir dinheiro não fará diferença. Afinal, sou jornalista e não tenho um puto.

Uma dessas bizarrices que renderiam cena de cinema (Marcelo já deu a idéia aqui e o Júlio vive me dizendo que eu deveria andar com uma câmera de mão) aconteceu nos guetos do centro da cidade de São Paulo. Tudo bem, não foi nos guetos. Foi bem menos escondida e presenciada por uma enorme platéia em um lindo dia de sol, numa praça bastante famosa da capital paulista.

Tudo começou quando a professora nos deu um trabalho sobre rituais na pós-modernidade. Escolheríamos um tema e fotografaríamos pela cidade. Na época, Júlio ainda era um renegado e não fazia parte do nosso círculo de amizade. Fazia parte do grupo: Maria Nikkita, Clarita Voz Fina, Raphael O Finado; Leandro Tripa Seca eca; Thayomara Silicone (compareceu em espírito) e eu. Meu irmão resolveu ir junto porque na época não tinha uma namorada e a câmera fotográfica era a coisa mais importante de sua vida.

Escolhemos uma feira livre na Penha para testar nossos estômagos e a potência do solado de nossos tênis-de-última-geração. Depois fomos até a praça da República, fotografar borboletas duras e coladas em pratos de porcelana. O passeio terminaria de forma delícia na comunidade nipônica de São Paulo.

Na Praça do Patriarca, um forró divertido fazia um mendigo dançar freneticamente. Era a atração do domingo. Milhares de populares paravam para vê-lo sacudir as ancas. Não era um simples mendigo: era um muito mais remelento do que o normal. Provavelmente, chegara do interior nos idos de 1970. Acampou na frente da TV Excelsior por dias e noites, mas o nome Francisco Cândido – nada artístico – não lhe rendeu a oportunidade de mostrar seu dom de bailarino para o mundo. Ney Matogrosso havia chegado primeiro. Terminara moribundo, bebendo cachaça e dançando todos os ritmos nas ruas de São Paulo até os dias de hoje.

Meu irmão lançou o desafio: “Alguém vá acompanhar o pobre remelento na dança para eu fotografar”. Desafio recusado por todos, lá foi meu irmão dançar com o mendigo para provar que a unanimidade é uma burrice. Fiquei incumbida de fotografar a cena. Rodrigo chegou chegando. A primeira reação do mendigo foi desconfiar daquele menino magro que dançava como a Wanderleia. Pensou que era um estupro. Depois que pegou um pouco mais de intimidade, soltou a franga novamente. O número de populares era cada vez maior.

Na hora da despedida, o mendigo cumprimentou meu irmão com um aperto de mão e agradeceu na língua do P. Em seguida, agradeceu eu ao Leandro andro pela ela torcida ida e risadas adas. Na minha vez, estiquei a mão e esperei pelo aperto, já pensando em qual desinfetante Festa das Flores eu usaria depois. Ele agarrou minha mão, meu ombro, meu pescoço, apertou meu tronco contra o dele e, como se não bastasse ter contaminado cada pequena parte do meu corpo, queria beijar-me com seus lábios carnudos.

Eu já tinha apostado algumas vezes com meu irmão, mas nem por dinheiro a gente teve coragem de abraçar mendigos. Naquele domingo ensolarado eu o fiz diante de centenas de populares, dos meus amigos e, o pior, em um mendigo sem um pingo de charme. Queimei as roupas, ganhei uma doença de pele e sou motivo de piada pelos corredores da faculdade e pelas praças de São Paulo.

Nem reparei nas risadas das pessoas, muito menos no pum nuclear que a Maria soltou no banheiro da pastelaria dos amigos de seus pais, lançando uma outra grande dúvida universal (quem peida em banheiro de pastelaria da Liberdade?) e contaminando todo o ar puro do lugar. Os japoneses sempre atrapalhando a evolução do mundo, como eles dizem lá no sul do país.

Para completar a minha história (enorme por sinal), outro dia cheguei na Barra Funda quando fui abordada por um outro mendigo que falava inglês. “Hello”, ele me disse. E pediu um passe de metrô porque precisava ir “dar aulas de inglês”. Sei que a situação dos professores no país não é das melhores, mas não chega a tal ponto de andar descalço e com as calças em farrapos. Se anda com calça rasgada e não é mendigo, é designer. Está na lei. Então, como eu sou extremamente altruísta, dei logo o bilhete para o mendigo. Ele perguntou se eu falava inglês e o meu “a little” rendeu um loooooooooooongo e forte abraço diante do Júlio, presente do outro lado da catraca.

