Entries for February, 2005

February 1st, 2005

Da série Grandes Dúvidas Universais - por Lucas

- Mamãe, por que meu pipi é torto?

Posted by subversiva at 09:30 PM | 13 Comentário (s)

February 2nd, 2005

Você quis dizer: "comer casca de nariz"

Procurando por instruções para comer caca de nariz? Digite no google e venha conhecer o Subversiva.

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=%22comer+caca+de+nariz%22&meta=



Posted by subversiva at 08:18 AM | 5 Comentário (s)

February 3rd, 2005

Te dedico!

*Em breve, uma receita para ser igual a Leonor Macedo. Não que isso seja um serviço público, está mais para desserviço. Mas eu sei que estará impressa e colada na porta da geladeira de muita gente por aí.

Amo vocês, meu povo e minha pova!

Posted by subversiva at 03:45 PM | 13 Comentário (s)

February 4th, 2005

Ei, você reparou que tem um palhaço aqui?

Hoje é 4ª sexta-feira de carnaval que nós temos esse ano e o Lucas terá um baile animado em sua escolinha. Um momento *mágico* na vida do meu garotinho. E nada melhor do que se fantasiar de palhaço (idéia da vovó que gastou seu rico dinheiro com a roupa na 25 de março) e pagar o mico de ir andando de casa até a escola com uma peruca colorida, uma gravata borboleta amarela e uma calça branca com bolinhas laranjas, além da papete que é um calçado tipicamente de palhaço, pelo menos em terras paulistas.

Claro que eu jamais poderia perder a oportunidade de presenciar o povo rindo do meu filho na rua. Então atrasei alguns 40 minutos no trabalho, pintei o seu nariz de batom vermelho, agarrei bem forte sua mão e disse:

- Agora é hora de enfrentar o mundo, seu palhaço!

Como o Lucas é um garoto de sorte, o elevador veio vazio. Descemos para o térreo e avistei duas garotinhas vindo em minha direção. "É agora", pensei. Mas elas passaram pelo meu filho e nada disseram. "Ué, não viram", completei o raciocínio, mesmo achando estranho não terem visto uma criança com uma peruca colorida.

Respirei fundo, abri o portão e dei de cara com a Avenida Pompéia. Uma avenida to-di-nha para ver aquele menino vestido de palhaço. Pessoas, árvores e carros. Mendigos. Garotos cheirando cola. Ninguém esboçou nenhuma reação. Andei cerca de dez minutos de mãos dadas com um palhaço e absolutamente ninguém reparou. Nenhum sorrisinho. Nenhuma risadinha. Nenhuma gargalhada. Nada. N.a.d.i.c.a. Sequer olharam. Como se fosse muito comum alguém sair de mãos dadas com uma pessoa de calça branca e bolas laranjas. Talvez no Rio, mas aqui não é comum. A deselegância é discreta por aqui, lembra Caetano?

Pela primeira vez, tive um exemplo claríssimo de que morar em cidade grande realmente gera o famoso "stress da vida moderna". As pessoas não são capazes de sequer notar alguém de mãos dadas com um palhaço. Porque não é possível que todos que cruzaram meu caminho nesses dez minutos tenham sido criados em circo e habituados com o convívio junto de anões, mulheres barbadas e palhaços. Só me resta tirar proveito de toda essa distração do corre-corre do dia-a-dia (viva os chavões!). Amanhã realizo o grande sonho de sair pela rua com bolinhas de tênis dentro do sutiã.

Posted by subversiva at 03:47 PM | 20 Comentário (s)

February 9th, 2005

O melhor do carnaval

CLIQUEM NO LINK COM O BOTÃO DIREITO DO MOUSE E SALVEM DESTINO COMO... BOTÃO DIREITO! DIREITO! DIREITO, PORRA!
http://paginas.terra.com.br/lazer/umchato/video/comeu_e_nao_pagou.wmv

Posted by subversiva at 09:21 PM | 9 Comentário (s)

February 10th, 2005

Da série “A diferença entre lá e aqui”

No episódio de hoje: Crimes

Carnaval é tempo de festa, alegria, mulheres peladas, cerveja gelada e saquear a casa dos outros enquanto eles viajam. No caso, nós somos “os outros” porque papai e mamãe ensinaram o valor da honestidade e tudo o que não tenho devo a eles. Titio, titia e meus primos foram passar quatro maravilhosos dias no sítio, para desestressar e esquecer a existência de uma vizinha DJ e um vizinho que ameaça empalar o cachorro deles a cada latido. Coisas de classe média.

