Entries for November, 2004

November 1st, 2004

A classe média tem que queimar no mármore do inferno

Feriado e amargo ter de trabalhar. Para me animar, Duduzitos fez um desenho de minha pessoa. Obrigada, amigo! =*



Quanto à eleição, me abstenho de comentar que a classe média é cada vez mais egoísta, burra e me enoja. O bom de tudo isso é que a cada dia ela fica mais pobre e tem de pegar ônibus, se consultar em hospital público e colocar seus filhos em escolas do governo. Mas não, eu não vou comentar sobre isso.

Posted by subversiva at 04:07 PM | 42 Comentário (s)

Esporte não é droga, então pra quê?

Sexta a noite

- Júlio, vamos marcar um role de bike nesse feriado?
- Bora!
- Mas tem que ser muito cedo.
- “Muito cedo” que horas?
- Tipo cedo – com medo de falar o horário.
- Às 5h?
- Não, às 6h.
- O.o
- Vamos, pô. Precisamos queimar as banhas.
- Tá bom, tá bom...

Sábado de tarde

- Lelê, você não tem uma noção do que aconteceu. Peguei a bicicleta do meu sobrinho e fui andar na rua de cima para saber quais eram as condições de uso.
- E aí?
- Não sobrou nada da bicicleta.
- E agora?
- Posso pegar a bicicleta do meu outro sobrinho...

Sábado de noite

“Caramba, que preguiça... se o Júlio entrar no MSN vou cancelar tudo” – pensei.

(...)

“Duas da manhã e o feladaputa não entrou. Deve ter ido dormir cedo para andar de bicicleta...”

Domingo, 6h da manhã

Celular toca.

- huasjreumdkaois

Ninguém responde.

- Alô, Júlio. Porra. Responde. Só pode ser você.

Ninguém. Depois de 15 minutos conversando com o alarme do telefone, me dei conta de que não era o Júlio e que ele poderia ter perdido a hora. Liguei no celular dele para não acordar toda a sua família. Fiz pior. Acordei toda a família com Fur Elise:

- kerhudfnfmrhuruthf
- Júlio?
- Ksdhruisf... está no banho – e dava para ouvir o barulho dos 100 mil sobrinhos do Júlio acordando.
- Desculpe ligar esse horário, mas combinamos de andar de bicicleta. Será que ele vai?
- Acho que sim porque ele jamais levantaria nesse horário para tomar banho...

Dez minutos depois, o telefone toca na minha casa. Pura vingança.

- Filho da puta, acordou minha família inteira. Por que não ligou no celular?
- Fala, Lelê. To saindo daqui agora.
- Quanto tempo vai demorar?
- 20 minutos.

Meia hora depois e nada do Júlio. “Natural para tanta banha”, pensei. Quarenta minutos. “Será que foi atropelado?”. Cinqüenta. “Morreu. Vou ligar para a polícia”.

- Lelê, o Júlio está aqui – avisou mamãe, quando eu pegava o fone para ligar para o IML.
- Você não tem uma noção do que aconteceu...
- Lá vem...
- A corrente estourou duas vezes no caminho.
- Puta merda.
- Mas dá para ir.

Andamos meio quarteirão e ao dobrar a esquina, a bicicleta do outro sobrinho do Júlio se desmanchou.

- Lá se vai o pedal...
- ... e o pneu.
- E O FREIO!!!!!!!!

E como nós somos brasileiros e não desistimos nunca, resolvemos ir assim mesmo. Com o fôlego de um velho de 90 anos, Júlio, fumante inveterado, foi correndo. E, apesar de ter parado para o cigarrinho, água e um desmaio, provou que a morte súbita ocorre mesmo com jogadores de futebol.

Para não ficar desleal, coloquei a bicicleta em uma marcha deveras pesada e subi a Sumaré.

- Agora você volta correndo e eu na bike.
- O quê?????????????????????????????

Gozações, assovios e encheções do tiozinho barrigudo ao guarda Juju, passando pelo japonês do olho arregalado. E o boneco de Olinda só dando risada. Chegamos em casa completamente estropiados, com dores musculares e câimbras até na sobrancelha, convictos de que essa vida de tri-atleta é mesmo para a Daniela Cicarelli. Eu, inclusive, desenvolvi doenças que não tinha, como a bronquite.

