Entries for September, 2004

September 1st, 2004

...sempre tem a cama pronta e o rango no Fugão (Fugão, Fugão)!

Como todos sabem, meu grande amigo Júlio desencalhou (um dia eu escrevo sobre isso) e está namorandinho com uma menina bacana, porém perigosa, lá da faculdade. Eu nem me importarei de comer cachorro quente sozinha e de perder o parceiro na sinuca, se ele continuar dando gafes como a de ontem.

Eu e Maria voltávamos saltitantes para o metrô, ao lado do boneco de Olinda (apelido carinhoso dado ao Júlio por causa da hidrocefalia) e sua pequena.

A nossa japa amiga comentou que precisávamos de bonecos infláveis para nos fazer companhia, enquanto o mais novo casal 20 esfregasse felicidade na nossa cara.

- Certo, Maria. Vamos chamá-lo de João e Wilson. Sempre quis namorar um cara chamado Wilson (sarcasmo, caros leitores).

Júlio quis fazer sua gracinha peculiar para se aparecer à namorada:

- Nossa, Lelê! Wilson só não é pior do que Nelson.

- Ah, mas meu amor, - respondeu Ana - meu irmão chama Nelson...

- O.o

- ... e inclusive é Nelson Filho. Porque meu pai também chama Nelson.

- Ahm... é... hmmmm... ui... ahm... você viu, benzinho? É noite de lua cheia...

Posted by subversiva at 10:05 AM | 36 Comentário (s)

September 2nd, 2004

Viagem ao centro da cidade

Ah, como é bom ir ao centro da cidade! Além de quase ser atropelada por uma nota de cem reais em frente a uma loja de crédito pessoal e presenciar a melhor seqüência de passos de dança realizada por um dos artistas do centro, servi de intérprete da incrível conversa entre minha mãe e uma vendedora coreana do shopping 25 de março.

Eu: Olá. Quanto é a imitação de Swatch?

Coreana: Dé reá. Dé reá.

Mamãe: Oi?

Eu: Dez reais, mãe. Quanto tempo tem de garantia?

Coreana: Hum mô. Hum mô.

Mamãe: Oi?

Eu: Um mês, mãe.

Coreana: má rerógiu te bom procedênça, no? Bom procedênça.

Mamãe: É, Lelê. Você ouviu o que ela disse? Disse que não pode entrar com ele na água.

Coreana: No, no.

Eu: Ela disse que é de boa procedência, mãe.

Coreana: É. É. No va precisá usá garantia. No precisa garantia, no?

Mamãe: Oi?

Eu: Não vai nem precisar usar a garantia, mãe. Beleza, então. Eu vou levar.

Coreana: Quaque ce qué?????

Mamãe: Oi?

Eu: O da girafa.

Coreana: Girafa, no? Girafa!

Mamãe: Ih, Lelê. Não tem. Vamos embora.

Eu: Ela está repetindo cada frase duas vezes só para não perder o costume. Obrigada, até logo.

Coreana: Tchá. Tchá.

Mamãe: Oi?

(...)

Mamãe: Putz. Não entendi nada do que ela disse.

Eu: Sério?

Posted by subversiva at 02:35 PM | 23 Comentário (s)

September 3rd, 2004

A caixa d'água do demônio / BRB

Decidi que não vou mais para a faculdade acompanhando meu ex-amigo Júlio e sua namorada Ana por uma questão de sobrevivência. Ontem, o boneco de Olinda ficou irritado com a companhia e tentou me matar.

Me deu uma cabeçada que fez doer até o dente do fundo.



*****************************************************

Hoje de madrugada eu vou para o Rio de Janeiro [piada] levar um carregamento que chegou da Colômbia e receber a grana para pagar a faculdade [/piada]. Não sigam o exemplo dos tchetchenos: sem pegar crianças por aí como reféns. Volto logo. Na quarta, provavelmente, o blog será atualizado. Me desejem boa viagem e [piada] boa sorte com a polícia [/piada].

