Posted by subversiva at 09:43 PM | 11 Comentário (s)
Entries for July, 2004
July 1st, 2004
July 5th, 2004
Pirituba e seus afluentes
Mamãe combinou de almoçarmos cedo porque o trajeto era longo. Pegaríamos o Terminal Pirituba e lá, Geneci nos esperaria para entrarmos em outro coletivo, rumo a Vila Clarice. Antes de qualquer coisa, conversei com Júlio, meu amigo ex-office-boy-que-entende-tudo-de-nomes-de-rua-e-lugares, para evitar que fossemos parar em uma tribo de índios canibais:
- Júlio, vou além da sua casa.
- Nossa, o que você vai fazer em Mococa?
- Não, vou para Vila Clarice.
- Não leve reais. Lá a moeda é outra.
Seguindo o conselho de Júlio, comprei cigarros e perfumes para um possível escambo. Pirituba começa perto de casa e termina no fim do mundo, exatamente onde fica Vila Clarice.
Não sei qual rua nós dobramos e onde ficou exatamente o limite entre a burguesia orgulhosa e o orgulho de ser periferia. Sei que, não muito distante um do outro geograficamente, a diferença de identidades é brutal entre os bairros. Pirituba é formada por sobrados e casas térreas, banca do Zé, mercearia da Dona Adelina, bar do Seu Pedro, crianças jogando bola na rua, marmanjos empinando pipa, exibicionismo em cima de mobiletes. Na Pompéia, Shell, Select e Brothers Milk.
No caminho, lembrei-me o tempo todo do discurso sempre vivo de “daqui não saio e daqui ninguém me tira” do Franz. Invejei (inveja saudável, querido) todo seu amor piritubano, justamente por eu não ter o menor vínculo, nem a menor raiz fincada em qualquer bairro de São Paulo.
Na Vila Clarice as coisas não são muito diferentes do bairro vizinho. O trem também passa por ali e a favela fica bem próxima à casa do Geneci. São poucas ruas que separam o amontoado de barracos de maneira da montanha de casas de cimento e tijolos, firmes e fortes como qualquer prédio não construído em Santos.
Graça recebe pouco mais de R$ 200 como faxineira e Geneci não tem mais renda, desde que deixou de receber seus R$ 600 quando foi demitido do prédio. Por esse motivo, uma casa própria térrea de dois quartos, cozinha, sala, banheiro e quintaiS foi uma grata surpresa. Tanta que esqueci de olhar para cima e só depois me dei conta de que existiam mais dois andares em construção.
- Construímos tudo aos pouquinhos.
Começou quando Geneci comprou o terreno e ganhou uma moto em um bingo. Vendeu a moto, investiu em material de construção e montou a casa onde moram. A outra que está sendo construída, foi tudo feito com planejamento (financeiro, pois se dependessem deles os arquitetos e engenheiros morreriam de fome). Bonito de ver. Se o Fantástico descobrisse o casal, demitiria o economista barbudo e os contrataria para dar dicas à classe média de controle do orçamento doméstico e dinheiro bem empregado nas liquidações de natal.
Claro que o passeio teve suas bizarrices, como o bingo onde as pessoas recebem na porta seus copinhos de plástico lotados de feijão e acham que eletrônico é apenas um cara que conserta geladeiras. Destaque também para os petiscos oferecidos pela Graça, a mando do Geneci:
- Mulher, frita uns bife e umas cebola pras visita.
Na hora de ir embora, sentamos no banco de madeira ao lado da sinuca para esperar o ônibus. Pensei o tempo todo que deveria procurar algo na Pompéia que fizesse surgir esse orgulho periférico existente naqueles olhares vigilantes e fixados em uma pipa. Alguma coisa que passasse longe do comportamento pequeno-burguês da classe média e que eu pudesse contar para meu filho e o fizesse espalhar para todos os coleguinhas de escola:
- Mamãe disse que no meu bairro tem o melhor queijo coalho do mundo.
ou
- Mamãe disse que lá na Pompéia é a sede do sindicato dos anões de circo.
