Entries for December, 2005

December 2nd, 2005

Enquanto isso, no terceiro setor - II

Não sei se já comentei essa semana sobre o quanto as pessoas aqui da ONG gostam de reunião. Reunião para discutir a paz mundial, reunião para falar sobre a fome no mundo, reunião para tratar do novo corte de cabelo da Fátima Bernardes, reunião para marcar reunião.

 Desativaram banheiros da casa para fazer sala de reunião, vejam só... Isso porque, nas duas casas onde a ONG funciona, já tinha cerca de 35 salas para reuniões. Para qualquer lado onde olhar, na cozinha, debaixo da escada, sempre terá mais de três pessoas fazendo uma reunião. Em qualquer horário do dia.

Pensando nisso, a administração resolveu criar mais espaços de reuniões, com um clima agradável de verão. Construiu ao ar livre quiosques de palha e tijolinhos à vista, comprou cadeiras da Tok Stok e, eureca!, lá estamos nós matando o tempo trabalhando incansavelmente e precisando de férias.

Agora, as pessoas estão pedindo sugestões de nome para os espaços. Querem chamar de Sala Pixinguinha, Auditório Paulo Freire, Recanto Piaget. Sugeriram até Cantinho das letras. Pieguice! Eu já mandei as minhas:

Recanto 1: Prozac

Recanto 2: Gardenal

Auditório 104: Lexotan

Auditório 68: HAldol

Sala 1: Rivotril

Administrativo: Diazepan

Comunicação: Valium

Posted by subversiva at 02:14 PM | 8 Comentário (s)

December 5th, 2005

O melhor anúncio pós-título

* Vou tentar escrever sobre o título ainda hoje.

Posted by subversiva at 09:56 AM | 4 Comentário (s)

Kia, eu não chorei

Foi justamente um Campeonato Brasileiro que me tornou a corinthiana que sou. Se todo corinthiano nasce corinthiano, é na infância que se define se ele será um corinthiano de arquibancada, que ri, chora, sofre e não desiste de torcer mesmo com tantos obstáculos que enfrentará ao longo de uma vida alvinegra.
 
Eu tinha oito anos em 1990, quando o Corinthians ganhou o primeiro título nacional, depois de 80 anos de existência. Importante frisar que não são títulos que determinam o grau de corinthianismo, mas a maneira como ele é conquistado. Vide os 22 anos de fila que terminaram na conquista do Campeonato Paulista de 1977, período em que a Nação Corinthiana só aumentou.
 
Assim se fez em 1990. Time limitado, camisa 10 e goleiro corinthianos, raça, base do terrão, improviso, campeonato bagunçado, juventude. Torcida quente, suada, vibrante, pulsando na arquibancada. Bandeiras de bambu. Bateria. Fogos. Hino do Corinthians. Coração de criança, amor maduro de adulto, de quem sabia que é para sempre. E é.
 
De lá para cá, muita coisa mudou. O Corinthians conquistou mais títulos brasileiros, o título de Campeão do Mundo, inúmeros campeonatos paulistas. Não me lembro de ter ficado mais de dois anos sem ver meu time campeão em algum torneio. Ontem, 4 de dezembro de 2005, o Corinthians ganhou seu quarto título nacional. É tetracampeão brasileiro. 
 

Depois que cresci, foi 2005 o ano mais difícil para se torcer no Brasil, mesmo com o Estatuto do Torcedor completando seu 2º aniversário. Troca de comando no 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo, parceria obscura atuando junto com a direção do Corinthians, escândalo do apito, descumprimento do Estatuto, anulação de jogos, repressão policial.  

Coincide com o ano em que mais vivi futebol, deixei de lado a minha ingenuidade de criança e fui muito além das arquibancadas. Procurei os bastidores desse mundo, mas sob a ótica mais bonita e mais sofrida que se pode ter: a do torcedor. Olhar do povo.

Quinze anos após o primeiro campeonato nacional alvinegro veio o quarto. Time “galáctico”, contratações milionárias, adversários limitados, camisa 10 argentino (raçudo, diga-se de passagem, mas raça que vem de berço, da infância sofrida na periferia da Argentina), fruto de uma parceria firmada entre a diretoria do Corinthians e uma “empresa” russa-inglesa-fantasma.