NOTA1: Para quem não me conhece, as piadas estão entre tags. Não pensem mal de mim. Sou uma simples camponesa de nobre coração que vai todos os dias ao bosque buscar lenha.

Posted by subversiva at 10:18 AM | 27 Comentário (s)

September 8th, 2004

Dêem parabéns para o Boneco de Olinda mais amado do Brasil

Até uma semana atrás ele era assim:

- Minha nossa, que cabelo horroroso tem aquela mulher!
- O que está errado no cabelo dela?
- Ai, Lelê. Você não reparou? Cheio de ponta dupla.

Eu pensava que era inveja pelos míseros fios de cabelo que o Júlio tem, mas bastou ganhar a Ana de presente de aniversário e tudo mudou. Jogou fora sua boneca inflável e agora só repara em cabelo de mulher se for pra falar mal do shampoo de melancia e do brilho intenso.

- Cabelo tem que ser podre. Sujo. Rock’n’roll. Yeah, Yeah.

Ok, ok. Isso me deixou meio assustada. Antes era eu quem cuspia no chão e cutucava o nariz na frente de todos e estou me acostumando a não ser mais o machinho da amizade. Então, agora que eu virei mulherzinha, vou aproveitar a ocasião para dizer coisas bonitas nesse dia-seguinte-de-aniversário tão especial.

Parabéns. Feliz aniversário. Você é F.O.D.A. com PH maiúsculo.

Posted by subversiva at 02:11 PM | 12 Comentário (s)

Independência no Rio - 0...........10

O melhor do Rio de Janeiro foi a volta (além, claro, de rever o meu irmão e saber que o rapaz goza de perfeita saúde e mora há 2 mil km do centro da cidade maravilhosa). O banheiro do ônibus era uma gracinha, mas tinha a porta tão dura que era preciso arrombá-la. E dane-se a vontade de fazer xixi. Luquinhas mesmo resolveu molhar o nosso banco para evitar dar trabalho à mamãe.

Logo que subimos no busão, vimos ao lado do motorista duas caixinhas de VHS. Uma delas pertencia ao filme História Sem Fim II. Eu e meu primo ficamos super-hiper-duper empolgados porque o História Sem Fim I é um verdadeiro clássico infantil do Cinema Em Casa. Nenhum de nós tinha assistido a continuação, mas se fosse metade do que é o primeiro estaria bom demais. Nos preparamos para uma viagem dos sonhos: meu primo homofóbico esqueceu que estava sentado ao lado de um casal gay e eu fingi que não ouvia as cantadas de um velho chinês para uma jovem chinesa no banco da frente (tudo em chinês, mas eu sei que eram cantadas pelo olhar canastrão do velho e o sorriso mostrando o dente de ouro).

Quando o titular do direito autoral da obra cinematográfica anunciou que era ilegal fazer cópias não-autorizadas da fita, festejamos com pão de queijo de estrada e Toddynho, mas a alegria durou pouco. “American Buffalo” era o nome do filme. Até dou uma chance para o Dustin Hoffman explicar o que ele estava fazendo em uma película cuja a história é sobre um cara que toma um pé na bunda e reclama durante duas horas que a ex pagou US$ 0,25 por quatro torradas.

Eu já estava quase puxando briga com o chinês, mas The Neverending History II invadiu o ônibus, contagiou a todos com sua luz brilhante e nos uniu em um só coração. Só que o filme era dublado. Nenhum problema, se o motorista não tivesse esquecido de aumentar o som. Então tivemos de nos contentar com fadas, periquitos e pernilongos mudos, ajudando um garoto mudo a salvar Fantasia, em um filme de muita ação, aventura e um colorido fantástico. E o pior é que eles gesticulavam pouco.

Só eu e um fulano de óculos fundo de garrafa agüentávamos bravamente a frustração de assistir o filme dublado/sem som. O ônibus todo dormia quando o motorista passou o volume do 0 para o 10.