Quando retornaram da viagem, encontraram a sobrinha (eu, no caso) em frente a casa, acompanhada da empregada, de vizinhos, polícia e uma cara nada agradável. Só não encontraram a parede de casa, destruída por ser a maneira mais fácil de entrar no local.

Hoje, no Documento Especial Verdade, as grandes diferenças entre crimes cometidos lá e aqui.

Polícia

Lá:

Quando crimes acontecem lá, você tem cinco opções de policiais:

1.) Os com a cara do Brad Pitt (para dias de chuva e serial killers)
2.) Os com a cara do Bruce Willis (para a neve e piromaníacos)
3.) Os com a cara do Mel Gibson (para dias de sol e ladrões com camisa florida)
4.) Os com a cara do Stallone (para qualquer dia, horário e tipo de gente, principalmente muçulmanos).
5.) Os com a cara do Leslie Nilsen (para bandidos inválidos)

E chegam ao local da ocorrência, com rosquinhas em punho, cinco minutos depois do chamado.

Aqui:

Não se deixe enganar pelo Fantástico, minha gente: a polícia brasileira não funciona muito bem. A começar pelo fato de sua bicicleta chegar dez minutos antes deles, no local de um crime. Absolutamente nenhum tem a cara do Brad Pitt. Tem a boca torta como a do Stallone, a careca do Bruce Willis ou os mullets do Mel Gibson em Máquina Mortífera e as rugas do Leslie Nilsen. Enfim, herdam o pior e absolutamente TODOS tem o apelido de Bigode. “Soldado Bigode se apresentando”.

Bandidos

:

Quando eles não comem pessoas, ou entram atirando no local de trabalho, eles usam apelidos como “ Bandidos Grudentos”. E esquecem aparelhos de celular, dentes de ouro, RG, blusas com seus nomes escritos nas etiquetas ou algo facilmente identificável para ajudar a polícia. Se locomovem com um furgão, da época em que eram hippies, e são combatidos, geralmente, com bolinhas de gude. Sabem que uma guitarra elétrica e uma máquina fotográfica manual são mais caras do que um DVD e, portanto, levam absolutamente tudo de dentro da sua casa. Também eram muito bons no Tetris porque absolutamente tudo de dentro da sua casa cabe em seu furgão. Quando enfrentados por um menininho loiro de oito anos, são pegos cinco minutos depois. Quando enfrentados pela polícia, a captura demora o tempo de um filme do Corujão.

Aqui:

Eles são grandes, eles são machos, eles não falam a minha língua e tem tatuagens feitas de caneta Bic. Se locomovem em Vans com o escrito “Produtos Perecíveis” para, ainda por cima, serem liberados do rodízio e poderem roubar de segunda a segunda. Eles acreditam que as jóias da classe média ainda estão em casa e não no setor de penhora da Caixa Econômica. E, se até o gatinho do Shrek corta o vidro em círculo para poder pegar algo, os bandidos brasileiros arrebentam a sua parede porque não conseguem arrebentar nenhuma das fechaduras da casa. Quando enfrentados por um menininho loiro de oito anos, ele é seqüestrado e abusado sexualmente. Quando enfrentados pela polícia, vão para um bar da ZL jogar sinuca e tomar Glacial.

A Perícia

Lá:

Cinco minutos depois do crime, lá está a perícia a desenhar com giz o contorno dos corpos e a fotografar todo o estrago feito dentro da casa.

Aqui:

Se a Justiça é lenta, deve ser porque ela parou para tomar um cafezinho junto com a Perícia. E não importa que a sua casa esteja sem a parede: depois do cafezinho, ela vai comer uma pizza. Até o serralheiro, o marceneiro, o pedreiro e o chaveiro desistirem de esperar a perícia para começarem a trabalhar porque, afinal, eles têm família e precisam chegar antes da meia noite em casa. Quando todos estiverem em casa, vendo a Nazaré ser presa pelo delegado Pimenta, a Perícia vai bater em sua porta, devidamente equipada com máquinas fotográficas dos anos 20. A Perícia é composta por três pessoas: uma senhora que dá dicas de como lavar o chão após a destruição de uma parede, um senhor com um colete de fotógrafo e um chapéu Panamá e um garoto boliviano que recolhe as impressões digitais e que não fala. Depois do cafezinho, eles avisam que o processo é lento. E vão comer uma pizza, porque trabalhar dá um fome louca.

Nós

Lá:

Quando acontece um crime, é noite de Natal e todos se abraçam, se beijam e desejam dias melhores.