Acho que agora será mais fácil desenvolver isso dentro de mim, principalmente porque o karaokê do lado do meu prédio fechou. O famoso Guarda-Chuvão, happy-hour de prostitutas velhas e arrependidas e caminhoneiros da marginal, foi para o chão.
NOTA1: Dia 9 está chegando, mas antes disso você pode conferir textos incríveis do Kito, publicados em seu site. Como o de hoje.
NOTA2: Nem todo chefe de estagiário é filho da puta. Ganhei folga na ONG1 semana que vem para curtir meu namorado e poderei trabalhar pela manhã na ONG2.
NOTA3: Da série Notas Fantásticas de Alunos-Fantasmas: 6,5 de Legislação e 4 de ética. O que prova que estou no caminho certo do jornalismo. Sou filha da puta, sem nenhuma moral e aprendendo a comprar juízes.
Posted by subversiva at 04:15 PM | 8 Comentário (s)
July 6th, 2004
VINTE E CINCO
Vinte e cinco anos de casamento. Quem diria que o “Até que a morte os separe” duraria tanto tempo? Vida saudável, controle do colesterol, exercícios diários, margarina Becel? Negativo. O segredo de uma longa vida, oras bolas, está mesmo na existência do amor.
Sim, estou aqui para falar de amor e quem me conhece bem sabe que não sou muito boa em dissertar sobre isso. Mas não poderia deixar passar em branco o fato de meus pais estarem casados há 25 anos.
Na época do “sim”, os tempos eram outros (o “sim” nem foi um “sim”, mas um “sim, senhor!” de quem casou em plena ditadura militar). As moças casavam de branco porque eram virgens e não trabalhavam para cuidar dos futuros filhos. Os moços, bem... os moços são exatamente iguais desde o início da era Paleolítica.
Com meus pais, nada de muito diferente: mamãe deixou tudo para cuidar dos filhos, e papai trabalhou a vida toda pelo sustento da casa. Criaram eu e meu irmão, ensinaram os bons costumes e valores morais, tiveram um cachorro vira-lata, peixe, passarinho, gato, sofá da Marabraz, relógio na cozinha com desenho de vaquinha, Brasília amarela, sobradinho em rua calma, vizinhos fofoqueiros, vídeo-cassete de duas cabeças.
Mas algo sempre vai muito além do que manda o Manual do Escoteiro Mirim e não estou me referindo à existência de almas gêmeas ou signos do zodíaco que combinam. Me refiro a tudo que aprendi olhando de longe, de perto, de lado, de cima e de baixo todos esses anos de convivência dos dois (e olha que perdi os três primeiros anos de casamento que devem ter sido os mais quentes, insaciáveis, fogosos... Pensando bem, amém). Me refiro a aquilo que a gente aprende por osmose, que nunca ninguém contou e ninguém vai contar, o que não se resume em palavras de conversas de pai e filho.
Resumir o que aprendi com o amor de 25 anos desse casal em um pequeno texto de um blog é algo impossível, mas deixo registrado que a pessoa que disser o “sim” para mim terá de enfrentar um grave problema, que talvez nem seja um problema, mas é grave: é muito provável que eu não saiba amar como quase todos os homo sapiens, porque a vida toda eu convivi com um amor que distribui beijinhos antes de sair para o trabalho e coloca comida gostosa em cima da mesa todos os dias. O amor que anda de mãos dadas até hoje no shopping e que compra flores. Que vai muito além de qualquer panela com quiabo arremessada, copo quebrado e lágrima triste, todos guardados na memória. Que não é reação de célula nervosa, como dizem os cientistas, ou nomes gravados na copa de uma árvore, como fazem os adolescentes. Um amor que nada precisa dizer, mas basta um olhar para entender e se fazer respeitar. E eu quero um exatamente igual.
Bodas de prata, vamos comemorar! Parabéns para vocês.
Posted by subversiva at 04:07 PM | 21 Comentário (s)
July 7th, 2004
Da série Grandes Dúvidas Universais
Imagine a situação: você está sozinho com seu pai em uma floresta. Não existe nada por perto, a não ser uma cobra que pica bem o bilau do seu pai. O que você faz? Chupa o pinto do seu pai para tirar o veneno ou deixa ele morrer?