Firmada no fim de 2004 e início de 2005, a parceria entre Corinthians e MSI está sob investigação do Ministério Público Federal já que o dinheiro é proveniente de financiadores procurados por polícias mundiais e indiciados por golpes estatais, homicídios, formação de quadrilha, tráfico de armas, envolvimento com a máfia russa, entre outros crimes que extrapolam qualquer geografia.  

Que o dinheiro é sujo e que o Corinthians serve para lavá-lo ninguém mais duvida, nem discute. Foi provado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), órgão do Ministério Público Estadual de São Paulo, depois da investigação feita pelos competentes promotores públicos Roberto Porto e José Reinaldo Carneiro (ao contrário de outro que quer aparecer sob os holofotes do futebol), os mesmos que desvendaram o esquema do apito, onde árbitros vendiam resultados de partidas.

O que se discute agora é se vale qualquer coisa para ser campeão. E como o futebol é uma metáfora para o resto do mundo, a discussão está além dele. Quanto vale chegar na frente? Estar em primeiro? Conquistar um título?  

Trata-se sim de uma questão ético-moral e sou muito menos moralista do que uma porção de gente que defende essa parceria, por mais contraditório que possa parecer. Não estamos falando em pular a catraca do ônibus ou roubar um chocolate no supermercado do Abílio Diniz, mas de algo com grandes proporções. Mesmo se essa parceria se restringisse ao esporte, já seria em um clube com 25 milhões de torcedores. Mas extrapola e isso só consegue enxergar quem já perdeu a ingenuidade.

Aquele que defende que vale tudo para conseguir títulos brasileiro, intercontinental, mundial, deve engolir a cartolagem no futebol, as falcatruas da CBF, os desmandos de Eurico Miranda, a ditadura de Dualib, o que representa Edílson Pereira de Carvalho, o paternalismo e o amadorismo das administrações de futebol, o preconceito da polícia, a violência de torcedores, do vizinho, do tio, do primo, a sua própria.  

Quem acha que vale tudo, deve engolir as corrupções do governo, do ex-governo, do próximo governo, a queda das torres gêmeas, a intervenção branca na África, Bush e Blair. Tudo isso e muito mais. Mas é tudo muito indigesto.

Mesmo com a demonstração de amor e fidelidade da Nação Corinthiana, minha família, dos quatro títulos nacionais, essa foi a primeira vez que não chorei ao soar o apito do árbitro. Ao contrário de Kia Joorabchian, laranja da MSI no Brasil, que se debulhou em lágrimas com a derrota-vitória corinthiana e estampa hoje os principais jornais. Quem é mais corinthiano? Quem sabe amar e quem sabe atuar? 

É indiscutível que todo corinthiano esteja feliz em ser o melhor do Brasil nesta segunda-feira. Até o próximo dezembro. Mas, afinal, que Brasil é esse?

Hoje, passeando pelas ruas alvinegras de São Paulo com a minha camiseta branca do Corinthians, ainda sem nenhuma estrela, de 1989, penso em como esse ano foi ambíguo. Vivi o melhor do passado corinthiano e o pior do presente. Dialeticamente, não estou feliz com o que será do futuro do futebol, do Brasil, do mundo, se uma mudança não começar nas mãos de nossa torcida, formada por verdadeiros corinthianos. Unida de outros torcedores que também amam o futebol.  

No ano que vem estarei pelos estádios, chorando, vibrando, cantando e torcendo pelo meu Corinthians na disputa pela Libertadores de novo. Talvez seja a primeira vez que realmente teremos a chance de conquistar o nosso primeiro título sul americano. Mesmo sabendo que a torcida estará lá SEMPRE, pulsando na arquibancada, eu preferia ganhar este título de maneira diferente. Com um time limitado, camisa 10 e goleiros corinthianos, raça, base do terrão, improviso, juventude. Para despertar no meu filho esse amor que tenho pelo Corinthians.

Posted by subversiva at 12:47 PM | 10 Comentário (s)

só pra constar o texto abaixo está publicado em http://blogdojuca.blog.uol.com.br, no blog do Juca Kfouri. Honra!

Posted by subversiva at 01:35 PM | 5 Comentário (s)

December 7th, 2005

Embora eu tenha escrito esse texto sobre a conquista do campeonato para meu humilde blog, as proporções foram muito maiores. No dia seguinte, terça-feira, um amigo gaúcho me mandou um e-mail dizendo que leu no Correio do Povo, na coluna do jornalista Hiltor Mombach, um trecho do texto. Lá no blog do Juca já são mais de 100 comentários. Metade elogia, metade xinga e o fato de 50% ser elogios me deixa bastante animada.