Foi-se o tempo em que eu atraía chapeiros, entregadores de água, segurança da Protege e medidores da Sabesp.

Posted by subversiva at 03:35 PM | 9 Comentário (s)

June 21st, 2004

O roto e o esfarrapado

- Sábado fui a um restaurante e tinha uma mulher com o marido e o filho na mesa ao lado. Provavelmente, ela tinha feito um implante de botox nos lábios e estava com um beiço enorme. Essas pessoas fazem plástica e ainda se dão ao desfrute de saírem na rua. Pior ainda: vão a restaurantes e sentam do nosso lado!!!!!!!!!!


(...)

* Tocando meu cd do Depeche Mode na sala:

- Gente, que mu-si-qui-nha horroróóóóóósa!


Admiro demais essa mulher!

Posted by subversiva at 01:46 PM | 5 Comentário (s)

ÃHM?

Vocês já viram aquele quadro do Faustão chamado Se Vira nos 30? Pois bem, para quem ainda não viu, aí vai a explicação: a pessoa tem 30 segundos para fazer algo bizarro, ou artístico, ou sem-graça, ou demoníaco no palco do programa. A platéia vota e, se a apresentação realmente for “boa” – na concepção de duzentas siliconadas, da caravana de Xerém, de uma mulher vestida de Michael Jackson e de um ser fantasiado de Super-Homem -, ela ganha 10 mil reais de uma indústria de colchões que patrocina tal espetáculo.

Enfim, ontem eu assistia o Se Vira nos 30 com mamãe e comecei a refletir sobre algumas questões, a começar pela vergonha que senti. Não sei se acontece com vocês, mas eu costumo sentir vergonha pelo outro. Não vergonha do outro, mas pelo outro. Como quando se assiste as entrevistas do Chorão, do Charlie Brown Jr. e ele diz tantas besteiras e “YEAH” que não tem como não sentir uma coisa estranha. Essa coisa estranha é a vergonha. Já cheguei a dizer alto algumas vezes: “Não, poxa, não fala isso que queima o teu filme, rapaz”, ou “Peloamordedeus, você não vai fazer isso, né?!”

Sei que não sou a única a sentir tal coisa, porque o Kito me confidenciou que também tem vergonha do Chorão e o Júlio me disse que sente uma vergonha danada quando assiste Grease e vê o John Travolta dançando daquela maneira com aquelas roupas.

Poucas vezes sinto vergonha na vida: quando cantam parabéns para mim, quando sou madrinha no casamento de alguém e tenho de dançar valsa, quando vejo Zorra Total, quando assisto as entrevistas do Chorão, quando minha colega de serviço vai trabalhar com aquele casaco roxo (“Caraleo, será que ela veio vestindo isso de casa até aqui?”), quando o Paulo Ricardo faz qualquer coisa, e agora, a minha descoberta mais recente, quando vejo as apresentações no Se Vira nos 30.

Esse quadro no Faustão nos desperta para duas grandes dúvidas universais: quem em sã consciência toca um violão com um botijão de gás na cabeça e como ele descobre que sabe fazer isso? Não é possível que um dia ele tenha olhado para o botijão, dito: “vou colocar isso na cabeça” e em seguida começado a tocar Gaúcho da Fronteira. Ontem, provando que não há mesmo limites para o bizarro (palavras de Bia), o primeiro a se apresentar era um rapazinho que enfiava água no nariz e com o canto do olho fazia uma espécie de chuveirinho, por onde saíam jatinhos do líquido. E, antes de começar tal bizarrice, o cara me pareceu um sujeito normal.

É assombroso pensar que, aparentemente, essas pessoas não têm nenhum tipo de disfunção. Me dá a impressão que um dia o Júlio vai tocar o hino nacional no sovaco, a Maria vai conseguir lamber o próprio seio e a Flávia vai voltar a comer tatu-bolas.

Posted by subversiva at 03:20 PM | 15 Comentário (s)

June 22nd, 2004

Da série Grandes Dúvidas Universais

Quem matou Lineu? E quem é Lineu?