Posted by subversiva at 11:40 PM | 25 Comentário (s)
July 12th, 2004
Não Perturbe (Namorando)!
Nhoim Nhoim... =~
Posted by subversiva at 09:13 AM | 9 Comentário (s)
July 13th, 2004
July 16th, 2004
Breaking News: Maluf zica paciente em UTI
NOTA2: Que raio de campanha é essa que o ex-prefeito-ladrão de São Paulo foi fazer na UTI? Todo mundo morrendo e não vai sobrar ninguém para votar nele. Cadê o marketeiro do Maluf?
NOTA3: No leito de morte, ainda mentiu pro moribundo. Vai colocar a rota na rua? E esqueceu que ela é do governo estadual?
Morre paciente visitado por Maluf na UTI
da Folha Online
O paciente José Matias da Silva, 46, que recebeu a visita do candidato a prefeito Paulo Maluf (PP) morreu nesta sexta-feira no Hospital e Maternidade Voluntários, em Santana (zona norte de São Paulo).
Ontem o ex-prefeito entrou na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do hospital, onde cerca de 30 pacientes estavam internados em estado grave, com respiração artificial e sob controle de aparelhos.
Enquanto Maluf passava pelos leitos, Silva, que estava com um tubo na boca e um controlador de batimento cardíaco, chamou o ex-prefeito com dificuldade. "Maluf, Maluf." O candidato, que estava se afastando do leito, voltou e se aproximou do paciente, que pediu: "Mate os bandidos, mate os bandidos".
"Com Maluf na prefeitura, a Rota vai para as ruas", respondeu o ex-prefeito -apesar de a Rota (unidade de elite da Polícia Militar) ser de responsabilidade do governo do Estado. Em seguida, Maluf segurou o pulso esquerdo do paciente e disse, em tom de apoio, que ele iria "sair dessa".
Ainda no pé do leito de Silva, o ex-prefeito perguntou a um médico que acompanhava a comitiva o que havia acontecido com o paciente. "Ele foi baleado, no último dia 12, em uma tentativa de assalto. A bala atingiu o fígado e está alojada no lado esquerdo", explicou o médico, que foi interrompido por um colega que pediu que todos se afastassem. O tumulto estava estressando os doentes. Na saída, ainda se podia ouvir os gritos de dor de um deles.
Cerca de 30 pessoas, entre médicos, assessores, repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, acompanharam Maluf.
Posted by subversiva at 04:47 PM | 4 Comentário (s)
July 19th, 2004
Mamãe, eu quero ser rocker!!!!!!!!!
Lembro-me que certa vez Pinduka, amigo meu de Floripa, me disse que o que era mais legal em mim era meu estilo sempre na contramão dos lugares que freqüentava. Como quando eu ia em show de metal com camiseta de surfista e andava de pulseirinhas coloridas na rua, sem a menor vergonha.
Desculpe, Pinduka. Eu sucumbi. Aderi ao estilinho “sou malvada” das rockers. Só assim, poderei fazer coisas que ninguém tem coragem de fazer na frente de todo mundo, como comer caca de nariz e ouvir Alfa FM. E essa é a minha nova meta.
Para dar início a nova fase da minha vida, convidei Júlio para meu Dia de Princesa. Mas eu só aceitei ir com ele ao cabeleireiro se ele fosse comigo na galeria para um banho de loja. Enquanto eu ouvia conselhos do meu cabeleireiro hetero sobre como lavar meus cabelos oleosos, Júlio criticava as reportagens da revista NOVA. Até que ele resolveu prestar atenção em mim:
- Lelê, você está parecendo um poodle.
Então, eu lembrei do Um, Dois e Peixe, segurei as lágrimas e me dei conta de que o cabeleireiro não tinha gostado nem um pouco do comentário maldoso do Júlio. Eu não estava nem aí porque a intenção era essa mesma: chocar a sociedade com meu cabelo novo.
- Puxa, que bacana. Meu cabelo está igual ao da vocalista dos Pretenders – pensei.
A felicidade durou exatamente dois minutos.