- Preciso ir para a casa, dizer para o papai que... ADORO ELE.

Pude ouvir nitidamente a ÚLTIMA fala do filme. Depois de trânsito, porta de banheiro encrencada, chinês, banco mijado, casal gay, pão de queijo, filme ruim e filme bom mudo, chegamos em Sampa para contar essa história aos nossos netos.

NOTA1: No Rio, Lucas conheceu o mar e todos os banheiros dos estabelecimentos comerciais da cidade. Adorou a praia e amou as descargas. No mais, macarrão bom, Itaipava gelada, Top Bell para dar espinhas, quatro rodadas de Detetive, barman achando que eu era curitibana, nenhuma bala perdida, fauna variada do Castelo das Pedras direto para os bailes da CDD, padaria com o chocolate gelado mais barato do mundo, vista pro Maracanã. E um calor infernal. A frase do feriado foi proferida em um churrasco de família:

- Nossa... mas você tem um olhar tão bonito. Parece do... do... Steve Wonder.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA. Ai ai... que sujeito engraçado.
- Ei, mas eu falei sério.
- ...

E era sério mesmo.

Posted by subversiva at 04:18 PM | 14 Comentário (s)

September 10th, 2004

5° na escala Richter

Eu tenho uma meta: ficar multimilionária em cinco anos evitando gastar dinheiro com condução. Depois, contratar o U2 para tocar na minha cerimônia de casamento, exatamente como o Ronaldinho vai fazer. Tá, pode ser qualquer outra banda de grande porte. Pode ser até a Madonna.

No meu primeiro dia de economia, mandei a tendinite e o joelho às favas, enchi os pneus da bicicleta, tomei fôlego e enfrentei o calor. Quatrocentos metros depois, o pneu traseiro estava no chão e eu tive de empurrar a magrela até o serviço.

BOM: ter um serviço que te ajude a ficar multimilionária.

RUIM: ter de economizar no dinheiro do busão para ir ao serviço e assim conseguir ficar multimilionária.

PÉSSIMO: sua bicicleta quebrar e você ter de empurrá-la até o serviço, a fim de não perder o emprego e ficar multimilionária.

DO CARALEO DE PÉSSIMO: tudo isso acontecer em um dia com 14% de umidade do ar e 34º.

DA PUTA QUE PARIU DO CARALEO DE PÉSSIMO: Ser preso no orkut.

No meu primeiro dia de economia, eu gastei R$ 4 para fazer um remendo na câmara que havia furado. Se tivesse ido de ônibus, teria gasto R$ 3,40.

Posted by subversiva at 10:29 AM | 28 Comentário (s)

September 13th, 2004

E mais um dia foi salvo pelas meninas superpoderosas

Sexta, aula de rádio.

- Em dupla, vocês terão de improvisar no estúdio um programa sobre a polêmica dos Planos de Saúde. Em um minuto, o apresentador terá de desenvolver o assunto, fazer a pergunta, o entrevistado terá de respondê-la e o apresentador fará o desfecho. Depois, troca. O entrevistado será o apresentador.

Eu e Júlio, para variar. Pesquisamos loucamente durante 15 minutos e, como trabalho com defesa do consumidor, fizemos um texto baseado em outras matérias que já havia feito para a revista. Ficou fácil desenvolver um assunto tão chato. Quando descemos no estúdio, o professor nos proibiu de levar qualquer papel para dentro da cabine.

Júlio decidiu ser o primeiro apresentador:

- Boa noite, este é o jornal da São Judas Tadeu e... é... ahm... e vamos falar sobre planos de saúde e... veja bem... é... os planos de saúde... é... tiveram um aumento de 11,75% e... alguns... ai... é... tiveram um aumento de... ai... muito maior do que isso... hmmm... Veja bem, o Ministério Público Estadual... é... entrou com uma... hein?... ação judicial... e.... é.... e... judicial que... é...ahm... hummm...