Aqui:

Quando acontece um crime, é feriado de carnaval e tudo está fechado durante 17 dias. O chefe de investigação leva a família para o Guarujá e estaciona o carro ao lado de uma Van branca de produtos perecíveis, lotada de coisas que não se deterioram. Nem mesmo o trauma de uma família de classe média, que agora trabalha para recuperar seu reboco, boiando nas Pitangueiras.

Posted by subversiva at 05:02 PM | 18 Comentário (s)

February 12th, 2005

ATENÇÃO

Hoje é aniversário da segunda mãe de todos vocês, a Dona Rose. Portanto, digam palavras de amor por aqui ou por orkut: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=2848514967677806018. Essa mulher merece! Feliz aniversário, Mama. Te amo!

Posted by subversiva at 06:46 AM | 9 Comentário (s)

February 14th, 2005

E-mails internacionais

Adoro quando meu In Box fica repleto de mensagens importantes para o meu futuro. Hoje, tenho dois bons exemplos delas. A primeira foi enviada por uma lésbica iraniana (sim, existe) via orkut. Gostaria até que alguém traduzisse o conteúdo e me mandasse por e-mail para não chocar a minha mãe. A segunda foi enviada pelo grande chapa Marlon Cabrera.

salamkhobi
man sina hastam
omid varam betonam bashoma ashena besham
id ardalans 2003 hast montazereton hastam

This message was sent by Sina Pnahi to Leonor Macedo.

* * *

http://www.orkut.com/

*****************************************************

----- Original Message -----
From: "Marlon Cabrera"
To:
Sent: Monday, February 14, 2005 3:30 PM
Subject: Increase the volume of your ejaculation.


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Posted by subversiva at 03:46 PM | 10 Comentário (s)

February 15th, 2005

Extra! Extra! Leonor em BH

Anotem essa data: 15/02/05 é um dia histórico, minha gente. Daniela Cicarelli deu vexame no casamento, morreu a última guardiã dos três segredos de Fátima e Leonor Macedo, a estagiária sênior da ONG1, foi convidada à palestrar para uma meia dúzia de 100 funcionários do Itaú, em Belo Horizonte.

Não eram 8h da manhã quando a coordenadora de área me ligou para fazer o convite:

- Você terá que conversar com a chefona hoje ainda, se topar viajar e ganhar essa fortuna que estamos te oferecendo.
- E eu lá estou queimando dinheiro?
- Legal. O que você está vestindo?

Percebi que a pergunta era muito mais política do que sexual, já que absolutamente ninguém tem vontade de dar uma matinal via telefone. Como eu poderia decidir o meu futuro com uma das chefonas usando um short de lycra e uma regata?

- Minha nossa! Estou usando aquelas roupas de bicicleta.
- Então já diga logo de cara que você aceita, mas que vai vestida.

E lá fui eu enfrentar a reunião, suada, fedida e mal trajada.

- Oi.
- Oi, Leonor. Tudo bem? Você vai? Tem roupa, né?!
- Tudo. Sim. Se vocês não me mandarem de bicicleta para Belo Horizonte, eu posso ir melhor vestida.

Então ficou tudo acertado. Pelo resto da vida, vou trabalhar de bicicleta e tailleur. E vou para Belo Horizonte no sábado.

NOTA1: Queridos amigos de BH, não me odeiem. Não será possível sequer vê-los, porque vou e volto no mesmo dia.

NOTA2: Com essa história toda, eu estou mesmo feliz porque vou andar de avião. Detalhes depois, nesse blog.

NOTA3: Além disso, arranjei um terceiro emprego, porque da meia noite às 6h eu não tenho nada pra fazer mesmo.

Posted by subversiva at 03:06 PM | 22 Comentário (s)

February 16th, 2005

Querido diário...

... hoje foi um dia de cão. Para se ter uma idéia do meu humor atual, fui comprar um fone de ouvido e comprei um tchaco! Deve ser o espírito de volta às aulas.

Um beijo,

Leonor Macedo

Posted by subversiva at 04:44 PM | 8 Comentário (s)

February 18th, 2005

Filantropia é Leonor

- Minha fia, me ajuda. Eu moro na Zona Leste e roubarô tudo de dentro da minha borsa, no ônibus, metrô, sei lá. Será qui ce pode me ajudá com alguma coisa? Eu preciso pega duas condução e só tenho isso (exibe uma moeda de R$ 0,25).

- Claro, minha senhora. Tome esses dois reais.

- Ai, mutcho brigado, minha fia. Deus te dê tudo em dobro.