- Mas você sabe que esse cabelo está suuuuuuuuuuper na moda? Quem está usando é a Scheilla Carvalho, Scheilla Mello. Suuuuuuuuper bonito – desmunhecou meu cabeleireiro.
Júlio achou melhor me trazer outra trufa, antes que eu tivesse um ataque, mas cuspi no chão, cocei o saco e disse:
- Pelo menos agora não pareço mais a Ivete Sangalo.
Paguei e fomos para a galeria, de onde saí com quatro camisetas e dois cintos, além da certeza de que é muito difícil ser rocker em um mundo onde você ganha dois pirulitos em formato de coração como brinde, depois de comprar uma camiseta furada do B-52’s.
Posted by subversiva at 08:27 AM | 9 Comentário (s)
July 20th, 2004
Jentiiii, ai que tudo!
Comentar em blogs do UOL virou um vício desde que o provedor adotou o mesmo procedimento do “anti-spam” nas janelas dos comentários. Agora eu caço blogs do UOL, ponho qualquer besteira como “Olá miguxa, seu bloguinhu é demaixxxxxxx, visita o meu e deixa um comentário” só para entrar na tela de “Por favor, digite o que você vê escrito na imagem acima”. E o que está escrito na imagem acima é sempre maravilhoso. Já tive de redigitar desde leviana, até maçã, passando por excitante, criado-mudo, gargarejo e presunto.
E se você der sorte, pode até ter de reescrever uma palavra do campo de validação que combina exatamente com o tipo de comentário que está deixando no blog. É a tecnologia divertida a serviço dos estagiários desocupados.
Posted by subversiva at 03:48 PM | 17 Comentário (s)
July 22nd, 2004
Parabéns pra vo... ÃHM? O_O
- Estamos aqui reunidos para celebrar o aniversário dessa ONG que realiza atividades importantes como (...) -, começou o coordenador.
Silêncio total, a não ser pelo cantarolar do Lucas, que não estava nem aí para as lágrimas emocionadas do chefe de todos nós.
- Daremos a palavra para à presidente de (...) -, continuou o coordenador.
- IAJAAJAGHAA, bffffff, grgrgrgrjd, xihajajajahi – disse o pequeno terrorista.
Então, a loura-presidente-de-algo-importantíssimo:
- Estamos aqui reunidos para celebrar o aniversário dessa ONG que realiza atividades importantes como (...).
Eis que surge uma voz grossa, rouca, detrás das cadeiras:
- Bobó (vovó), kudê (cadê) a Mamãe?
- Shiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.
- (...) porque os consumidores são especiais para o desenvolvimento sustentável (...)
- Bobó (vovó), kudê (cadê) a Mamãe??
- Shiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.
- (...) e sem a nossa luta contra grandes empresas (...)
- Bobó... EU QUERO TAZÊ (fazer) TOTÔ (cocô).
Silêncio.
- Mamãeeeeeeeeee! QUERO TAZÊ TOTÔ!!!!!!!! QUERO TAZÊ TOTÔ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Gargalhadas.
- (...) porque nós estamos lutando para esses aí (apontando para o Lucas). Pelo futuro do nosso País (...).
- QUERO TAZÊ TOTÔ!!!!!!!!!!!! QUERO TAZÊ TOTÔ!!!!!!!!!!!
Ou seja, nós estamos lutando pelo futuro de alguém que está cagando para a ONG2.
Posted by subversiva at 05:38 PM | 7 Comentário (s)
July 23rd, 2004
Jornalista bem informado vale por dois
- Gente! Li hoje na Folha que um dos namorados da mãe do Luciano Huck era editor da Playboy e quando ele era criança, o padrasto o levava nas reuniões de pauta da revista. Agora tá explicado porque esse cara é assim. Trauma, gente. Imagina só você ter doze anos e discutir se a xavasca da Ioná Magalhães deve ou não deve ir para o pôster central.