- Júlio... você tem menos de um minuto e ainda nem fez a pergunta para mim... – cochichei.

- Os planos é.... são assim... tipo... bem...


Na cabine, pude ver o rapaz do som fazer um gesto que indicava apenas mais 10 segundos. E o Júlio lá:

- A nível de... é... assim...
- Pergunta, po.

Nenhuma informação depois, o sujeito cortou o som do microfone, Júlio continuou gaguejando e eu era um bonito objeto de decoração da cabine de rádio. Pelo vidro, podíamos ver os colegas rindo e cochichando como nós éramos ruins.

- Sua vez, Leonor – gritou o professor – Está pronta?
- Não.
- 3, 2, 1... vai.
- Boa noite. Este é o jornal da Universidade São Judas Tadeu e hoje vamos dissertar sobre a polêmica dos Planos de Saúde. A ANS, Agência Nacional de Saúde Suplementar...
- Legal, Leonor!!!!! Isso é informação! – berrou o professor do outro lado do vidro.
- Não elogia, porra! ... é... é... é... é... ahm... é… ahm... ai, meu deus. E agora? E agora? Vou falar do Padre Irlandês.

Muitos “és”, “ahms”, “hmmms”, “ais” e “uis” depois e sem conseguir pronunciar mais nenhuma palavra sobre Planos de Saúde:

- Estamos aqui nesta noite com o estudante Júlio César Soares que passou por uma experiência CONSTRANGEDORA com o seu plano de saúde. Conte-nos, Júlio. O que aconteceu com você?
- Veja bem...

E o rapaz cortou o som do microfone. Do outro lado do vidro, nossos colegas estavam estupefatos. Sem pronunciarem uma só palavra, seus olhos já nos diziam que éramos as piores pessoas que eles já tinham visto em ação.

- Eu sabia que devia ter falado sobre o Padre Irlandês. E agora, Júlio? Vamos ser linchados quando sairmos daqui.

Abrimos a porta e o silêncio constrangedor só foi menos importante do que o olhar triste do professor. Nenhum futuro ele conseguiu enxergar em nós dois.

- Tudo bem, professor. Não precisa dizer mais nada. Seremos bons vendedores de Tapioca.

Júlio pode consolar-se nos braços da amada. Eu precisei que uma menina despencasse na minha frente quando voltávamos ao metrô. Maria, Fabiana e Leandrinho pararam para olhar a queda. Eu fiz pior. Continuei andando e pisei na cabeça da pobre garota.

Posted by subversiva at 10:00 AM | 32 Comentário (s)

September 14th, 2004

Da série Grande Dúvidas Universais

Na novela Carrossel, seria Laura o mesmo ator que fazia Jaime Palilo, de peruca?

Posted by subversiva at 09:42 AM | 19 Comentário (s)

September 15th, 2004

Me invejem

Posted by subversiva at 09:41 AM | 32 Comentário (s)

September 16th, 2004

Em memória de Moe*

Ontem, eu, Júlio, Maria e Ana (não necessariamente nessa mesma ordem) voltávamos da faculdade em direção ao metrô Bresser quando algo pequeno, branquinho e morto me chamou a atenção.

Pendurado em uma árvore, o ratinho de estimação do Herzog tinha acabado de cometer suicídio. Ainda balançava de um lado para o outro nas cordinhas, enquanto os populares se amontoavam para prestar sua última homenagem. Menos o Júlio que suava frio e ameaçava desfalecer nos braços de sua amada.

Tomados pela emoção (alguns choravam de tristeza e outros de fobia), fomos embora para a casa e tive um mini flash-back sobre a última vez que vi um rato.

*em preto e branco*

Meu primeiro emprego foi como auxiliar de escritório em uma organização não-governamental (sim, eu já trabalhei em ONGs). Passei bons momentos por ali: competições para ver quem comia mais, futebol semanal com porteiro/marceneiro/pedreiro/auxiliar de faxina, enfim, um dia exploro mais esse assunto.

