Posted by subversiva at 03:35 PM | 2 Comentário (s)
Entries for March, 2006
March 2nd, 2006
March 6th, 2006
Da vida de mãe
Ontem levei o Lucas em um aniversário de criança. Aliás, pela mais pura falta de lazer e de grana, acabamos indo todos: eu, mamãe, papai e Lucas. Apesar da festinha ter sido bem na hora do jogo do Corinthians (tive de pedir para um amigo mandar os gols por mensagem SMS), me diverti horrores. Quem fazia aniversário era uma amiguinha do Lucas e todos os presentes, do vestido à bola de futebol, eram cor-de-rosa. Melhor dizendo, até as amiguinhas dela eram cor-de-rosa.
Para se entreter, inclusive, o Lucas teve de brincar com a penteadeira da menina, que era a coisa mais masculina da festa. Depois ele achou um louva-deus e passou a aterrorizar as menininhas (ele era o único menino) atirando o bicho para cima delas. O inseto salvou a vida do Lucas porque apareceu bem no momento em que fotografavam o pobre garoto passando sombra e fazendo o cabelo na frente da penteadeira (ok, confesso que eu pedi para fotografá-lo com o intuito de traumatizar a criança depois de levar a foto nos Gaviões).
A diversão começou logo que chegamos na festa, quando eu fui arrumar meu cabelo no banheiro. Abri e porta e dei de cara com um menino, segurando o membro e mirando no vaso. Com a outra mão ele tratou de tampar a cara para não ser reconhecido pelo mico durante a festa. Fechei a porta e a monitora da piscina de bolinhas ria descontroladamente da minha cara. Nem perguntei porque caraleos ela não tinha me avisado do rapazote no banheiro já que o emprego dela era demais ultrajante.
- Mãe, acabei de ver um menino fazendo xixi no banheiro.
- Pequenininho?
- ÃHM???????
- O menino era pequeno?
- Uns vinte aninhos.
- Ah...
Claro que o rapazote me evitou durante todo o aniversário. Pelo bem social do meu garoto deixei que todas as amiguinhas dele me chamassem de "tia" e não belisquei nenhuma criança, mesmo depois de dizer o meu nome e causar um ataque de risos coletivo na pirralhada. Brinquei de "sorveteira", levei uma menininha no banheiro e dei a bronca no Lucas por causa do louva-deus (e quando ele virou às costas eu fiquei ameaçando de jogar o bicho no cabelo da mamãe). Comi feito uma maluca milhares de salgadinhos e sanduíches de carne-louca.
Bebi umas três cervejas e lá pela décima foi impossível ser uma mãe exemplar. Eu tinha que dar a minha máxima bola fora para comprometer o futuro do garoto e levá-lo à terapia por pelo menos dez anos. Estávamos eu, mamãe e papai sentados em um banco na frente do salão de festas e eu havia acabado de contar a bola fora do Júlio (ele contou a história da gagueira do menino da informática da Odebrecht para o meu amigo mais gago). Nossa conversa foi interrompida por uma mulher oferecendo salgadinhos:
- Ai, obrigada. Não queremos. Nós já estamos RE-DON-DOS!
A mulher era redonda. Grande mesmo. Gorda de verdade. E, como se não bastasse, mamãe também tinha tomado umas três(e) latinhas e não agüentou. Caiu na risada. Gargalhou e me fez gargalhar na frente da pobre coitada. Ninguém mais nos serviu comida e é muito provável que no próximo ano o Luquinhas não seja convidado para o aniversário. Nem no outro, no outro e no outro.
Posted by subversiva at 03:28 PM | 12 Comentário (s)
March 7th, 2006
Salame Salamito
Max, se você ainda lê esse blog, naquele post que escrevi sobre a menina que apareceu pelada pra você na webcam (http://tabulas.com/~subversiva/654528.html/id=1415496#comment) apareceu hoje o seguinte comentário:
"Wagner [g] has posted a comment:
Email: salamesalamito@hotmail.com
Ai cara, to numa miseria desgraçada dai tava procurando na net no GOOGLE por "msn webcam" e axei esse teu flog pra to procurando uma mina pra faz umas putarias pela webcam e tipo tu tem uma ai bem q vc poderia me endicar né !!!! To necesitado mesmo cara, meu msn é
salamesalamito@hotmail.com
me da essa força ai cara, falow"
Ajude o cara, Max. Ou alguém aí de nobre coração e pouca vergonha na cara ajude o pobre rapaz.