23/07
- Gente! Prestem atenção nas notícias internacionais: “Jornalista da imprensa rosa é achada assassinada na banheira”. O que é imprensa rosa? Deve ser a mesma coisa que imprensa marrom. Para quem vai a Londres: “Londres é a segunda cidade mais cara do mundo”. A primeira é Tókio. Enquanto isso “Pequim fica no escuro por causa de apagão”. Mais de 40 minutos de apagão, gente! Um absurdo. Mas a “Sharon Stone diz que prefere garotões”. Tá muito certa ela. Bem melhor do que preferir velhinho broxa. “Japão fabrica roupas blindadas para criança”. Olha só, Lelê. Próxima vestimenta do seu filho. “Para não perder o espírito infantil, os moletons estarão disponíveis em doze cores”. Que graça. O jornal internacional é sempre muito melhor do que os nacionais.
NOTA: Agradecimento público à Dona Bia que hoje me deu folga por termos enfrentado na quinta-feira a pior reunião de nossas vidas. Lá pelas tantas, já desejávamos dançar ciranda na Funhouse, com a Mancha Verde. Cruel vida de jornalistas.
Posted by subversiva at 03:55 PM | 9 Comentário (s)
July 26th, 2004
O dedilhar do ginecologista
Foi o que eu disse para minha prima quando estava indo embora para casa, feliz da vida, sábado à noite. A família é pequena, composta especificamente por mãe, pai, filho, irmão, tios, primos e vizinhos que são considerados parentes. Do tipo “te peguei no colo quando nasceu”, “te vi crescer” e “fiz um colar com seu dentinho de leite”. Pessoas para lá de especiais.
Minha família nada tem de italiana, mas faltar a uma dessas festinhas é considerado traição. Traição em primeiro grau. Merecedora de beijo da morte. Pelo menos uma vez por mês nos reunimos para celebrar os anos de alguém e discutir sobre “o novo penteado da vizinha da 47”, “o barraco que rolou no 80” e “a cachorra prenha do 76”. E é divertido demais.
Sábado passado aconteceu de novo. A confraternização aconteceu na casa da Dona Ada e o aniversário era da filha mais nova, Marisa, que completava muitas e muitas primaveras. Logo que chegamos, vimos que no meio da sala tinha um discreto teclado tamanho GG.
NOTA1: Sempre que for a uma festa de família e avistar um teclado no centro da sala de estar, fique, mesmo que a vontade seja de sair correndo. Vale a pena.
- Não pude deixar de reparar que aqui tem um teclado gigante. Quem vai tocar e nos divertir na festa?
- O Dr. Eduardo.
NOTA2: Sempre que for a uma festa de família e avistar um teclado no centro da sala de estar prestes a ser tocado por um médico ginecologista chamado Dr. Eduardo, fuja, mesmo que a curiosidade em saber se ele é realmente ágil com os dedos seja maior. Corra pela sua vida.
Não tivemos nem dois minutos de respiro e o Dr. Eduardo chegou, acompanhado da mulher, Dona Salete, que sabe dizer as coisas mais simpáticas em festas de família:
- Você está fazendo 40 anos e continua solteirona? Hora de arranjar um homem pra casar. Se não quiser casar, então arranja um homem para dar, boba.
Ele se posicionou, super empolgado, e começou a dedilhar músicas tão ou mais antigas que a Dona Ada. Como ele toca muito mal, lembro-me de poucas tais quais Besame Mucho e My Heart Will Go On.
Então, a cena era a seguinte: no meio da sala, um médico ginecologista tocando o tema do Titanic. Do seu lado direito: eu, meu primo e minha prima, estupefatos. Do seu lado esquerdo: meus tios, meus tios-vizinhos e meus pais, cantarolando timidamente. Na nossa frente: Dona Salete tentando casar as solteironas, Dona Maricota (de bengala), Dona Nô (de andador) e Dona Ada (de bengala também).
O Lucas é onipresente. Conseguia ocupar todos os lugares e preencher os espaços vazios em questão de segundos. Eu, como boa mãe, tentava corrigir suas indelicadezas:
- LUCAS, NÃO ESTRAGUE A MÚSICA! Quer dizer... LUCAS, NÃO ESTRAGUE MAIS A MÚSICA.
Na medida em que a cerveja era servida, as pessoas cantavam mais alto.