Não adianta, eu sempre ajudo as velhinhas que chegam para pedir dinheiro. Fico com vontade até de pagar a depilação do buço.

Posted by subversiva at 12:33 PM | 4 Comentário (s)

Momentos *mágicos*

- Ronald, minha intuição feminina diz para eu investir em você.

- Lelê, isso é pedofilia. Tenho idade para ser seu filho.

- Você tem 16 anos.

- ...

- Bom, em todo o caso eu quis dizer que deveria investir na sua veia cômica.

- Estou emocionado.

- Vamos abrir um blog juntos?

- Estou muito emocionado.

- O que você sugere?

- Estou tão emocionado que só consigo pensar em um blog de diálogos.

- 100% diálogos?

- Vem aqui, põe a mão no meu peito e sinta meu coração.

- Vamos chamá-lo de Momentos Mágicos?

- Acho que vou chorar.

- Putakilamerda. Fico pensando no dia que você perder a virgindade.

*PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII*

- Ronald? Ronald, fala comigo! RONALD??? OH, MEU DEUS!!!!! CALL 911!!!!!! CALL 911!!!!!!!

ACESSEM E DIVULGUEM NOSSO NOVO EMPREENDIMENTO*

http://mmagicos.blogger.com.br

* afinal, o Ronald precisa ficar famoso pra ver se consegue comer algumas menininhas.

Posted by subversiva at 01:02 PM | 11 Comentário (s)

February 21st, 2005

Uai é uai, uai - Primeira parte

Viajar de avião é a coisa mais bonita que já fiz na vida. Você poderia me lembrar que já dei a luz e que isso deveria ser mais bonito do que andar de avião, mas estou falando de um momento e não do conjunto da obra. Ter filho é o que tem de mais bonito nesse mundo, mas quando ele nasce não é tão romântico assim: se é de parto normal, sua partes baixas se arrebentam e se é de cesariana, uma série de tubos passa do lado do seu ouvido e você escuta toda a sua placenta caindo em um saco de lixo. Por isso, elegi que a minha primeira viagem de avião é a coisa mais bonita que já fiz na vida. Mesmo quando é só um prêmio de consolação por um dos dias mais infernais de todos os tempos.

Quando me chamaram para palestrar em BH, eu sabia que alguma coisa estava errada. Principalmente porque, depois de três anos e meio de estágio, eu não levo muito a sério o que me dizem na ONG1 (olá chefões da ONG1 que estão lendo isso: não me demitam, me contratem e me paguem os 5 mil reais que mereço!) e cheguei em uma etapa que vir trabalhar de shorts de bicicleta é o que eu faço de menos pior por aqui. Eu danço Madonna no horário de expediente, eu faço xixi e não lavo as mãos, eu como pão em cima do teclado e nem mesmo escovo os dentes para vir trabalhar.

- O trabalho é simples: você vai viajar de avião...
- Viajar de avião?
- ... usar roupa social...
- Viajar de avião?
- ... apresentar os projetos da ONG1...
- Viajar de avião?
- ... para todos os funcionários de um grande banco financiador de nossos projetos.
- Viajar de avião?

Então me ofereceram uma viagem de avião e é claro que aceitei. Embarcaria no sábado e voltaria no sábado, sem escalas em Governador Valadares ou direito a jogar pedrinhas na lagoa da Pampulha com os amigos. Na sexta-feira a noite, estava com tudo na ponta da língua, sem nenhum medo de voar e com o táxi agendado, quando me dei conta de que eu não sabia onde era o evento e qual era o telefone da menina que viajaria comigo. Comuniquei tal fato a minha chefe e dormi, pensando que o máximo que poderia acontecer era eu passar um dia no aeroporto de Belo Horizonte, esperando a hora de voltar para casa.

Às 5h30 da manhã de sábado, saltei de cama, vesti minha camisa laranja nova, a calça social, o scarpin, beijei a testa dos meus familiares e entrei no táxi, rumo a tomar meu primeiro café expresso no aeroporto, antes de uma viagem. Cheguei em Congonhas e senti o cheiro de passagem-a-mil-reais. Fui até o balcão da Varig e não tinha nenhuma fila.

- VOU VIAJAR!
- Pois não, senhora?
- EU TENHO UMA RESERVA!!!

*olhinhos brilhando*

- Estão no nome de quem?
- No meu...
- Qual é seu nome?

No aeroporto, me chamo Macedo/L.