Nessa ONG tinha um ninho de rato e ninguém descobria onde ele estava, apenas sabíamos da chance de um roedor sair de dentro da sua panela de comida ou grudar na sua bunda ao fazer as necessidades.

Um dia, Antônio-Paraíba-Deus-Defenda-Auxiliar-de-Faxina foi jantar no local e, para sua surpresa, um rato estava jantando na panela de arroz antes dele. Enfurecido, Antônio segurou o pobre animal e lhe sentou um soco na cara. Sim, isso mesmo, um soco na cara. Exatamente como fazemos com colegas de classe e torcedores de outros times.

Sem nenhuma chance no embate, o roedor saiu correndo, com um dente a menos, e Antônio, sem nenhum dente desde os 12 anos, foi para a casa cheio de orgulho e com uma nova história para contar para os seus 30 filhos espalhados por todos os cantos do Brasil.

*voltam as cores*

De alguma forma, essa história toda de morte , de socos e de perdas mexeu comigo. Durante a madrugada, sonhei que havia uma guerra no Brasil, bombas caíam do céu o tempo todo e a Mariah Carey tinha vindo para cá, cantar Hero em um show pela paz.


*Moe era o hamster de meu amigo Pedro, que faleceu essa manhã de embolia pulmonar. O hamster, não o Pedro.

Posted by subversiva at 02:48 PM | 20 Comentário (s)

September 17th, 2004

Tá sendo um dia merda para vocês também?

... sim! E agora começou a chover (eu, de blusa branca, saindo do trabalho em direção a faculdade - cerca de 2 mil km)!

Posted by subversiva at 04:48 PM | 12 Comentário (s)

September 20th, 2004

Melhor um jornalista na mão do que um dedo na bunda do Cascão

Como “não basta ser mãe, tem de participar”, ontem fui ao Parque da Mônica com meu filho. De cara, Lucas me mostrou que esses passeios infantis não são nada maçantes: a alegria está mesmo nas coisas mais improváveis.

Paguei cerca de R$ 25 por ingresso para o meu filhote brincar, nas primeiras duas horas, com o bebedouro, o telefone público, o poste de luz, o cercadinho e fazer a festa no Fraldário. Depois ele descobriu a felicidade plena no desafiador jogo de memória e nas cadeiras giratórias da praça de alimentação, enquanto todas as outras crianças divertiam-se em brinquedos cintilantes, que davam choque e provocavam alucinações.

Na fila do sorvete, vi uma menina com o olhar conhecido.

- Gabriela?
- Eu mesma, quem é você?
- Lelê, lá da creche. Lembra de mim? Eu dava aula para você.
- Lelê!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Você tinha o cabelo curtinho bonito.
- Sim, com quantos anos você está agora?
- Oito. Faço nove no fim-do-ano.
- Puxa, o tempo passa. Você tinha uns três ou quatro anos quando eu trabalhava lá.
- Lembra do Jorginho? Ele também está aqui. O Jorginho e o Vitor.

Por algum motivo, eu me lembrei do Jorginho, mas não do Vitor. Nem o rosto dele me vinha à memória. Nem alguma macaquice, nenhuma história, nada.

- Jorginho, você lembra da Lelê?
- Sim!!!!!!! Oi, Lelê! – me dando um caloroso abraço.
- E você, Vitor? Lembra da Lelê?
- Não.

Ele até que se esforçou para tentar lembrar alguma coisa, mas não adiantou.

[Lição do dia]

Às vezes, passamos completamente despercebidos na vida das pessoas, assim como elas também nos passam despercebidas. O mesmo que fazemos para alguns, não fazemos para os outros. Só que dependendo da forma como isto é feito, o saldo pode ser positivo. De três crianças, marquei a vida de duas. Fica a lição de que é bom prestar atenção naquilo que faz porque as pessoas acabam lembrando do seu cabelo curtinho. Ela poderia ter lembrado de que ele era cheio de pontas duplas.