Terminamos a manhã enchendo a cara, para comemorar o fato de eu não ser sobrinha do Júlio e minha bicicleta continuar inteira.

NOTA: Hoje, amanhã, ou sei lá quando, as fotos desse momento glorioso de nossas vidas.

NOTA2: Sim, eu pratico esportes regularmente. Mas não, não estou acostumada a inventar essas merdas no domingo de madrugada.

Posted by subversiva at 05:14 PM | 17 Comentário (s)

November 3rd, 2004

Voltando a falar de amenidades

03/11/2004 - 10h56

Leão ataca taiwanês que tentou converter animal ao cristianismo

da Folha Online

Um homem foi atacado por um leão nesta quarta-feira no zoológico de Taipé [capital de Taiwan] ao tentar converter o animal ao cristianismo. Ele foi mordido no braço e na perna.

"Jesus vai salvá-lo!" gritava o homem de 46 anos a dois leões africanos que estavam deitados sob uma árvores, a alguns metros dele.

"Venha me morder!", disse ele, com as duas mãos para o alto. As redes de TV locais mostraram todo o episódio.

Um dos leões mordeu o homem na perna direita antes que funcionários do zoológico conseguissem tirá-lo do local e aplicar tranqüilizantes nos animais.

Os jornais locais disseram que os leões foram alimentados no começo do dia e, se não fosse por isso, o homem poderia ter sido ferido mais seriamente, ou até mesmo morrer por conta do ataque dos animais.

Com Reuters

Posted by subversiva at 04:37 PM | 8 Comentário (s)

November 4th, 2004

Fotos de um domingo de madrugada

Nem adianta clicar em cima. As fotos são miudinhas mesmo, portanto, chegue mais perto do seu monitor e repare no cigarrinho do Júlio, ao fazer o aquecimento. Isso é que é atleta!


Posted by subversiva at 06:46 AM | 10 Comentário (s)

November 5th, 2004

Quem lembra disso levanta a mão

Somos os Big Bad Boys, todas as minas gostam de nós.

Meu nome é Caio, eu sou super bom atleta, só dou carona, de motoca ou bicicleta.

Meu nome é Pedro Luz e eu gosto de cantar, tenho pinta de ator, venham todas me beijar.

Ruly, Ruly Galy, Galy, samba, rock, funk,Jazz, eu sou Cristian o sapateiro, olhem só para os meus pés.

Sou José olho de gato, gato é pouco eu sou gatão, não que eu seja convecido, mas cheguei a perfeição.

Somos os Big Bad Boys, todas as minas gostam de nós.

Posted by subversiva at 08:52 AM | 14 Comentário (s)

A vida é um doce, vida é mel

No auge da minha pré-adolescência, eu não tinha lá muito vocabulário. Nem sei se tenho nos dias de hoje, mas a desculpa para a ausência de sinônimos, antônimos e palavras difíceis nos meus textos é o fato de eu pertencer a “geração Xuxa”, que calçou botas brancas, chama prendedor de cabelo de fru-fru, aprendeu a rir dos anões por causa do Praga e acha que Ziraldo é só um primo distante do Walmor Chagas.

E se a Xuxa não colaborou para incentivar a leitura infanto-juvenil, meus professores de português também não o fizeram. Da 5ª série ao 3º colegial, eles foram verdadeiras catástrofes. Teve aquela que chorava toda vez que eu lia um poema do Drummond. Uma outra que dizia que “o pessoal foram” estava certo porque “pessoal” é coletivo. A que foi internada em uma clínica psiquiátrica depois de um ataque de stress durante uma aula na minha classe. E o que dizer dos que nem foram tão marcantes para serem lembrados em um texto sem bom vocabulário de um blog desconhecido?

Mas, sem dúvida nenhuma, a professora Nota 10, que deveria receber das mãos do próprio Civita um troféu, foi a Heloísa. Ela tinha 70 anos, mas achava que tinha 15. Ela fumava compulsivamente, de 3 a 4 maços de cigarro por tarde. Ela não usava calcinha e sentava na escada de saia e pernas abertas, enquanto os alunos tinham crises de vômitos ao deparar-se com tamanha aberração em forma de órgão sexual. Ela afirmava ter dado aula na Sorbonne, porém preferiu voltar ao ridículo salário pago em uma escola estadual por amor aos brasileirinhos. Ela estabelecia graus de comparação entre eu e meu irmão. Ela amava meu irmão. Ela me odiava.