Falta argumentação para quem discorda. Alguns desconfiam daquilo que tenho certeza: meu amor pelo Corinthians. Outros reclamam que não se deve politizar o futebol, mas isso só acontece porque ele foi mercantilizado. Acharam que eu era um pseudônimo do Juca, o que para mim também é elogio. Chamaram-me de mal amada e o sou pela diretoria corinthiana. Xingaram a Gaviões da Fiel de gangue, facção criminosa, o que me faz ter a certeza absoluta de que estou do lado certo, porque o julgamento vem da ignorância da direita. Convidaram-me até para dormir na mesma cama, mas não, obrigada. Meu cérebro não costuma dormir com estranhos.

/me ouvindo Luíza - Tom Jobim

Posted by subversiva at 01:04 PM | 7 Comentário (s)

Nossos intervalos comerciais

Biografia de Florestan Fernandes é lançada em São Paulo

Da Redação

O livro "Florestan: A Inteligência Militante", do jornalista Haroldo Ceravolo Sereza, será lançado em São Paulo nesta quarta, às 19h, no restaurante Soteropolitano (rua Fidalga, 340, Vila Madalena).

A obra revela a trajetória do sociólogo paulista, desde sua infância pobre - Florestan começou a trabalhar aos seis anos - até a fundação da Escola Paulista de Sociologia e a filiação ao PT, sigla pela qual se elegeu duas vezes deputado federal.

"Florestan" tem histórias do pensador com figuras como Oswald de Andrade, Roger Bastide, Fernando Henrique Cardoso (de quem foi professor), Octavio Ianni, Antonio Candido e Lula. O livro é parte da série Perfis, da coleção Paulicéia, coordenada pelo sociólogo Emir Sader.

LIVRO: FLORESTAN: A INTELIGÊNCIA MILITANTE
» Haroldo Ceravolo Sereza
» Boitempo Editorial
» 240 páginas
» R$ 35

Posted by subversiva at 02:21 PM | Comente

Quando alguém namora, todo mundo namora. Quando alguém termina, todo mundo termina. Lá estamos nós de novo, Júlio, eu, Silveira e Júnior, solteirões-fodidos-nem-tão-convictos, a nos embebedear nos botecos da cidade e a xingar nossos malfadados relacionamentos. Quem foi o filho da puta que terminou primeiro dessa vez?

Posted by subversiva at 04:19 PM | 8 Comentário (s)

December 8th, 2005

Programação Sai-pra-lá-fossa dessa quinta-feira:

Lucas, Cuba Libre e alguma comédia romântica no DVD para mostrar que a felicidade é bem possível...

Posted by subversiva at 11:33 AM | 4 Comentário (s)

Retrospectiva 2005

ou Provando que o horóscopo não dá certo (pelo menos para o meu primo)

"No primeiro dia de 2005, meu primo resolveu abrir o Almanaque do Pensamento, livrinho que ele compra todos os anos e que traz informações muito úteis, como o seu horóscopo dos 365 dias do ano e as melhores épocas para plantar cenoura, milho e abobrinha. Mas, movida por uma curiosidade mórbida, pedi para que lesse o que dizia o meu horóscopo chinês. E ainda bem que eu não acredito em chineses, porque senão 2005 seria o pior ano de toda a minha vida. Basicamente ele dizia que eu passaria por dificuldades financeiras, amorosas, religiosas, profissionais e pessoais e que teria problemas de saúde. Me aconselhou a meditar e a refletir sobre todos os acontecimentos ruins do próximo ano para que cada um deles virasse uma lição de vida. E do jeito que as coisas estavam escritas ali, eu me tornaria uma monja tibetana.

Meu primo gostou porque o horóscopo dele dizia que ele seria o cara mais feliz do mundo: conseguiria uma mulher, sucesso na carreira, muito dinheiro, imóveis, viagens, enfim, estava escrito que todas aquelas coisas que desejaram para ele no Natal realmente se realizariam. Provavelmente, ele é o único que compra o Almanaque do Pensamento e resolveram retribuir a gentileza. Ou isso tudo vai mesmo acontecer se ele virar um agricultor e aprender com o livro a plantar cenoura, milho e abobrinha nas épocas certas."