[/Lição do dia]

Quase na hora de ir embora, os gritos desesperados de uma mulher me chamaram a atenção:

- Meninos, vocês não podem espancar o Cascão!

E a pobre garota tentava fazer a segurança do personagem imundo do Maurício de Souza, enquanto um grupo de crianças rebeldes com camisetas da banda Charlie Brown Jr enfiava o dedo no bumbum dele. Saí de lá feliz com minha profissão de jornalista.

Posted by subversiva at 04:25 PM | 20 Comentário (s)

September 22nd, 2004

Er... é... hm... tipo assim... hmmm... é... hihihihihihihihi

Segue uma lista de 100 motivos para vocês me presentearem no meu aniversário, dia 8 de outubro:

- sou simpática
- sou legal
- sou bacana
- sou amável
- sou gente fina
- tenho um cabelo bonito
- sei andar de bicicleta
- aprendi a amarrar o tênis
- escovo os dentes pelo menos três vezes ao dia
- tenho fãs no orkut
- sou pobre
- dou conselhos bons
- tenho chulé
- moro longe
- tenho de sustentar uam família
- durmo quando faço a sobrancelha
- depilo mesmo no inverno
- sou paciente com as pedagogas
- sou paciente com todos
- sou jornalista
- ganho mal
- amo trufas
- sei fazer macarrão
- gosto de comida japonesa
- trabalho em ONGs
- cedo o lugar no ônibus para velhinhos
- sou boa mãe
- não agrido as pessoas
- sou uma boa filha
- sou uma boa amiga
- não encoxo meus professores
- assisto as aulas em silêncio
- nunca fiquei de recuperação
- atualizo o blog regularmente
- sou tímida *_*
- tenho espinhas
- não tenho bunda
- dou o direito à vida ao Humberto Gessinger
- assisto filmes do Tom Hanks com a Meg Ryan em silêncio
- não vomito quando casais se beijam do meu lado
- não vomito quando casais brigam do meu lado
- não vomito
- não fumo
- sei dobrar a língua de lado
- sei piscar com um olho só
- sei encostar o dedão no braço
- conto boas piadas
- peço licença
- digo "obrigada"
- digo "por favor"
- não arroto na mesa
- vou à missa

Enfim, esses são apenas 100 motivos. E agora que vocês estão tocados, chorando e meu aniversário cai no começo do mês, aí está a lista de presentes escolhidos a dedo no submarino (reparem nos preços... uma verdadeira pechincha!):

Lista de Presentes +QD+ da Lelê - Sejam bonzinhos e visitem!

Posted by subversiva at 10:58 AM | 35 Comentário (s)

September 23rd, 2004

Histórias de casal – por quem está de fora, mas nem tanto

Ontem, eu, Júlio, Ana e uma colega nossa, triste e muda, íamos para a faculdade e uma discussão começou. Ana e eu somos fãs de Chico Buarque. Júlio não gosta, mas é do tipo “não comi e não gostei”.

- ... mas, Júlio, não dá para você dizer que não gosta de algo se nunca nem ouviu – tentei argumentar.

- Já ouvi sim. Uma vez.

- Ninguém consegue ouvir e avaliar a obra de Chico Buarque tendo ouvido uma só vez.

- Você já tentou entender alguma letra de Chico Buarque? – indagou Ana, a namorada indignada.

- Não.

- Então... é a velha história do Harry Potter. Você não critica quem nunca leu e fala mal? Você está fazendo a mesma coisa! – dei um tiro certeiro.

- Mas é que eu não vou com a cara dele. É como o Garcia Márquez. Não me agrada a figura dele.

Enquanto Ana se contorcia por estar de mãos dadas com aquele cara ridículo, atravessamos a Radial Leste junto com a massa e eu procurava entender porque raios a figura de Chico Buarque não agradava o Júlio.