Até hoje eu não sei porque Helô me odiava. Muito provavelmente por eu nunca ter vomitado diante de sua perereca (sinal de que eu não tinha olhado). Ou talvez pelo meu bom vocabulário demonstrado em uma de suas provas. Na sétima série, ela pediu para formularmos frases com algumas palavras desconhecidas. Desconhecidas, principalmente, para quem se fazia entender só com vogais:

- Ó o auê aí!

Para mim, jornalista desde criancinha, não foi motivo de pânico. Afinal, eu sabia que morcegar é pegar rabeira no caminhão, titubear é hesitar e colidir é bater. Em um acesso de inteligência, fiz a minha obra-prima:

“Minha mãe colidiu um bolo”.

Não satisfeita com o meu zero absoluto, passei cola para o menino da cadeira de trás que disfarçou para a professora não perceber:

“Minha tia colidiu um bolo.”

Sei lá como, passei para a oitava série. Nunca mais vi o Felipe, mas ele deve se formar jornalista também. Minha mãe vai bem, a tia dele, pelo menos eu acho, também. E a Xuxa teria se orgulhado de nós dois.

Posted by subversiva at 04:35 PM | 27 Comentário (s)

November 8th, 2004

Preciso de férias.

Posted by subversiva at 05:04 PM | 11 Comentário (s)

November 9th, 2004

Já é uma mocinha!

Ontem, eu e o Júlio conversávamos sobre nossa primeira menstruação. Ele me contou em detalhes como foi a dele: certo dia, andando em alta velocidade na sua BMX, passou por um buraco e bateu violentamente os bagos no selim da bicicleta. Explicados o desenvolvimento hormonal e a fala fina do nosso amigo, comecei a contar-lhe como foi a minha e aqui compartilho com todos.

voz do narrador de Anos Incríveis [Mode On]

Eu tinha 12 anos e era pré-adolescente. Usava uma saia de lambada e reprimia as crianças que comiam caca de nariz. Meu namorado imaginário era o Martin Mcfly* (Michael J. Fox no De Volta para o Futuro) e meu maior objetivo era ficar das 10h às 17h no shopping com minhas amigas e ganhar um troco para almoçar no Bob’s. Mas, escondida, eu ainda brincava de bonecas e desenvolvia técnicas de comilança de caca de nariz sem que os outros percebessem.

Foi em um desses surtos infantis que aconteceu. Deitada no sofá, em um sábado a noite, eu assistia Criança Esperança. Meu lado pré-adolescente gritava para eu permanecer no sofá e não acompanhar as coreografias da Angélica, além de inventar paródias chulas com as músicas da Sandy Júnior. Naquele sábado a noite, eu sentia uma saudade tremenda do Mussum toda vez que o Didi abria a boca e dava cambalhotas. Embora eu ainda sinta isso, naquele sábado a noite isso mexeu com meus hormônios. E naquele sábado a noite, eu manchei o sofá branco da minha mãe pela primeira vez (isso aconteceu muitas outras vezes nos anos seguintes).

Eu sei que esmagar os bagos em um selim pode parecer muito mais romântico do que sangrar assistindo Criança Esperança. Naquele sábado a noite, sentei em cima da mancha para ninguém perceber que eu tinha ficado mocinha. Não me importava de não ganhar os parabéns. Antes de dormir, pensei nas mil situações que a vida me ofereceria dali para a frente: peitinhos e dois trabalhos para sustentar meus milkshakes de ovomaltine do Bob’s. Naquele sábado a noite apenas uma coisa interrompeu o silêncio dos meus pensamentos.

- DIDI, FILHO DA PUTA!!!!!!!!!!!!

Era a minha mãe, que tinha acabado de descobrir a mancha.

voz do narrador de Anos Incríveis [Mode Off]

*a gente sabe que está ficando velho quando nosso namorado imaginário está com Mal de Parkinson.

Posted by subversiva at 03:09 PM | 14 Comentário (s)

November 10th, 2004

Vão! Já!!!!!!!!!