Posted by subversiva at 12:30 PM | 16 Comentário (s)

June 23rd, 2004

Crises existenciais no elevador

8º, 7º, 6º, .

- Pai, chegou o elevador!

Dentro dele, um velhinho e um senhor engravatado (dizem que ele apanha da mulher).

- Boa tarde!
- Boa tarde!
- Boa tarde!
- Boa tarde!

Dividir o elevador é sempre um momento constrangedor, mesmo que sejam só cinco andares e ele seja a jato. Talvez porque você nunca esteve tão perto de alguém que não conheça, com exceção do metrô Sé, às 18h.
Constrangimento total e silêncio. Até que no 4º andar, o engravatado virou-se para meu pai e decidiu quebrar o gelo:

- Pensando na vida?
- É.

Olhei nos olhos do velhinho, respirei fundo. 3º andar.

- É... É bom pensar na vida.
- É.

Meu pai suava frio e fazia uns gestos de “tchu ru ru” com as mãos. 2º andar.

- Porque se a gente não pensar na vida, quem pensará?
- É.

O velhinho quase teve uma parada cardíaca. 1º andar.

- Porque a vida não pensa...
- É.

“Meu Deus! Reanimem o velhinho”. Térreo.

- ... Ela age.
- Ai!

Posted by subversiva at 02:54 PM | 14 Comentário (s)

June 24th, 2004

Instinto materno

- Lelê, você está parecendo um traveco com essa sandália plataforma, essas unhas pintadas de vermelho, essa calça preta colada, esse óculos escuro moderno e essa blusinha de estrelinha que mostra a barriga....

- Também te amo, mãe.

Posted by subversiva at 04:36 PM | 6 Comentário (s)

Hattori Hanzo de Diadema

Um dia, ouvi dizer que todo mundo já teve ou tem o seu próprio personal japonês atrapalhator de vida tabajara. Principalmente se você já prestou vestibular. Quem nunca leu na porta de um banheiro escolar: “Enquanto você está cagando, tem um japonês estudando”?

Na segunda-feira, aconteceu uma passagem curiosa na ONG1. Um desses orientais perguntou para a Vanessa onde ele podia encontrar uma das chefes do trabalho. Ela apontou para a porta da nossa sala e disse:

- Ali, ó.

E não é que ele foi parar na porta do armário dela? Bateu, bateu e, claro, nenhum lápis abriu para ele entrar.

O meu atraso de vida japonês não veio na época do vestibular, mesmo porque eu babei na japonesa que sentava na cadeira da frente (sim, eu estava tão preocupada que dormi!) quando fui prestar a Fuvest. A minha personal japonesa veio na faculdade de jornalismo.

Pode parecer engraçado uma japonesa em uma faculdade de jornalismo, porque geralmente eles fazem a politécnica e terminam consertando sua televisão, mas a Maria é diferente. Ela tem um talento danado para o jornalismo. E, me corrijam se eu estiver errada, ela é a única oriental da minha sala. Pelo menos é a única que me chamou a atenção. E a única oriental do mundo a se chamar Maria Carolina. Na maioria das vezes, eles têm nomes impronunciáveis.

Maria é especial a começar pela sua família. Certa vez, sua mãe atendeu a um telefonema meu:

- Arô?
- Alô, por favor, a Maria?
- Maria? No te ninguê com etchê nome aqui, né?
- Ah! Obrigada.

Desliguei, pensei: “Mas que caralho, eu ligo para a Maria toda semana há dois anos nesse número. Como pode não morar nenhuma lá?” e liguei de novo.

- Arô?
- Seguinte, aí não mora nenhuma Maria Carolina?
- Ah si. Craro que mora, né? É que num chamamo era así, né? Chamamo era de Kyoko!

E a mãe da Maria fala como os vendedores da Promocenter: “ceruraru” (celular) e “techetchenta e tchinco” (65).

Eu gosto da Maria porque ela já surrou o Primeiro Ministro Japonês quando ele esteve aqui. Calma, explico. Em visita ao Brasil, a autoridade japonesa decidiu marcar uma luta de Kendô na academia do pai de Maria. Maria faz Kendô há 15 anos e foi escalada para dar as boas-vindas ao Primeiro Ministro. Surrou sem dó, nem piedade. Depois, soube de quem se tratava. Mas eu a conheço e sei que teria batido assim mesmo. Tomei um soco dela na terça e foi doer no sábado. Tudo extremamente calculado.