- Caracoles, Júlio. Logo o Chico? Ele parece um tiozinho que joga futebol na praia aos domingos!

- Pô, Lelê! Ele parece um... um... um...

- EU DARIA PRA ELE AGORA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! – disse Ana, calmamente, aos milhares de decibéis.

A Radial Leste ficou em silêncio. Milhares de pessoas olharam para o Júlio. Figura humilhada e sem-graça. A discussão acabou ali, naquele momento.

Posted by subversiva at 10:09 AM | 26 Comentário (s)

September 24th, 2004

Que caraleos é Rosália?

Dezesseis toques depois, a telefonista atende:

- Companhia das Letras, bom dia.
- Por favor, a Rosana?
- Um momeeeento.

Música inferno.

- Alô?
- Ro?
- Sim, quem é?
- Lelê. Tudo bem?
- Tudo.

Percebi que ela estava com uma voz esquisita. Pensei em perguntar se ela estava ocupada, mas continuei:

- Então, to ligando pra saber qual é o nome do livro que você me falou ontem?
- Que livro?
- Como assim “que livro?”? Aquele dos quadrinhos.
- Que quadrinhos?
- Do 11 de setembro, pô.
- Ãhm... A Sombra das Torres Ausentes?
- Isso... caraleo, Rosana. VOCÊ ESTÁ BEM LOUCA??????
- Meu nome é Rosália e não estou bem louca. Quem está bem louca é você!
- Ah...

Por sorte não era a chefe da Rosana e ela ainda está empregada. Tanto é que hoje de manhã, enquanto cuidava da bronquite do Lucas, recebi, em um enorme pacote, o meu primeiro presente de aniversário.



O mais foda nisso tudo é que nem eu mesmo me compraria de presente um livro maravilhoso daquele. Mas a Rosana o fez, embora tenha me visto degustar peixe cru e espirrar shoyo em todos que estavam a menos de 100m de mim.

Fica o meu muito obrigada para essa menina/mulher, primeira do Top 5 de 11 em cada 10 meninos da nossa sala, brilhante, de humor apurado, respostas rápidas, olhos verdes, 20 ou 21 anos de idade com corpinho de 16. Você também se apaixonaria por ela.

NOTA: Enquanto isso, continuo mendigando presentes. Seja rápido e compre o mais barato. Acesse e presenteie quem você ama.

Posted by subversiva at 02:47 PM | 12 Comentário (s)

September 25th, 2004

Tempo bom não volta mais

Dia desses eu estava comendo um picolé e me lembrei de quando era criança e passava férias em Itanhaém com meus pais. Com alguns cruzados, eu e meu irmão comprávamos um Fruttare de limão para cada um e sempre tirávamos o palito premiado. E ficávamos a tarde toda chupando picolé, tirando o palito premiado, trocando por outro picolé, chupando picolé, tirando o palito premiado e trocando por outro picolé enquanto observávamos o mar, os casais se enterrando na areia e os primos jogando frescobol.

Como tudo o que é bom dura pouco, isso também se foi. Os picolés de fruta custam absurdos R$ 2, Itanhaém tem praias lotadas de cocô, os casais daquela época morreram de velhice ou de micose, os primos se mataram na partilha de família, meu irmão mora longe de casa e os palitos não mais são premiados. Agora, ao invés de “Vale um Fruttare” vem escrito “Madeira de Reflorestamento”. Maldito desenvolvimento sustentável.

Posted by subversiva at 10:18 PM | 16 Comentário (s)

September 27th, 2004

Quando crescer, eu quero ter a boca torta

No sabadão, comprei um par de óculos do Stallone Cobra. É impressionante como ninguém olha para mim na rua quando estou com ele. Nem um “fiu-fiu”, nem um elogio, nem uma quebradinha de pescoço. Nada. Ou eu estou muito feia, ou o pessoal acha que assim que me elogiar, apontarei um tresoitão e dispararei cinco vezes depois de dizer: “Se o crime é a doença, eu sou a cura.”
Vai ver eu faria isso mesmo, porque é impossível ficar feia com um óculos do Stallone Cobra. E olha que eu nem tive um derrame.