A revista eletrônica E digo mais já está atualizada. É a segunda edição que promete diversas ações judiciais de celebridades globais. Minha coluna não é sobre cabelos, mas pode ser considerada tão superficial quanto. Ou não. Vale a pena conferir. Ou não. Depois deixem suas opiniões. Ou não.

Posted by subversiva at 03:49 PM | 9 Comentário (s)

November 11th, 2004

Carinho por msn

Guardião do Estronho diz:

e vc não precisa ficar me perguntando se eu li sua coluna ou seu blog, sua idiota! Eu sou seu fã, sua imbecil!

Posted by subversiva at 12:39 PM | 9 Comentário (s)

November 12th, 2004

Feliz aniversário, meu filhote

Luquinhas, olha que dia lindo está lá fora para comemorar os seus três aninhos. Nenhuma gotinha de chuva, daquelas que você odeia e que não te deixa ir no parquinho da escola, nem descer com o vovô para brincar no escorregador do prédio, muito menos ir ao Parque da Água Branca para mostrar como você aprendeu sozinho sozinho a subir pelo lado mais difícil do brinquedo.

Olha lá, Luquinhas. É tudinho para você. A mamãe não precisou comprar o sol, o céu azul, o calor e a ventania. Você fez por merecer cada um deles nesse ano que passou. Não digo que foi um primor de educação e bom comportamento, porque isso não existe em crianças como você. Já diziam os nossos antepassados que “isso é sinal de saúde”. E isso inclui derramar Toddy e azeite no sofá da vovó, correr enlouquecidamente pelo shopping sem dar a mão, quebrar todos os brinquedos novos, sem distinção de preço, se arrebentar uma vez por semana na escola, colecionar novos hematomas na mesma proporção dos novos coleguinhas. A mamãe também era assim. E se a mamãe era assim, posso te garantir que você será muito feliz.

Dos dois para os três anos, meu filho, você aprendeu tantas coisas que eu nem poderia enumerá-las. Aprendeu que L é de Lelê e que M é de mamãe. Q de queijo. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 10, 8, 3, 2, 10. Que debaixo da terra “nasce a cenoura e o metrô”, como você mesmo explicou para o senhor no supermercado. Que quem vai ganhar as eleições é o Corinthians. Ou você, dependendo do humor do dia. Que “tem uma menina no trabalho da mamãe que é muito louca”. O Júlio mora em “Piituba”. E trabalha na Odebrecht, dito bem direitinho. Que a praia fica no Rio, onde mora o titio. E que o Tietê “é Rio, onde mora o titio”. Que Roberto Carlos é melhor que Sidney Magal e se disser o contrário toma porrada. Que nascer homem tem suas vantagens, principalmente por conseguir fazer xixi de pé, no meio da rua, sem o menor constrangimento. Que nascer homem tem suas desvantagens como não poder usar o esmalte vermelho da mamãe. Mas dá para derrubar ele no sofá também, né?! Você aprendeu que a faculdade da mamãe fica looooooooooooooooooooooooooonge e que tem que pegar metrô na “Bafa Fuda” e passar pelo “Aingabaú”. Que pedir e ganhar presentes é a melhor coisa do mundo e que a televisão é o melhor lugar para mostrar para a mamãe os seus novos objetivos, sejam eles carrinhos, carrões ou Telesena premiada. E que se a mamãe fosse atender a todos os pedidos precisaria de 12 empregos no mínimo.

Aprendeu que não há fila que a mamãe e os avós não peguem por dois minutos de cama elástica no shopping. E que em carrinho de bate-bate é adulto quem se diverte. Que na vida o legal é isso: poder dizer que ama quando se ama (e você aprendeu a dizer tão direitinho) e que “a mamãe não é boba não”, mesmo quando você quer dizer que eu sou uma tremenda duma bobona por não deixar comer chocolate antes do almoço. E a mamãe quase sempre deixa.

Vai lá, Luquinhas. Agora vai olhar o seu dia bem de pertinho e aproveita bastante. O dia, o mês, o ano, a vida toda. E olha para o lado sempre que precisar de “tudo as coisa”. A bo....................nita da mamãe estará aqui. Amo você. Feliz aniversário.