Dizem que quando os japoneses não são monges, eles são mongos. É tudo verdade. A Maria é dona das histórias mais bizarras e divertidas do universo (e estou usando como parâmetro as minhas histórias bizarras). Já tentei convencê-la de escrever um blog. Se ela contasse somente suas verdades, seria o melhor da internet. Vão desde trepadas em samambaias pretas a Abba no karaokê, passando por cusparadas de flocos de arroz e doce de leite na cara do Júlio.

Enfim, os japoneses sempre atrapalharam e atrapalham a evolução do mundo. E é por causa desse meu atraso de vida que eu ainda freqüento aquela faculdade.

NOTA1: Esse post é especialmente dedicado para a Érica que não conhece a Maria, não é japonesa e nem sequer acredita na existência dos orientais.

NOTA2:

Ontem, na faculdade:

- Júlio, te dou 50 reais para você vir entregar meu trabalho aqui na semana que vem.
- Beleza, Maria. Mas o que eu digo ao professor?
- Diga que sofri um acidente de carro...
- E virou japonesa?

(Essa última pergunta foi minha)

Posted by subversiva at 04:42 PM | 23 Comentário (s)

June 25th, 2004

Diálogos pós-modernos entre mãe e filho

- Lucas, quem matou o Lineu?
- A puliça.
- Mas por que a polícia matou o Lineu?
- Buske ele é xato.

(...)

- Lucas, de quem você gosta?
- Da mamãe, do bobô (vovô), da bobó (vovó), da Bubu (cachorra Bruna), do titio, da dadá (madrinha), do Dando (Nando), da titia e do Toterto Carlos (Roberto Carlos – o cantor!).


NOTA1: E jamais diga ao Lucas que Sidney Magal é melhor que Roberto Carlos. Ele bate. Doído. Bem no meio da cara. Ui!

Posted by subversiva at 02:03 PM | 20 Comentário (s)

June 28th, 2004

Da série Grandes Encontros de Internet

Ou

Os maiores micos que já paguei

Ou

Coisas que só o mundinho virtual bizarro faz por você


Não me lembro como começou o papo. Apenas sei que falávamos sobre encontros com pessoas que se conhece pela internet, ou preconceito, ou sobre o que jamais faríamos na vida. Acontece que sempre um assunto leva a outro e fui remetida ao meu primeiro encontro com uma pessoa que conheci pela internet. Foi há muito tempo e como na época não existiam blogs, nem sarcasmo, decidi escrever sobre isso hoje.

Ainda estávamos no século XX e era década de 90. MSN era um partido político, ICQ, um vírus de uma doença incurável e MIRC, uma marca de anti-séptico. As conversas na internet resumiam-se a três simples salas do ZAZ: de 10 a 15 anos, de 15 a 20 anos e de 20 a 60 anos. Eu, muito esperta, mentia a idade. Embora tivesse apenas 14 anos, entrava na de 15 a 20 porque estava cansada de comentar sobre coleções de figurinha dos cavaleiros do zodíaco e o último lançamento da Bubble Gummers. Queria maltratar as menininhas mais velhas que conversavam sobre o capítulo do dia de Malhação e o pôster central da Capricho. Assumi a identidade de uma universitária da USP, do curso de cinema, com 19 anos.

Por trás do simples nick “Lê”, disputei a atenção de milhares de garotinhos com os hormônios à flor da pele. Foi quando avistei o “Rick” e ele me deu bola assim que a gatinha_manhosa saiu da sala. Conversa vai, conversa vem, passaram-se semanas e meses. Nos apaixonamos. Juras de amor eterno, lista de casamento, presente de dia dos namorados.

Revelei a verdade e contei que era uma garota que usava calcinhas de algodão com trenzinhos desenhados no bumbum (na época, aquilo não era moda). Ele disse que ainda assim me amava. Era o homem da minha vida. Enviei minha foto por correio, porque naquele tempo existia e-mail, mas ainda não tinha scanner. Ele, um sujeito vanguardista, me mandou a foto por computador.