- A senhora gostaria de fazer o seu check-in?
- Não vai demorar? Preciso embarcar às 7h30...
- A senhora ainda tem uma hora e meia para esperar.
- Não vou perder o vôo?
- Não.
- Certeza?
- Sim.
- Então tá.
- Vai querer o seu assento na janela?
- Claro!
- Pronto.
- PRONTO?
- Pronto.
- ...

E lá fui eu tomar o meu café expresso.

(continua)

Posted by subversiva at 11:10 AM | 8 Comentário (s)

Uau é Uai, Uai – Segunda parte

Na fila do café expresso, lembrei que a menina que viajaria comigo era japonesa, mas eu nem sabia quem era ela. O sobrenome era algo do tipo Harumaki, Gohan ou Gyoza (mas esses também podem ser nomes de salgadinhos orientais, não sei bem ao certo).

- Um expresso puro e um pão de batata.
- R$ 5.
- Caceta...

Enquanto deglutia aquela comida de astronauta, uma japonesa ao meu lado tomava um Capuccino. “Ufa, é ela!”, pensei ao considerar o fato de que tal mulher não tinha nenhuma bagagem.

- Oi, tudo bem? Você vai para Belo Horizonte?
- Não, só estou acompanhando a minha mãe.

E na próxima meia hora que se seguiu, eu perguntei para todos os japoneses (homens, mulheres e produtos eletrônicos) se eles eram a Cristiane e se iam para Beagá. Quando estava quase conhecida como A Mineira Maníaca por Japoneses, decidi distrair a minha cabeça, observando o aeroporto.

O aeroporto

É, sem dúvida, o melhor lugar para desmitificar coisas e pessoas: o Blue Label no free shop continua a custar mil reais, o pão de batata tem gosto de plástico, há uma loja de armas na frente da Polícia Federal, a Ana Paula Padrão tem 1m40 e o tipo físico de uma formiga. Nada daquele mulherão que apresenta o jornal mais agressivo da Rede Globo.

Também vi a Babi, apresentadora decadente de alguma coisa e ex-namorada do Marcos Mion (decadentes se atraem), que desfilava pelo saguão chamando atenção não por ser a Babi, mas por usar óculos escuros e as ceroulas do Seu Madruga (aquelas roxas de bolinhas brancas que secavam no varal da vila) e ter na testa um neon piscando: “ME PEÇAM AUTÓGRAFOS”. Mas ninguém pediu.

Passar pelo detector de metais de um aeroporto é mais fácil do que passar por uma porta giratória de um banco. Os mesmos caras que te dão bom dia, cantarolam músicas do Tim Maia enquanto vêem suas roupas de baixo no Raio-X. E lá está você, sentada na sala de embarque imaginando para onde vão todas aquelas pessoas e tentando descobrir qual delas vai viajar contigo. Até que avistei uma japonesa sem bagagens novamente.

- Oi, posso te perguntar uma coisa?
- Se meu nome é Cristiane?

*lágrimas de emoção*

O avião

Poltrona 18A, aí vou eu. Da sala de embarque até o avião, é necessário sacolejar em um ônibus da Infraero e lembrar dos dias de Zona Leste. Mas a sensação passa logo diante de um avião... da TAM???????

- Meu vôo era Varig! VARIG!
- É vôo compartilhado.

“Não pense no desastre da TAM de 96, quando um air jet Fokker 100 despencou sobre casas no Jabaquara matando mais de cem pessoas. Não pense no desastre da TAM de 96, quando um air jet Fokker 100 despencou sobre casas no Jabaquara matando mais de cem pessoas. Não pense no desastre da TAM de 96, quando um air jet Fokker 100 despencou sobre casas no Jabaquara matando mais de cem pessoas”. Repeti o mantra mais de cem vezes até subir a escadaria com tapete vermelho do avião.

Sentei na janelinha e o vôo foi lotado. Ao meu lado, as duas poltronas estavam ocupadas por um rapazinho, até que bonito, e seu pai que contou por uns dez minutos como tinha tomado um tiro na bunda. A bala se alojou no traseiro e continua lá.

- O médico me disse que tirar faria mais estrago do que deixá-la lá.

“Isso vai ser bom demais”, pensei. Antes de decolarmos, televisões saíram do teto e um vídeo de massinha mostrava os procedimentos de segurança:

- Se o avião pegar fogo, esqueça suas bagagens. Se cair na água e você sobreviver, lembre-se que seu assento é flutuante. Se ocorrer algo mais grave, foi muito bom tê-lo com a TAM. Converse com o motorista somente o indispensável.