Em 3 de janeiro de 2005, este trecho de post previa uma vida extremamente feliz para meu pobre primo que, até então, acreditava em horóscopo, almanaque do pensamento, realejo, biscoitos da sorte, aliens, OVNI, loteria, papai noel e Zé Dirceu. Vamos aos fatos:

- Logo no começo do ano, mais precisamente no carnaval, alguns bandidos malvados quebraram a parede da casa dos meus tios e roubaram a casa. Mesmo sendo o habitante do menor quarto da residência (verdade seja dita, este azar já completa 28 anos), o fracasso do meu primo em 2005 já estava selado. O cômodo foi depenado, ao contrário dos outros que só foram parcialmente roubados e bagunçados. Lá vai o Nando comprar reboco, cimento, som, dvd, tv...

 - Encorajado pelo Almanaque do Pensamento, no mesmo carnaval, Nando foi a um baile na pequena Vinhedo, interior de São Paulo. Tomou, exatamente, 35 foras das vinhedenses, embora a cidade tenha apenas 12 moradoras...

- No meio do ano, o pobre Nando descobriu que meses antes um lote de cheques de seu banco foi roubado. Dos 20 talões roubados, dois eram dele. Quanta sorte! A quadrilha falsificou seus documentos e comprou metade de Roraima com cheques sem fundo em seu nome. 

Odiado em Roraima, com o nome sujo, um novo dvd da gradiente, linhas telefônicas em seu nome que abastecem a comunicação de diversas quadrilhas perigosas do Brasil, sem dinheiro e sem mulher, Nando não desiste. A boa notícia é que ele ainda tem três semanas para casar, ficar milionário, comprar diversas casas, viajar pelo mundo e realizar tudo o que estava previsto em seu Almanaque do Pensamento. A má notícia é que não estamos mais em época de plantação de milho, cenoura e abobrinha. Pobre Nando...     

Posted by subversiva at 12:20 PM | 2 Comentário (s)

QUIEN MUERE?

Muere lentamente
quien se transforma en esclavo del hábito,
repitiendo todos los días los mismos trayectos,
quien no cambia de marca.
No arriesga vestir un color nuevo y no le habla a quien no conoce.
Muere lentamente
quien hace de la televisión su gurú.
Muere lentamente
quien evita una pasión,
quien prefiere el negro sobre blanco
y los puntos sobre las "íes" a un remolino de emociones,
justamente las que rescatan el brillo de los ojos,
sonrisas de los bostezos,
corazones a los tropiezos y sentimientos.
Muere lentamente
quien no voltea la mesa cuando está infeliz en el trabajo,
quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño,
quien no se permite por lo menos una vez en la vida,
huir de los consejos sensatos.
Muere lentamente
quien no viaja,
quien no lee,
quien no oye música,
quien no encuentra gracia en si mismo.
Muere lentamente
quien destruye su amor propio,
quien no se deja ayudar.
Muere lentamente,
quien pasa los días quejándose de su mala suerte
o de la lluvia incesante.
Muere lentamente,
quien abandona un proyecto antes de iniciarlo,
no preguntando de un asunto que desconoce o
no respondiendo cuando le indagan sobre algo que sabe.

Evitemos la muerte en suaves cuotas,
recordando siempre que estar vivo exige un esfuerzo mucho mayor
que el simple hecho de respirar.
Solamente la ardiente paciencia hará que conquistemos
una espléndida felicidad.

Pablo Neruda

A tradução em http://www.icmc.usp.br/~camilo/quem_morre.html.

Posted by subversiva at 02:34 PM | 2 Comentário (s)

December 9th, 2005

Hein?

Ontem, Érica trabalhava ao meu lado:

- Lelê!

Nada...

- LELÊ!

Nada...

- LELÊ????

Nada...

Até chegar um e-mail:

-----Mensagem original-----
De: Erica Santos [mailto:esantos@c3mp3c.org.br]
Enviada em: quinta-feira, 8 de dezembro de 2005 12:35
Para: 'Leonor Macedo'
Assunto: queridaaaaaaaaaa (grito pra você ouvir!)'

Surdinha do meu coração

Poderia me dar o dinheiro?

beijos

Érica Santos

É isso... stress, doença, velhice... Estou parcialmente surda! 