Posted by subversiva at 04:30 PM | 34 Comentário (s)

November 16th, 2004

Comédia da Vida Privada

Hoje eu fui levar meu filho na escola e precisava falar com sua professora. Entregaria um trem de madeira como presente para as suas crianças e precisaria dar as instruções de como pintá-lo. Chegando lá, fomos recebidos por uma das sócias da escola:

- Olá, Leonor.
- Oi. Preciso falar com a professora do Lucas.
- Sobre o que?
- Quero entregar esse trenzinho e preciso dizer para ela algumas coisas sobre ele.
- Diz para mim então que eu digo para ela.
- Ah, mas eu nunca posso falar com a professora do Lucas. Queria aproveitar que tive um tempinho extra hoje.
- Ai - cara de aflita - está bem. Roooooooooooooooooooooooooose, a Carol ainda está no banheiro?
- Sim!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- Ela está no banheiro, Leonor.
- Não tem problema, eu espero - e fui invadindo a escola.
- Não, peraí. Você não pode subir.
- Por que?
- É que a Carol... está com diarréia?
- Diarréia?
- É, diarréia.
- Coitada. Então está bem. Diga para ela que fui eu quem mandou o trenzinho.

Dei um beijo no meu filho e saí da escola, penalizada com a pobre moça que teria de cuidar de quatro terroristas com uma baita cólica intestinal. Quando virei a esquina:

- Caroooooooooooooool. Acabei de sair lá da escola. Deixei um trenzinho para os seus alunos e vocês podem pintá-lo porque é de madeira.

Quando cheguei em casa, o telefone tocou:

- Oi Leonor. É a Vera aqui da escola. Desculpa ter dito que a Carol estava no banheiro. Eu não sabia que ela não tinha chegado e...
- Não é para mim que a senhora tem que pedir desculpas. É para a Carol. Se eu fosse ela, ficaria puta da vida com o tipo de mentira que vocês inventam para as mães.

PS: E ontem fui conhecer a família de Samurais da Kyoko, no interior de São Paulo. Amanhã, na primeira meia hora livre do dia, prometo escrever sobre toda a minha aventura em meio a tradição oriental, golpes de boxe com luvas de Kendô e shoyo no tatame.

Posted by subversiva at 04:27 PM | 8 Comentário (s)

November 17th, 2004

Arigato

NOTA: Primeira meia hora livre, mas não tão livre, do dia e cá estou eu para contar a minha saga oriental do feriado. O texto é gigantesco, mas eu sei que a Maria vai ler ele todinho.

Maria nos convidou (eu, Luquinhas e cabeça) para um dia típico japonês no interior de São Paulo. Aprenderíamos a lutar Kung Fu, a fórmula da cola (mais chamada de Gohan pelos japoneses e arroz-unidos-venceremos pelos brasileiros), origami e a língua típica do Promocenter.

- Para chegar às 11h30 na minha casa, vocês tem de sair às 9h.

Então topamos o desafio porque devia fazer parte do nosso treinamento Pai Mei. Rumamos à Diadema, com nossas mochilas, nosso Manual do Escoteiro Mirim, cantil, canivete suíço com cortador de unha e uma fita de vídeo com os melhores programas do seriado Profissão Perigo. Lucas levou sua maletinha de primeiros socorros com todos os instrumentos de plástico necessários para uma cirurgia, caso algum bonequinho da Lego se ferisse.

Ônibus até a Barra Funda / Metrô até a Sé / Outro até o Jabaquara / Troleibus / caminhada até a casa da Maria. Esse foi o trajeto que percorremos com filhotinho a tira-colo.

- Quando passar o Aché Ilê Oba...
- Que porra é essa, Maria?
- É um terreiro. Quando passar, já é Diadema. Aí é seguir dentro do troleibus e descer depois do Extra.
- Tem Extra??????????????

Maria nos esperava no Terminal Piraporinha, mas nem precisava. Não existe nenhum outro japonês na cidade e para achar a casa dela era só ter perguntado na banca. A japa trajava vestimentas típicas: camiseta laranja, chinelos havaianas e calça de moleton.

Nosso dia na Maria foi dividido em quatro sete partes:

1.) Conhecendo a família e a casa
2.) Interpretando o dialeto nipo-brasileiro
3.) Aprendendo a cozinhar
4.) Lutando no quintal da Maria
5.) Preparando um bolo floresta negra
6.) Envergonhando a criança nos parabéns
7.) A saga do Gol 1000

Então, paciência, caros leitores. Os sete capítulos vem aí:

1.) Conhecendo a família e a casa

Quando a gente conhece a casa da Maria, entende um pouco mais dessa mulher. Principalmente porque ela funciona mais ou menos como a casa. Atrás daquela carcaça mal humorada e dos braços fortes, existe uma das melhores pessoas que fazem parte da minha vida. E por trás daqueles portões enferrujados e da parede suja de limo, uma casa repleta de tradições japonesas de japoneses nada tradicionais.