E quando o piloto anunciou: “Tripulação, decolagem autorizada”, eu colei meu rosto na janelinha, com a expectativa de uma criança de cinco anos esperando o Papai Noel. Antes de subirmos, reparei que na asa está escrito: “não pise além da área demarcada”, o que deve servir somente para o Bruce Willis, que está acostumado a andar nesses lugares perigosos.

Não é muito fácil descrever a sensação de voar pela primeira vez, mesmo sem o vento batendo nos cabelos e uma equipe do Fantástico filmando. É muito boa a oportunidade de ver as coisas do dia-a-dia de outro ângulo. A antena da Bandeirantes, por exemplo, fica do tamanho do seu dedão. De lá de cima, São Paulo parece uma maquete mal feita, daquelas que existem no Memorial da América Latina e quando você vê, a sua reação é de xingar quem fez.

- Quem foi o arquiteto retardado que colocou o Pacaembu entre Congonhas e o Museu do Ipiranga?

O avião corta a cidade em cinco minutos e a impressão é de que entre o aeroporto e a saída de São Paulo existem cerca de uma dúzia de prédios e não uns 25 bairros. Tudo foi absolutamente muito rápido. Foram quarenta minutos de viagem, mas mesmo assim teve serviço de bordo com direito a polenguinho na camisa nova e Pepsi às 7h30 da manhã.

No começo do vôo, a TAM te dá fones de ouvido para escutar música em qualquer um dos onze canais da companhia aérea. De canções árabes ao acústico do Gilberto Gil, passando por rock e pela minha escolhida, uma rádio somente com Big Bands dos anos 30/40. Então, eu entendi porque não se sente medo do avião cair quando se está a milhares de metros do chão: morrer ouvindo Glenn Miller com as nuvens quase tocando o seu nariz deve ser a melhor maneira de ir embora.

(continua)

Posted by subversiva at 04:02 PM | 18 Comentário (s)

February 22nd, 2005

Uai é uai, uai - Terceira parte

Chegamos em Beagá com uma baita chuva. Depois fiquei sabendo que algumas pessoas morreram afogadas no centro da cidade e 50% dos mineiros estão desabrigados, mas o avião não caiu. Logo pousou e os passageiros se levantaram para pegar suas bagagens de mão. Eu, claro, fiquei presa no cinto de segurança porque não estou acostumada, já que bicicleta e busão não têm dessas coisas. Apertei todos os botões e eles continuavam intactos. O avião esvaziou e eu continuava presa.

- Olá, tem alguém aí?

Foi o bonitinho que voltou para me socorrer. “Bom, pelo menos meu pai nunca tomou um tiro na bunda”, pensei. E desci ansiosa para encontrar o meu amigo Marcelo Amado (Guardião do Estronho) que me esperaria no aeroporto.

Lá estava ele. Depois de um abraço apertado, decorrente de uma vontade enorme de nos conhecermos, entreguei R$ 120 em sua mão e dei as instruções, na esperança de encontrar alguma promoção:

- Me compra um marido mineiro e o troco em queijo.

E, graças à generosidade da ONG1, não tivemos nem cinco minutos para conversar:

- Tudo bem? E as crianças? E todo mundo? E o emprego? E a família? E o América? E a pintura? E o site? E o carro? Tá tudo bem?
- Sim.

O táxi chegou e fomos para o evento.

O evento

Se isso fosse um filme, eu abriria a porta na frente da Serraria Souza Pinto e a câmera filmaria, de baixo para cima, meu scarpin preto, minhas pernas, minha camisa nova, meus olhos escondidos atrás de um par de óculos escuros e meus cabelos finos e sedosos balançando contra o vento. Mas a gente saiu do táxi correndo, com uma pasta na cabeça, para não encharcar nossa roupa de missa. Na entrada, bexigas coloridas e recepcionistas com roupas engraçadas.

- Vistam.

A moça da coordenação nos entregou camisetas amarelas até a cintura, com o logotipo do banco. Aquilo era um indício forte de que a tal palestra seria uma merda. Só não era mais forte do que o Ilariê tocando ao fundo e os palhaços tentando apertar a mão da minha companheira de aventuras e fazendo fom-fom no meu nariz. Mas eu me recusava a acreditar que tinha sido mandada para discursar sobre projetos sociais em um lugar que mais parecia a Disneylândia mineira.

Era óbvio que nós tínhamos pegado o avião errado. Já vi isso acontecer em um filme, mas o Makaulin Qualquin desceu em Nova Iorque. Nós tínhamos entrado em um mundo paralelo mágico, com casinhas de chocolates, um rei de marximélou, na Terra Encantada dos pirulitos. Só percebi que não era nenhum tipo de engano, quando um anão chamou a minha amiga japa pelo nome:

- Cristiane, me siga.