Posted by subversiva at 02:15 PM | 5 Comentário (s)

December 11th, 2005

No país mais divertido do muuuuuuuuuuuuuuundo

 

* O melhor amigo Júlio e a espera ansiosa por seu príncipe encantado... o Astra é meu, o vestido é alugado, mas os seios são dele mesmo.

Posted by subversiva at 03:26 PM | 5 Comentário (s)

December 12th, 2005

Vontade de me perder pela América Latina...

Posted by subversiva at 11:02 AM | 6 Comentário (s)

December 13th, 2005

_o/

Quem acha que o Schwarzenegger mandou matar o Tookie porque ele era pacifista levanta a mão!

Saiba mais em http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u90473.shtml.

Posted by subversiva at 10:30 AM | 1 Comentário (s)

Tudo pela amizade

Certo. Serei madrinha do casamento de um grande amigo no começo do próximo ano e, exceto pela minha falta de grana para um bom presente, pela minha solteirice e pela mania dos meus amigos esfregarem felicidade na minha cara, estava tudo bem. Até ele me dizer que o modelito será o mesmo para todas as madrinhas, independente dos 58 kg (meu caso) ou dos 115 kg que elas possam ter, além do senso e do bom gosto: cetim, rosa choque e babados. Como diria Athina, "fotos e filmagens estão proibidas".

Posted by subversiva at 11:55 AM | 6 Comentário (s)

Ouvindo Chico como nunca

Em homenagem ao Júlio, que aprendeu a gostar de Chico Buarque em 2005 por causa de um grande amor. Uma das preferidas...

Futuros Amantes

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos


Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização


Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

Posted by subversiva at 12:28 PM | 5 Comentário (s)

December 14th, 2005

Reuniões e festas, amém

A semana de festas e reuniões já está aberta aqui no Terceiro Setor. A partir de segunda-feira, serão duas reuniões por dia e um porre por noite para comemorar o fim de 2005. A melhor será na quarta-feira, quando celebraremos o boteco da esquina. Fui escalada para fazer o convite, que se estende a todos os amigos.

Funcionário do Mês

Funcionário do Mês

Vem aí, Boteco 2006

De um lado, o vendedor de espelhinhos e escovas de cabelo lá do segundo farol na Rua dos Pinheiros. Do outro, o executivo da Telefônica. No meio, os representantes do Terceiro Setor. Na TV, Brasil X Argentina pela Copa das Confederações. O horário, 3h da tarde. A cerveja, Brahma. Ou Antártica, Skol, Original, Serra Malte, Bohemia. Nós gostamos é de gelada, isso não se discute. No estômago, sanduíche de mortadela com queijo, provolone e óleo pingando, pastelzinho de queijo encharcado. No grito, o gol. No gol, o grito. No fim da tarde, a vitória. O dia, plena quarta-feira. O lugar, Novo Caviar. Bando de vagabundos...

Lá estamos nós, no fim de muitas tardes ou no meio do expediente. Tomando uma ou tomando todas. Rindo. Chorando. Conversando. Em qualquer dia da semana, discutindo futebol ou a Paz Mundial. Depois de uma reunião para desestressar ou sem nenhuma desculpa. Para almoçar ou para tomar um porre, viva o Novo Caviar! O maior de todos os disseminadores, formadores e articuladores.

O Novo Caviar, para os mais maloqueiros, ou New Caviar, para os chiquérrimos, merece também ser celebrado por todo o acolhimento em 2005. Assim, a data do próximo e último encontro do ano no boteco já está marcada: quarta-feira, 21 de dezembro, a partir das 18h. Da Renatinha a Lelê, vamos lotar aquele lugar e mostrar que os ongueiros sabem que o porre de terça só acaba no porre de quarta!

Festa de despedida do maior de todos os articuladores

Quando: Quarta-feira, 21 de dezembro

Onde: Novo Caviar

Horário: a partir das 18h

OBS: Para nosso maior conforto, reservamos uma mesa que começa na curva da Rua Potiguar e termina no lixão do Compre Bem.

Posted by subversiva at 10:49 AM | 2 Comentário (s)

 www.fotolog.net/lele_lhp.

Posted by subversiva at 11:46 AM | Comente

December 15th, 2005

Recebi por e-mail hoje

"Haverá um dia em que todos voltaremos a ser felizes. Será o dia em que Rosinha será apenas uma flor, Garotinho apenas uma criança, Genuíno será algo verdadeiro, Serra será apenas um acidente geográfico, Genro apenas o marido da filha, Lula apenas um molusco marinho e Severino, apenas o porteiro do prédio".