A mãe da Maria, vinda do Japão, usava uma camiseta “Eu amo Diadema” ou algo do tipo. Ri o tempo todo das nossas besteiras. Até quando a Maria contou que uma das minhas frases preferidas diz respeito aos japoneses e o atraso a evolução do mundo. Diz, pessoalmente, palavras como “ceruraru”, mas o português é muito inteligível. Bem diferente do meu japonês. Simpatia em pessoa.

O pai da Maria, vindo do Japão, chegou da rua e disse em japonês que foi comprar terra e não achou. O saco de terra na mão dele era roubado. Adora comida baiana, vejam vocês. Gosta de feijoada, dobradinha e mocotó. Tudo o que eu odeio. Ele é mais brasileiro do que eu e eu mais japonesa do que ele. Exceto por ele, no meio da história, incluir frases nipônicas e me deixar com cara de “ué”. O pai da Maria é um Chevy Chase do Japão, daqueles que sobe na calha e faz a família toda ficar apreensiva ao imaginar que o teto vai despencar e ele vai cair em cima do dvd com o filme do Bruce Lee.

A irmã da Maria também merece a minha nota 10. Tem uma personalidade muito parecida com a da irmã, porque quando não gosta de você, deixa bem claro e quando gosta, também. E ela gostou da gente porque até topou assistir Kill Bill 2 conosco. Para se diferenciar da Maria, a Ne tem uma concentração japonesa típica. E a Maria esqueceu a dela embaixo do tatame.

Sobre a Maria... bah, vocês estão carecas de saber.

Impressões do Lucas: “A casa da Maria é muuuuuuuuuito bonita” e “nossa, que bagunçado aqui. Sua casa é cheia de bagulho”. Ambas foram ditas para a mãe da Maria.

2.) Interpretando o dialeto nipo-brasileiro

Nessa o Lucas se deu bem. Entendia até quando o pai da Maria falava japonês/português/japonês. Ou não entendia e já aprendeu a mentir.

3.) Aprendendo a cozinhar

Gyoza, missoshiro, pastel de broto de bambu, salada, gohan. Muito melhor do que no restaurante porque tinha aquele temperinho caseiro. Ou a falta de temperinho caseiro, porque japonês não é muito fã de tempero. Amém que o pai da Maria gosta de comida baiana. No Gyoza tinha alho e no shoyo tinha pimenta. Limão em cima da mesa. Enfim, tudo aquilo que você sempre sonhou em um rodízio, mas não existe. E ainda por cima de graça.

Aprendemos a fazer o Gyoza e Júlio demonstrou toda a sua falta de habilidade. Nem o Gerson Brenner fecharia um pastelzinho tão errado quanto ele. Nos sentamos ao redor da mesa, no chão, em cima do tatame, sem os sapatos. Era hora de provar nossa sabedoria nos palitos. Eu suava frio porque só não espirro Shoyo em quem está a mais de dois metros de mim na praça de alimentação da faculdade. Dei um show. Em compensação, cinco minutos depois de começarmos a comer, a mãe da Maria perguntou se Júlio queria garfo e faca.

4.) Lutando no quintal da Maria

Esse capítulo poderia se chamar Surrando o Júlio no quintal da Maria, porque ele apanhou feio. Nossa amiga japa faz Kendô há mais de 15 anos. A família toda faz Kendô. Vestimos as armaduras, ficamos parecendo a Whoopy Goldberg do mal, em Mudança de Hábito, pegamos as espadas de bambu e eu descontei toda a frustração de não estar perto do Zezu no Júlio. Depois largamos as espadas, tiramos a proteção dos rostos e com as luvas de Kendô brincamos de boxe. Deve ter um dente do Júlio caído no chão da Maria até agora.

Destaque para o pai da Maria que, enquanto o Júlio era espancado, gritava: “viorenta, né?”, “Que bruta”.