Posted by subversiva at 03:22 PM | 22 Comentário (s)

September 28th, 2004

Eu podia tá matanu, robanu...

Toda terça-feira, eu desvio o meu caminho para vir ao trabalho. Isso acontece desde que fui abordada delicadamente por um médico:

- Oi, gata. Tudo bem? Vamos sair?

Como eu ainda sou uma pessoa à moda antiga e prefiro os xavecos clássicos como “te conheço de algum lugar” e “você é uma visão dos céus”, fujo do médico igual ao capeta foge da cruz. Descobri que ele trabalha no hospital aqui ao lado todas as terças e dou uma volta monstro só para não ter de encontrá-lo. O médico, não o capeta.

Hoje, passei na frente de uma padaria e fui abordada por duas garotas.

- Oi, tia.
- Ãhm?
- Num vo pedi dinheiro pra você. Eu só queria uma ajuda. Nóis moramo tudo na rua. Eu e meus irmão. Queria pedi pra você compra uns pão pra nóis.
- Bora.

Entramos na padaria para a boa ação do dia. Resolvi comprar os pães muito mais pela coragem da menina do que por um pedacinho do paraíso. Em dois dias de óculos Stallone Cobra, ela foi a primeira a me abordar sem medo do juízo final.

- Em quantos irmãos vocês são?
- Oito.
- OITO??????????
- Sim.
- Cada um come quantos pãezinhos?
- Compra uns dez, tia.
- Tá.

(...)

- Tia, posso te pedi mais uma coisa?
- Sim.
- Compra um refrigerante pra nois?
- Pega uma latinha lá.
- Ô, tia. Mais nois somo 9 irmão.

NOTA: Caros leitores, vocês já viram o preço de um refrigerante de 2 litros em padaria?

- Posso te pedir mais uma coisa?
- Ai meu deus, o que?
- Uma mantega. Como é que meus irmão vão come os pãozinho sem mantega?
- Tá... humpf. Anota aí uma manteiga, por favor. Não quer frios também para acompanhar?

Perceberam o tom da ironia? Ela não.

- Sim!!!! Moça, dá trezentas de queijo e trezentas de presunto.
- O.o

Entreguei as compras para a menina e fomos enfrentar a imensa fila para pagar.

- Valeu, tia.
- Ei, peraí. Nem a fila você vai enfrentar comigo?

E ela foi embora, feliz e contente, para tirar a barriga da miséria, enquanto eu fiquei 15 minutos na fila, com o estômago roncando. A brincadeira me custou R$ 11. Preferia que ela tivesse me assaltado. E terça-feira que vem volto para o caminho de origem, devidamente armada e com meus óculos do Stallone Cobra. Chegará o dia do juízo final para o doutor. É mais barato.

Posted by subversiva at 09:47 AM | 36 Comentário (s)

September 30th, 2004

Da série Grandes Dúvidas Universais

Coloquei o Nedstat dia 26 de julho. Desde então posso ver de onde vêm os acessos ao blog. E a grande dúvida do momento é: Quem é o uruguaio viciado no /~subversiva?

Posted by subversiva at 11:09 AM | 14 Comentário (s)

100 motivos para ver o Kill Bill Vol. 2

- Uma Thurman
- Tarantino
- Daryl Hannah
- Melhor trilha sonora
- Melhores lutas
- Kung Fu
- Sangue
- Tarantino
- Uma Thurman
- Daryl Hannah
- Kung Fu

Amanhã. Nos melhores cinemas. E eu não vou parar de chorar até que alguém me leve para assistir.

Posted by subversiva at 02:25 PM | 32 Comentário (s)

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