Posted by subversiva at 11:44 AM | 3 Comentário (s)

Querido coordenador do curso,

Eu me formei. Depois de quatro anos de universidade, me tornei uma profissional. Ok, você tem razão. Se considerarmos o número de aulas que assisti com sincero interesse, não freqüentei nem por uma semana o curso. Mas convenhamos (e você como jornalista deve saber bem do que estou falando), não é fácil conviver com outros 60, 70, 80 jornalistas, se considerarmos o número de professores. Vide o tamanho cada vez mais compacto das redações brasileiras. Bem comum encontrar um jornalista fazendo o serviço de outros quatro, mas não acho que seja só a crise no mercado. É para manter a salubridade. Mais de 40 jornalistas em um mesmo ambiente deveria ser proibido pelo Ministério da Saúde. 

Nem tanto pelo tamanho do ego ou pelos ataques de vaidade, nem pelo nível alcoólico. O problema é que juntando 80, não dá 20. Jornalista é meio engraçado e conhece mais ou menos sobre aquele assunto (quase sempre mais para menos, embora ache o contrário), ele é meio legal e meio valente. Jornalista é meio revolucionário e votou mais ou menos no Lula. Mas vota Não no Referendo porque é meio medroso. Ou meio preguiçoso. Ou meio acomodado. Jornalista escreve mais ou menos bem. Gosta de ler bem mais ou menos também. É meio cego, é meio surdo, é meio mudo. É classe média. É meio amigo. O curso acaba sendo meia boca. 

Claro que existem exceções e, apesar de ser (ou estar) meio surda, eu votei sim no Referendo. Outros que fizeram o mesmo curso também. Falemos a verdade, passamos do meio, mas não chegamos aos 75%. Existe um ser humano com porcentagem maior do que essa? 

Não tenho muito que reclamar do curso, embora aquilo que saiba tenha aprendido com outra vivência (família de jornalista, sabe? Desde pequena vi papai ser bastante sacaneado). Só não gostava mesmo das aulas em que os professores diziam que jornalista defende a verdade e é imparcial. Ok, ok... Ouvi isso em quase todas as aulas. Pega mal, coordenador. Em pleno século XXI, pega muito mal contar uma mentira dessas. O problema é que tem gente que acredita. 

Aproveito a carta para pedir desculpas pelo calote, mas você entende também. A gente só finge que ganha bem. Vocês fingem que acreditam e cobram quase R$ 1000 de mensalidade. E a gente finge que tem o CPF limpo depois de vocês fingirem piedade e mandarem nossos nomes para o Serviço de Proteção ao Crédito. Não, calma... Nem se preocupe comigo. Não será esse calote que não me mandará para o céu. Me formei jornalista, lembra? Vôo sem escala para o inferno. 

Mas o inferno é fichinha perto da Rua Bresser. Principalmente depois das 22h. Você já deve ter passado uma ou duas vezes por ali de carro e tenho certeza que já presenciou algum assalto. Natural, porque ali é caminho para o metrô. Pena eu não ter carro. Eu sei, eu sei... a São Judas Tadeu não é filantrópica, mas bem podia propor um projeto de intervenção na comunidade. Ou pedir policiamento, conforme for a política de vossas santidades. O pior é que os jovens que assaltam por ali não descobriram a concorrência ainda. E diga ao Seu São Judas que isso é uma baita concorrência desleal porque o medo de perder o diploma por inadimplência é muito mais poderoso do que qualquer caco de vidro empunhado. Quem tem, paga mesmo R$ 1000 e depois não tem o que dar para o menino. Eu não tenho, me desculpem os dois. 

Com muita dor no coração, me despeço dos pastéis encharcados de óleo e dos cachorros-quentes de salsicha em lata. Das noites sem meu filho. Longe da família. Das mentiras e dos tropeços (e eu não costumo tropeçar a não ser que coloquem os pés). Sem dúvida, ficará saudade depois dos quatro anos: da lealdade do Júlio e das histórias fantásticas da Maria, da gargalhada espalhafatosa da Fabi, dos palavrões da Ana, do nariz do Abdul mergulhando no Chantilly, das piadas gays do Ivan, das Macabéas andando em bloco, da sinuca em grupo e das cervejas baratas, das perguntas do Leandrinho, dos aniversários da Helô, dos descontos da Rosana e de outras coisas que não vou nomear por aqui porque fiquei com um grande déficit de memória pela falta de sono. 