- Cláudia, sua mãe vai cantar – alertei minha prima.
(...)
- Não, Cláudia. É o seu pai quem vai cantar.
(...)
- Não, Cláudia. É o meu pai quem vai cantar.
Aí a cena ficou a seguinte: o Lucas dava um tapa em cada um e saía correndo. No meio da sala, um médico ginecologista tocava o tema do Titanic e meu pai cantava como o Nelson Gonçalves. Até que a Dona Nô começou a chorar compulsivamente.
Então a cena ficou: Dona Nô chorando compulsivamente e disfarçando para ninguém perceber. Eu e meus primos com os olhares parados, fingindo não perceber que a Dona Nô chorava compulsivamente. Meu pai cantando como o Nelson Gonçalves e o Dr. Eduardo empolgado como um tecladista de churrascaria.
Aí o Lucas achou os doces e a cena ficou: Lucas enfiando o dedo indicador nos bolos diversos e cuspindo pé-de-moleque na roupa das pessoas porque não tinha gostado. Minhas tias e mãe conversando como se estivessem na praça de alimentação do West Plaza, ao som de músicas mal tocadas do Tom Jobim. Dona Nô chorando compulsivamente e eu e meus primos bebendo Bohemia.
Na hora dos Parabéns, tivemos de esperar o Dr. Eduardo terminar de tocar Rain Drops Keep Falling On My Head para começarmos com as palmas. O “Parabéns pra você” foi o mais acelerado de todos os tempos, porque o médico decidiu acompanhar as palmas no teclado e perdemos todo o ritmo. Para evitar um fracasso maior, mandei meu filho apagar as velinhas logo na primeira estrofe. Tremenda cagada porque acenderam as luzes e perceberam que absolutamente todos os doces estavam furados pelo dedo indicador do Lucas.
Ninguém é feliz sem ter ido a uma festa da nossa família. Onde mais você encontra pé-de-moleque e Bohemia? Sábado que vem tem de novo. Viva.
Posted by subversiva at 11:06 AM | 11 Comentário (s)
July 28th, 2004
Felicidade brilha no ar como uma estrela que não está lá
Agora precisarei encher o blog de figuras.
Posted by subversiva at 08:11 AM | 22 Comentário (s)
July 29th, 2004
*Enqüanto isso, no Orkut...
Tópico: Tiros no Souza
Rachel: Gente, não sei se vocês ficaram sabendo de um assassinato que rolou no Souza. Se não me engano, foi neste domingo, lá pelo meio dia. Um cara parece que estava mostrando a arma dele para uma mulher, quando um outro olhou desconfiado achando que era assalto e o dono da arma disparou vários tiros no cara desconfiado, em plena luz do dia, lá dentro mesmo. Alguém tá sabendo? Aconteceu de verdade?
Alysson: Pelo que sei, o sujeito perguntou para o outro, que estava com a camiseta do Palmeiras, em frente ao Souza, se tinha ônibus que ia para Santo Amaro. O palmeirense não soube responder. Então o sujeito perguntou sobre ônibus que ia para o Socorro. O palmeirense não soube responder. Então o sujeito perguntou de um ônibus para Capão Redondo. Novamente não conseguiu respostas. Irritado sacou o revólver disparou quatro tiros no palmeirense e disse: "Três são pelos ônibus e um pela camiseta feia du carai.
Até onde sei foi isso que ocorreu."
Alan Edgar: Fiquei sabendo de uma onda dessa há três semanas. Um policial com fama de violento e que mora no bairro baleou um jovem porque o mesmo olhou para sua mulher. Definitivamente, o Souza não é um lugar seguro. Muito menos bem freqüentado.
Qual delas é verdade? Ninguém sabe. A única coisa que descobri é que meu bairro é lotado de pessoas pra lá de criativas e que animam minhas manhãs com seus tópicos irreverentes e imaginativos. Enfim, começo a desenvolver raízes na Vila Pompéia.
NOTA1: Se alguém estiver a fim de comer um queijo quente comigo no Souza, é só pedir. Passo a freqüentar o lugar hoje mesmo. Lá é cheio de artistas e deve render boas crônicas.