No blog do Júlio tem uma descrição detalhada de como foi a luta.

5.) Preparando um bolo floresta negra

No meio de Xôgum e Arte da Guerra, o livro “maravilhosa cozinha da Ofélia” veio salvar a vida de Maria. Ela inventou de fazer um bolo floresta negra e só depois de tentar descobriu que apenas duas pessoas no mundo conseguem fazer o maldito bolo. E nós duas não somos essas pessoas. Passamos longe. O gosto saiu bom. A aparência indescritível. E a cozinha da Maria foi invadida por formigas após o chantilly que eu fiz questão de fazer na batedeira.

6.) Envergonhando a criança nos parabéns

Lucas não esperava que aquela gororoba negra fosse um bolo de sua primeira-festa-surpresa-japonesa. Eu também não esperava. E fiquei muito emocionada ao ver a família toda da Maria ao redor da mesa cantando um “Parabéns para você” cheio de R para o meu filho.

7.) A Saga do Gol 1000

Na hora de ir embora, o senhor pai da Maria nos levou até o Jabaquara em seu golzinho 1000 ano 85. Emocionante porque o carro não chega a 70 km/h e o senhor pai da Maria estava sem documentos. A carteira venceu no ano de 1945, quando o mesmo largou os aviões kamikazes e veio para o Brasil abrir uma loja de eletrônicos. Ele contou no caminho. Ou o cheiro de gasolina dentro do carro me fez imaginar tudo isso.

Chegamos em casa quase 19h. Esbodegados pelo trajeto, empanturrados pela boa comida, machucado (no singular porque o Júlio só que apanhou) e ensopados pelo dilúvio que caía aqui na capital. Valeu a pena por ter sido um dos passeios mais divertidos do ano. E queria agradecer publicamente à Maria e sua família pela hospitalidade brasileira e sabedoria japonesa. A amizade, que já era grande, sai fortalecida. E a vontade de aprender a fazer Temaki também.

Posted by subversiva at 04:05 PM | 10 Comentário (s)

November 18th, 2004

Esse blog fez um ano e eu esqueci de dar os Parabéns.

Posted by subversiva at 09:38 AM | 20 Comentário (s)

Homem que usa guarda-chuva é viado?

NOTA: Esse texto foi escrito e postado hoje pelo Júlio no blog dele. É bom que todos expliquem para o rapazinho que guarda-chuva é coisa de pederasta. E se ele é ex-gay, como dizem pelos corredores da faculdade, é bom que esqueça o guarda-chuva no criado-mudo, junto com a purpurina e o cachecol.



Dia desses, ao sair da faculdade com a Lelê, demos de cara com um dilúvio zonalestense, daqueles de encher o Aricanduva. Como virginiano pragmático, desgraçado e metódico, saquei meu guarda-chuva de 348 km de diâmetro, e Lelê, mestra em decifrar símbolos pagãos e populares, falou:

- Homem que usa guarda-chuva é viado!

Um transeunte, que provavelmente escutou e quis mostrar-se para a cara amiga, disse a um amigo:

- Vai abrir o guarda-chuva? Deixa de ser viado!

Inconformado, continuei de guarda-chuva aberto, por não entender tal vatícinio. Perguntei o por quê de tal afirmação, e Lelê simplesmente disse "porque sim, é viado". Citei Gene Kelly em Cantando na Chuva:

- Bichona... até sapateava! - diz Lelê.

Pera lá. Frank Sinatra também sapateava e tenho a plena certeza de que ele participou, junto com John Kennedy e Marilyn Monroe, do sexo a três mais simbólico do mundo (só perdendo para o menagè Hitler, Mandela e Madre Teresa). Como um homem que comeu a Monroe é viado? Lelê responde:

- Virou bicha depois de velho!

Comecei a pensar em mil formas de encarar tal fato. Sei lá, homem que é homem não tem medo de gripe, macho de verdade não se importa se o (pouco, pouquissímo) cabelo vai desarrumar ou não. A virilidade está em encarar de frente os perigos da natureza, e não proteger-se com um aparelho que lembra um membro fálico. E dos grandes.

Pois bem, nobre leitor, cabe a pergunta. Afinal de contas, homem que usa guarda-chuva é viado?