Enfim, acabou. Posso agora fertilizar esse mercado árido com toda a merda que tenho na cabeça. Obrigada, São Judas. Mas não mostre esse e-mail para ninguém, coordenador, porque os jornalistas são meio rancorosos e eu posso ser meio que demitida, embora eu tenha a sorte de trabalhar em um lugar que não pertence ao sonho de quase nenhum outro colega. Nunca se sabe quando um jornalista tentará se tornar meu chefe por aqui para vingar a classe. Sabe, os jornalistas também são meio vingativos...

Até 2030, quando eu conseguir pagar a minha dívida com vocês e aparecer por aí para pegar o meu diploma. 

Grande abraço de uma jornalista meia boca e meio satisfeita

Leonor

Posted by subversiva at 01:04 PM | 8 Comentário (s)

Tu Mirá (Lole Y Manuel)

Y tu mirá
se me clava en los ojos
como una espá,
se me clava en los ojos
como una espá.

De amores llora una rosa
de amores llora una rosa
y le sirve de pañuelo
una blanca mariposa.

De tanto volar
sedienta de tanto vuelo
en un charco de agua clara
la alondra se bebe el cielo
ay, ay.

Aquella tarde de abril
te dije vente conmigo
y no quisiste venir
y no quisiste venir
no te quisiste venir.

Y tu mirá
se me clava en los ojos
como una espá
se me clava en los ojos
como una espá
se me clava en los ojos
como una espá.

Y tu mirá
se me clava en los ojos
como una espá
y mi tren de alegría
se va se va
y no tengo más sueño
que tu mirá.

Y tu mirá
se me clava en los ojos
como una espá
grillo de mis tormentos, rosa tronchá
cuando sueño tus ojos
de madrugá
yo no puedo apartarme de tu mirá.

Posted by subversiva at 03:29 PM | 5 Comentário (s)

December 16th, 2005

Serra presidente e Quércia governador? Escrevo para os amigos da  Venezuela...

Posted by subversiva at 11:05 AM | 5 Comentário (s)

* A foto não é minha (não estaria atrás da polícia)

Posted by subversiva at 04:02 PM | 5 Comentário (s)

December 19th, 2005

Cenas do cotidiano

Quinta-feira, eu descia a pé a Avenida Pompéia quando voltava do serviço. O maior trânsito. Pessoas entediadas dentro de um ônibus. Garoa fina molhando o chão. Lá pelas tantas, um homem cruzou a minha frente quando saía do salão do Adílson com seu cabelo cortado estilo militar. Ao meu lado, um pouco atrás, escutei um barulho de bicicleta. Outro homem que vinha ladeira abaixo, com sua bicicleta Sundown desenfreada e suas compras de mercado presas no guidão.

De repente, POFT! Uma freada brusca, uma bicicleta torta, um homem voando por cima de mim, outro agachado no chão com as mãos protegendo o cabelo cortado estilo militar, depois de perceber que, mais do que garoa, chovia gente naquela quinta-feira. Por baixo do ônibus, as sacolas do Compre Bem. Ninguém mais entediado no trânsito.

Provavelmente, pobre. Bicicleta barata do freio bom. Ceia de natal agora debaixo do ônibus que não tinha dinheiro para pagar e por isso optava por descer a Avenida Pompéia em duas rodas. Ou odiava trânsito. Com o corpo esfolado e ensangüentado e com seu sotaque do Norte, disse para o homem do cabelo cortado:

-          Caí pra num te atropelá!

E eu desci mais um pouco a avenida até chegar em casa, pensando que foi parecido com a cena de E.T., mas com bem menos glamour.

Posted by subversiva at 09:18 AM | 3 Comentário (s)

Diálogos pós-modernos

Eu tenho uma amiga, coitada, que se formou jornalista também, coitada, pela PUC-SP, coitada. Ela trabalha no Jornal Agora, coitada. Já foi nossa estagiária, coitada, lá no Idec, coitada... Hoje de manhã conversávamos:

- Sumida, por onde anda? – ela me perguntou.

- Estoy acá. Formada! E você?

- Eu também. Formada e fudida.

- Eu também. Quais são os planos?

- O próximo é comprar um apartamento. Daqui uns 40 anos...