NOTA2: Se a profissão perigo me permitir, de tarde escrevo sobre o jogo de ontem. Mas eu vi! Tinha um muçulmano no Paca.
Posted by subversiva at 08:22 AM | 9 Comentário (s)
FIFIKANÊ
Ontem não foi diferente. Lá estava a voz inconfundível a construir frases aparentemente incompreensíveis como “Senhor Wanderley Apalecido de Andlade, favor comparecer a cabinso”. Mas quem é corinthiano de arquibancada nem se importa com o fato de ele não saber pronunciar a letra R. Apenas entende o que ele quer dizer e vai direto à cabine de som.
A partida de ontem foi uma verdadeira merda. O jogo teria sido ruim se Corinthians e Cruzeiro aprendessem a jogar futebol. Mesmo assim, valeu a pena ter ido (e sempre vale) por rever os amigos e por algumas situações bizarras (como de praxe).
Eu e Júlio levamos o menino muçulmano do intercâmbio para conhecer o verdadeiro amor ao futebol. Queríamos estudar de perto a manifestação dos muçulmanos no momento do Gol e, graças a Alá, o Corinthians marcou um. Foi traumatizante. Evacuaram parte da arquibancada do Pacaembu com receio do rapaz explodir. “Ele está com o corpo cheio de dinamites!!!!!!!!”, ouvimos. Abdul jogou as mãos para o céu e começou a reverenciar seu deus em direção a Meca, com palavras impronunciáveis, que só o locutor do Pacaembu saberia repetir.
Levei a máquina fotográfica manual/profissional do meu irmão para registrar as irregularidades do Estatuto do Torcedor. O Deco levou a dele e entregou ao Imirim para que tirasse fotografias dos Gaviões para o site. Nós dois andávamos pelo estádio e éramos tratados como semi-deuses. “Abram caminho! É a imprensa”. Mal sabiam que eu procurava por mijos no chão dos banheiros e cuspe nos refrigerantes. Entre um lance e outro, comparávamos o poder das nossas máquinas:
- Lelê, qual é o Zoom da sua máquina?
- Pouquinho. Só 90 MM. E a sua?
- Não sei.
- Peraí. Tá escrito aqui. 70 MM.
- É, mas aumenta 10 vezes.
- Caramba. Aumenta 10 vezes os 70 MM. Sua máquina tem zoom de 170 MM??????
- Humm... É. 170 MM. Legal né?!
Enquanto estávamos na arquibancada, um torcedor vomitava em seu amigo porque tinha tomado umas e outras (duzentas) a mais. Como se não bastasse vomitar, ele se mijou. Tirou a camiseta e estava com a braguilha aberta. A essa altura do campeonato, ninguém conseguia olhar para o jogo. Alguns rezavam para ele se cagar, outros torciam pelo coma alcoólico. E foi exatamente o que aconteceu. Ele se cagou e entrou em coma alcoólico. Caiu DE QUATRO, com a bunda arrebitada para toda a torcida. Aí ninguém mais conseguiu ver o jogo mesmo.
Quando o juiz apitou, os doze mil torcedores presentes se dirigiram para a saída e esqueceram que ali tinha um sujeito em coma alcoólico caído. Então ele ficou vomitado, mijado, cagado e pisoteado.
Antes de irmos embora, descobrimos que o sujeito do comercial da Nova Schin é integrante dos Gaviões e amigo do Pavão.
- Lelê, está vendo aquele cara ali?
- Sim, que que tem?
- É o cara do comercial da Nova Schin.
- O_O
- Aquele que é o balconista e grita “FIFIKANÊ!!! FIFIKANÊ!!!”, dá aquela risada e aponta pro mar.
- O_O
No caminho de volta, eu e Júlio descendo a Avenida Pompéia e um cheiro de merda de mendigo pisada.
- Nossa Lelê!!!! Que cheiro forte de...MADEIRA MOLHADA!
E terminamos o dia rindo como nos finais dos episódios dos Thundercats.
Posted by subversiva at 06:04 PM | 18 Comentário (s)