Posted by subversiva at 01:50 PM | 19 Comentário (s)

November 19th, 2004

Ovirundum

* Enqüanto isso, na ONG2, a chefe cantava Táxi Lunar (Geraldo Azevedo):

- Apenas apanhei a beira mar, um táxi pra estação do Brás...

Posted by subversiva at 03:35 PM | 10 Comentário (s)

November 22nd, 2004

Pra quem tem orkut

Júlio, cabeçudo e viado, criou uma comunidade no orkut para puxar o meu saco. Portanto, aquele que zela pela saúde desse amigo que não suporta a rejeição deve se associar a EU LEIO O SUBVERSIVA. A vantagem é que qualquer um é livre para xingar o Júlio porque ele, como moderador banana e cagalhão, não tem coragem de deletar tópicos.

Posted by subversiva at 09:49 AM | 6 Comentário (s)

A humanidade se despede de um dos ícones dos nossos tempos

Acabei de ligar para a Maria e soube que seu pai sofreu um acidente.

- COMO ELE ESTÁ, Maria???
- Já era...
- Minha nossa, diz que é mentira.
- Não, Lelê. A gente tem que ser forte nesse momento. Do jeito que ele foi. Ele mostrou muita força por anos e anos. Já não estava bem há tempos. Se não fosse o acidente, talvez ele não durasse muito do mesmo jeito.
- COMO ASSIM? COMO VOCÊ PODE FALAR UMA COISA DESSAS?
- É a triste realidade.
- Eu NUNCA vou me conformar, Maria. NUNCA. Outro dia mesmo, ele estava bem. Levou a gente até o Jabaquara. Firme e forte. Mesmo sem a documentação.
- Ah, Lelê... cai na real. Era só um golzinho fedendo a gasolina!

Pois é. O Pai da Maria danou com o golzinho 1000, ano 85, cor branco/cinza/ferrugem e placa amarela de duas letras, sem nem pedir licença para a humanidade. Perda total. Pai Mei vai bem, praticamente pronto para continuar a treinar os discípulos do shoyo+pimenta+limão+wasabi por todo o Brasil. Está em observação no hospital do interior de São Paulo, aos cuidados de um médico-caipira-criador-de-gado-nas-horas-vagas. Ambos não falam muito bem o português.

Abaixo, um triste depoimento do pai da Maria, escrito de próprio punho, para homenagear aquele que lhe foi companheiro e melhor amigo durante quase trinta anos.

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Pai Mei

Posted by subversiva at 04:17 PM | 12 Comentário (s)

November 24th, 2004

Como você me imagina daqui a 40 anos?

( ) completamente solteira, aos 62 anos, chacinada junto com o Júlio, completamente solteiro e careca aos 62, em um boteco em São Mateus, lado leste de São Paulo, por não termos pagado a conta.

( ) empresária brasileira bem sucedida em LA, com uma churrascaria chamada “Chuletinha’s Grill”, casada com Zé Octávio e morando com meu marido, Lucas e Steven Seagal mirim, nosso filho gringo.

( ) resenhando eventos do terceiro setor em uma organização não-governamental, completamente gorda e solteira, e submetida a pedagogas-idosas-arcaicas-divorciadas, que se descobriram lésbicas aos 70 anos e odeiam síntese de textos.

( ) velha, tatuada e pelancuda (solteira, claro), garçonete de um bar indie em uma travessa da Paulista, sendo chamada de tia por menininhas modernas, vestindo roupas de psicólogas da terceira idade, e servindo batata-frita para um menino completamente bêbado que belisca a minha bunda para se aparecer para os amigos.

( ) mendigando nas ruas de Beverly Hills, fugindo da receita federal e da imigração, porque meu marido me trocou por alguma judia descolada e multimilionária, e, em um golpe, me roubou a “Chuletinha’s Grill”, depois de prostituir o mini Steven Seagal e escravizar o Lucas.

Estou chata porque meu computador novo pifou.

Posted by subversiva at 08:29 AM | 15 Comentário (s)

November 26th, 2004

Performance

Eu ia comemorar a minha nota 10 em Legislação, mas soube que até o Marcelo tirou 10, então perdeu a graça. Comemorarei apenas o 8,5 em ética porque não há registros, na história da Comunicação Social do Brasil, de um jornalista com tanta ética assim.

Até agora, passei em todas.

Posted by subversiva at 12:46 PM | 16 Comentário (s)

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