- Bom, pelo menos você vai ter o seu apê antes de eu casar...

Buá.

Posted by subversiva at 10:40 AM | 3 Comentário (s)

Recebi um e-mail do Dani, aqui do trabalho:

-----Mensagem original-----
De: Daniel Carvalho [mailto:danielc@xxxx.org.br]
Enviada em: segunda-feira, 19 de dezembro de 2005 12:31
Para:
leonor@xxxx.org.br
Assunto: Li e lembrei de você....

19/12/2005 - 07h47
Crianças gostam de torturar Barbies, diz pesquisa

da BBC, em Londres

A boneca Barbie é normalmente objeto de tortura das crianças, segundo uma pesquisa feita por uma equipe da Universidade de Bath, na Inglaterra, e divulgada na edição desta segunda-feira do jornal britânico The Times.

Os métodos de mutilação são variados e criativos, incluindo arrancar cabelos, decapitação e queimaduras. Algumas bonecas são inclusive colocadas no microondas e têm suas pernas e braços removidos.

A pesquisa foi realizada como parte de uma análise da influência das marcas na vida de crianças de 7 a 11 anos.

A intenção dos estudiosos não era ter a Barbie como foco, mas eles levaram um susto ao constatar a rejeição, o ódio e a violência manifestados pelas crianças quando elas respondiam perguntas sobre o que achavam da boneca.

Atos de tortura contra a boneca foram repetidamente relatados por crianças de todas as idades envolvidas no estudo, de todos os sexos e em diferentes escolas.

Nenhum outro brinquedo ou marca provocou uma reação tão adversa.

Especial

"Normalmente se espera que meninas adorem a Barbie. Mas elas sentem ódio", disse Agnes Nairn, uma das pesquisadoras, ao The Times.

"As crianças não têm uma única Barbie, uma Barbie especial. Elas têm uma caixa cheia delas. As Barbies não são especiais, elas são descartáveis. A Barbie se tornou um ser inanimado. Ela não é mais vista como uma pessoa, uma amiga."

Pesquisas anteriores sobre violência contra Barbies nos Estados Unidos sugeriam que meninas adolescentes destruíam a boneca porque ela as faziam lembrar da vida adulta em um momento em que as jovens ainda estavam apegadas à infância. Mas Nairn disse que não encontrou sinais disso.

Ela também descartou a idéia de que meninas acima do peso tinham ciúmes da Barbie.

"A idade certa para se ter uma Barbie parece ser 4 anos, mesmo se o estilo da boneca não seja para crianças dessa idade", disse a pesquisadora.


Posted by subversiva at 11:43 AM | 3 Comentário (s)

December 20th, 2005

Vovó Leonor, a mais velha dos irmãos, em pé

Posted by subversiva at 10:50 AM | 2 Comentário (s)

December 21st, 2005

Tchau, ano velho!

É isso... o Natal é depois de depois de depois de amanhã e 2005 já foi. Não comprei um marido, nem publiquei nenhum livro, como o planejado no fim de 2004, mas me formei na faculdade, andei de avião pela primeira vez, pela segunda, pela terceira, pela quarta, pela quinta e pela sexta, engordei, emagreci, ri, chorei, tomei porre com o Sócrates, fui xavecada pelo Neto, derrubei água nos documentos do Wladimir (opa!), vivi Coringão, respirei Gaviões, rádios livres, MST, Sinuca e outros movimentos sociais, vi meu filho dançar pela primeira vez em festinha de fim-de-ano, levei ele pela primeira vez no estádio (e pela segunda e pela terceira e virão muitas outras), conheci MUITA gente legal, namorei, terminei, namorei, terminei, segurei barra, fiz mamãe dar risada, levei o papai no médico...

Acabou o ano e ele foi sensacional, apesar de muitos pesares. Um dos melhores, sem sombra de dúvida. Longe de ser o mais feliz, mas o que mais me fez pensar. E eu sigo no caminho, provavelmente, certo. Feliz Natal para todos os amigos e para todo mundo que lê isso daqui. Mais do que isso, sucesso no próximo ano. Que 2006 seja muito legal com vocês.

* Meu papel de parede aqui do computador do trabalho, há mais de duas semanas.

Nota: Bem provável que em 2005 não role mais atualização por aqui. Saio de férias amanhã e volto apenas dia 9. \o/

Posted by subversiva at 05:03 PM | 22 Comentário (s)

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