Minha mãe sempre disse que eu nunca deveria seguir anões, para onde quer que eles fossem. Eles são como aquelas notas de dólar amarradas por uma cordinha que você nunca consegue pegar. Atrás de uma enorme parede, pessoas com malabares, pipocas e cachorros-quentes gratuitos, pula-pula, mulheres barbadas, telefones públicos e o nosso pequeno stand da Fundação do Banco. Me dei conta do que nos esperava o dia todo quando vi que na nossa frente havia uma cama elástica e uma parede de velcro, onde os monitores arremessavam crianças com macacõezinhos de velcro e elas ficavam presas a 20 cm do chão. Uma verdadeira aventura.

O Banco tem um projeto voltado para as famílias dos funcionários. Todos os anos, existe um dia onde os caixas podem ver seus gerentes dançando Macho Man em cima do palco e as crianças grudam suas bocas cheias de algodão doce na calça social da chefe do pai. Nesse caso, a calça social era minha porque eu era a única que estava bem vestida no recinto: todos tinham sido avisados que convinha vestir o moleton mais surrado do armário e aquela camiseta do deputado tal que a gente ganha em época de eleição.

Claro que ninguém queria saber de projetos sociais que o tal banco financia e a nossa diversão era ver uma monitora tentando desenhar o homem aranha no braço das crianças na frente do nosso stand, além de ver as respectivas esposas dos funcionários, todas acima do peso, brincar de bungee jump na cama elástica infantil e despencar de lá de cima quando a corda de segurança se abria.

Não era nem meio-dia e meus pés tinham bolhas de sangue em nas laterais.

- O que tem pra comer?
- Me disseram que os cachorros-quentes estão liberados para nós...
- Ugh!

Nem fodendo eu ia comer cachorro quente, se todos os grandes chefes da ONG1 costumam almoçar na Argentina e jantar em Paris uma vez por semana. Saí para andar atrás de um restaurante e de um sapato, sem me dar conta de que o evento tinha sido feito no lugar mais perigoso de Beagá, a não ser pelas crianças assaltando com cacos de vidro e pipando crack. Lá estava Leonor, mancando com seu scarpin peruérrimo, no centrão da cidade.

Quarenta minutos de caminhada depois, eu tinha perdido dois dedos do pé e passado por um Mc Donald’s e por um Habib’s. “Tenho 20 minutos para comprar um sapato, almoçar e voltar para o evento”, pensei. Parei na frente de uma loja e vi um tênis por R$ 36. “É esse”. Quando entrei, dei de cara com o preço de uma sapatilha, brilhando: R$ 12. Coloquei elas nos pés, joguei o dinheiro em cima do balcão e saí correndo, atrás de um restaurante mineiro para me deliciar com aquelas comidas feitas no fogão a lenha. Achei um chinês, com lama no chão.

Depois que voltei à feira, o tempo custava a passar.

- Vai dar segunda-feira, mas não vai dar 6h – disse para Cris.

O ápice da tarde foi um artista ultra-famoso de quem eu nunca tinha ouvido falar. Ele parou no nosso stand (para a filha pintar a cara, claro) e 9 mil pessoas de aglomeraram ao seu redor para pedir autógrafos. Certamente, foi o ser mais famoso que já apareceu na minha frente e eu nem sabia seu nome. Me contaram que era um tal de Dudu que apresentava um programa de esportes regional.

Era dez pras 6h quando fui ao banheiro e de lá não saí mais. Só quando chegou o táxi e eu me joguei pra dentro. Lembrei que pedido pro Marcelo comprar meus queijos e pra me ligar quando fosse me encontrar, mas meu celular, adivinha, não pegou em Beagá.

A volta

Cheguei no aeroporto e vi cachaças mineiras vendendo em uma lojinha.

- Qual é a melhor?
- TODAS SÃO BOAS, SÃO SÓ DE REGIÕES DIFERENTES!

A vendedora ficou nervosa com a pergunta.

- Mas deve haver alguma melhor.
- Tem sim, mas ela custa R$ 240.

Queria ter dinheiro para pedir uma caixa e assim calar a boca daquela mulher que me chamou de pobre e de sem-condições-de-comprar, mas eu não tinha mesmo as tais condições. Agradeci e fui sentar. De lá detrás, Marcelo vinha como se tivesse adivinhado que eu já estava no aeroporto.