Uma luz no fim do táxi

Na fotografia, Ricardo estava sentado e de boné. Como ainda não tinha photoshop, a foto estava escura, mas percebi que ele era bem branquinho. Não me apeguei ao detalhe de ele brilhar em uma foto muito escura. Combinamos de nos encontrar pessoalmente. Ele passaria em casa para me buscar e iríamos ao shopping Eldorado assistir Jerry Maguire. O táxi (sim, ele também tinha 14 anos e me buscaria de táxi) buzinaria três vezes e chegaríamos em casa no máximo às 10h da noite. Ainda daria tempo de tomarmos um lanche no KFC.

Na hora marcada, o carro buzinou em frente de casa. Morávamos em um sobrado de dois andares. Desci correndo as escadas, abri a porta e vi sair do táxi alguém que, além de brilhar, tinha os olhos vermelhos e o cabelo amarelo ovo. Enfim, era um albino.

O sonho acabou

Sim, o meu primeiro encontro da internet foi com um albino. Para quem não sabe, albinos são aquelas pessoas sem pigmentação na pele que não podem tomar nenhum tipo de sol. Por isso, o boné na foto. Mas ainda havia uma chance, que acabou ao soarem as palavras:

- Olá, eu sou o Ricardo!

- Oi... er... ãhm! Ainda não me troquei (estava com minha melhor roupa)... Você pode pedir para o táxi esperar um minuto?

Era o tempo que precisava para subir as escadas e rir compulsivamente. Chegando no meu quarto, encontrei minha mãe rindo compulsivamente e sempre disposta a me dizer uma palavra de carinho na hora certa:

- Se fodeu!

Dali em diante, os momentos que se seguiram transformariam-se em um maravilhoso manual de sobrevivência na selva ou um fantástico passo-a-passo de como se livrar de um albino. Me lembro bem das pessoas apontando para mim no shopping e dizendo “Olha, aquela menina está com um albino”. Porque todos sabem que albinos andam sozinhos.

Segundo o Gabriel, a vantagem de ir ao cinema com um albino é que você pode ver quais são as intenções do cara mesmo no escuro. E ele brilhava como o Mr. Burns naquele episódio dos Simpsons especial do Arquivo X, em que o dono da usina nuclear sofre um processo radioativo.

Naquele dia, cheguei em casa às 7h da noite e fiquei meses sem conectar. Quando entrei de novo no ZAZ, ele veio me dizer em mensagens privadas sobre termos filhos clarinhos e lua-de-mel na Patagônia, bem longe de sol e calor. Então, eu fui sutil:

- Ei, você já percebeu que é albino?

E tive notícias recentes sobre um possível seminarista albino que conquistava garotinhos em salas de bate-papo de 10 a 15 anos, na internet, com o nick de Cuba Gooding Jr.

NOTA1: Esse é um texto dedicado para os protagonistas do primeiro romance orkutiano que deu certo. Ela e ele me provaram que o amor existe e que tenho de buscá-lo na rodoviária dia 10.

Posted by subversiva at 04:21 PM | 13 Comentário (s)

June 30th, 2004

Da série Grandes Dúvidas Universais

Por que todo anão tem a bunda gigante?

Posted by subversiva at 07:30 AM | 4 Comentário (s)

Porque não basta pagar mico, tem de compartilhar

Pois é, amigos. Sexta-feira passada eu casei. As coisas não deram muito certo com o Gabriel e eu resolvi mudar de lado. Está tudo registrado.



Eu e a minha baranga.



O casamento foi realizado por Cuba Gooding Jr., o padre albino que aparece no relato do post abaixo.



Antes de tomar a difícil decisão de virar um transsexual caipira, tentei o Seu Pedro, o caseiro do escritório. Mas, como vocês podem ver na foto, ele não estava muito receptivo.



Momentos antes da cerimônia, eu ainda tentava conquistar outra bonitona. Entre um xaveco e outro, esperávamos a passagem do cometa Halley.



Ainda hetero, me divertia com o pessoal do escritório. Ah! Esses meus amigos bêbados.



Tentei a Carlinha, mas não deu.



Quis me tornar uma cachorra da sedução, mas não teve jeito. Como podem ver na foto abaixo, eu sou simpática bagaraleo.



Enfim, é isso. Comentem com palavras de carinho e desejem boa sorte para meu novo relacionamento. Estou em lua-de-mel. Ah! E meu nome novo é Ulisses. Sempre quis me chamar Ulisses.

Posted by subversiva at 08:22 AM | 33 Comentário (s)

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