- Querida, tem 19 kilos de queijos e doces no carro.
- Rá, não comprou o marido né?!

Despachamos a bagagem e mais um kilo eu teria pagado uma taxa de alfândega. Marcelo veio para provar que o que o povo mineiro não tem de restaurante no centro da cidade, tem de simpatia e amizade. Eu levantei uma placa de “Eu já sabia!” porque é um cara que sempre me ajudou em todos os tipos de perrengues sem nem me conhecer pessoalmente. Um artista brilhante, um sujeito de ouro.

Antes de embarcar, mais uma surpresa. Uma menina bonita pra xuxu veio me cumprimentando desde lá do fundo do aeroporto. Eu fiz uma cara de “quem será essa louca?” mas quando ela chegou pertinho, percebi que metade de sua sobrancelha era branca e que só tinha uma pessoa assim no mundo:

- NATÁLIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

E ela veio pra confirmar tudo o que já tinha atestado com o Marcelo, mais o fato de que o povo mineiro tem uma mediunidade fora do comum e uma capacidade incrível de adivinhar a que horas sai o vôo de um paulista. Ganhei dos presentes: uma camiseta personalizada escrita “Uai, Leonor”, do Marcelo, e um pingüim de geladeira da Nati, que lembrou o fato de eu me considerar uma inútil por nunca ter conseguido comprar um bibelô desses e evitou 100 anos de terapia.

- Boa taRdi, senhoris passagei com destin a São Paulo. O poRtão treis já está abeRto para o embaRque.

Abracei meus amigos com promessas de voltar em breve e voei de volta com meu pingüim de geladeira para casa. A diferença de voar de noite e voar de dia é só uma: O Glenn Miller continua lá, no canal cinco, o avião da Tam parece que vai cair e a pepsi continua matando sua sede, mas não há nada mais emocionante do que sobrevoar a maior metrópole do Brasil a noite. Quem diz que São Paulo é feia, é porque nunca viu as trilhões de luzes piscando de lá de cima. E ninguém deveria deixar o avião cair sem antes ter essa oportunidade.

NOTA1: Queria mandar um beijo especial para a Natália, que me proporcionou uma viagem agradável ao lado do meu pingüim (ela seria ultra-solitária) e ao Marcelo, que proporcionou aos meus e aos meus amigos os melhores momentos de queijo e doce de leite do universo.

NOTA2: Desculpem se o desfecho não ficou bom, mas estou vomitando e passando mal. O médico disse que é virose.

NOTA3: O http://mmagicos.blogger.com.br continua sendo atualizado com os textos brilhantes do Ronald e os meus.

Posted by subversiva at 05:18 PM | 19 Comentário (s)

February 24th, 2005

BH em imagens e poucas palavras

* eu e Cris, animadas com nossas camisetas amarelas.

Alegria,alegria

* A banda que animava a galera enquanto tentávamos nos matar.

Tocando macho man pro gerente dançar

* Eu fazendo amizade com o público da minha palestra.

Odeio palhaços

* Já dizia o Lulu Santos: tudo azul, todo mundo nu.

Algumas coisas valem a pena

* Que lindo, que bonito!

Algumas coisas valem a pena

* Meu pingüim é triste.

Saudades da mamãe




Posted by subversiva at 02:30 PM | 13 Comentário (s)

February 25th, 2005

Momentos Mágicos Subversivos

- Leonor, aqui é da faculdade São Judas Tadeu. Estou aqui com dois contratos de estágio para o coordenador assinar. Tenho que anotar aqui se você dá conta dos dois estágios.

- Anote aí para o coordenador que eu TENHO que dar conta dos dois estágios para pagar esse absurdo de mensalidade.

- Quais são os horários que você faz?

- Das 7h às 11h e da 1h às 6h.

- Nossa, deve estar um palito, hein!? Nem tempo de comer você tem.

- Pois é, menina. Você devia tentar.

Posted by subversiva at 04:22 PM | 18 Comentário (s)

February 28th, 2005

Orcuti-cuti

*** Tá rolando uma enquete legal na comunidade do Subversiva: se produzissem um filme sobre a vida subversiva de Leonor Macedo, quem deveria ser a atriz principal?

Aproveito pra convidar todo mundo que lê essa birosca, que está no orkut e que ainda não está lá para entrar nessa porcaria de comunidade, criada pela besta do Júlio.

O Ronald criou uma outra comunidade muito boa. Tá na hora de assumir, pessoal. Nós não temos o menor talento.

Posted by subversiva at 08:27 AM | 14 Comentário (s)

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