Posted by subversiva at 05:07 PM | 6 Comentário (s)
March 8th, 2006
Marcha Mundial das Mulheres Convoca Mobilizações
Hoje, a partir das 14h, concentração no vão livre do MASP. Vejo vocês lá.
Posted by subversiva at 11:08 AM | 4 Comentário (s)
March 13th, 2006
Choque de gerações
Na sexta-feira, Gabi, Mari, eu e uma amiga da Mari, a Pati, decidimos fazer uma baladinha de mulheres solteiras (para não dizer, encalhadas) a fim de conhecer aquilo que está disponível no mercado masculino.
Prestem atenção na situação:
Ana Gabriela Bianco é uma mulher bem-sucedida na carreira de coordenadora de algum setor importante do Grupo Pão-de-Açúcar. Ainda não descoberta por João Paulo Diniz, ela tem sedosos cabelos cacheados tratados mensalmente no Soho e olhos amendoados. Bronzeada graças às viagens a Ubatuba, ela descobriu como seu mais recente hobby o surf e as arquibancadas corinthianas. Mãe de dois gatos, moradora do fino e elegante bairro do Sumaré, apreciadora de Jazz, Gabi, como é chamada ao pé do ouvido, dorme sozinha em uma enorme cama de casal e tem uma recente raiva do mundo masculino já que se divorciou.
Mariana Cordovani é loira natural e não usa lentes de contato. Tudo aquilo é dela mesmo. Dona de um apartamento de três quartos perto do Parque Villa-Lobos, divide o espaço com seus animais e sua coleção de camisetas corinthianas (é uma das únicas pessoas que conheço que tem uma camiseta do Corinthian londrino). Seu cabelo liso e brilhante, até os ombros, realça o sorriso branco daqueles comerciais de pasta de dente. Amiga de famosos, Mariana foi criada no charmoso bairro da Vila Madalena, suas melhores amigas são belas francesas e é psicóloga. Deveria ser a que mais entende o mundo masculino, mas como todas nós traz um enorme ponto de interrogação na testa quando o assunto é homem. E treme só de ouvir falar. Como todas nós.
Patrícia Amiga da Mari também é loira natural e tem um belo decote. Mas não vou fazer a propaganda por três motivos:
a) ela é a única não-encalhadab) ela é palmeirense
c) a conheci na sexta-feiraLeonor Macedo sou eu.
Deixando o romantismo de lado, éramos três maloqueiras corinthianas prestes a enfrentar o mundo desconhecido das baladas masculinas. A recém-divorciada que namorou/casou por 7 anos e não conhece nenhum (a) barzinho/casa de show/balada (Gabi) passou para buscar a mãe de um pequeno de quatro anos (eu) totalmente ignorante quando o assunto é barzinho/casa de show/balada com homens bonitos e solteiros.Paramos em um lugar na Inácio Pereira da Rocha chamado Rose Bom Bom. Eu com a minha roupa de festa de família/casamento/batizado, Gabi com seu novo corte de cabelo moderno. Sentamos no bar como duas belas moças de família, pedimos os drinks sugeridos pela Revista Nova que tornam mulheres mais sensuais e começamos a olhar o lugar.
- Gabi, nenhum pegável!- Calma, Lelê. São 23h30 ainda. Nós estamos por fora. As baladas começam a encher lá pela uma da madruga.
- O QUE? Uma da madruga eu estava pensando em voltar pra casa. O Lucas acorda cedo amanhã...
E não é que ela estava certa? Uma da madruga o lugar estava abarrotado. Nesse meio tempo, aproveitamos para colocar a conversa em dia sobre nossas relações amorosas atuais (“solteiras sim, sozinhas nunca”, ou como me ensinou a Gabi: “a gente pega, mas não se apega”).
Até encostar do nosso lado um grupinho de rapazes. Tensão no ar. O mais bonito usava um colar gigante, atravessado no corpo. Pensei que estou por fora da moda masculina. Quando a troca de olhares começou, meu telefone tocou.- Lelê, onde vocês estão? Paga a conta que tem uma festa fechada da 89 FM no Amp Galaxy. Show do Hateen (bandinha de hardcore) e eu sou amiga dos caras. A gente consegue entrar.
Era a Mari. E lá fomos nós.Na porta do Amp Galaxy, uma menina com uma blusa cheia de lantejoulas, cabelo com permanente e um batom laranja borrado nos aguardava com a lista de nomes. Conseguimos crachás VIPs e adentramos o recinto, com nossas sandálias de salto alto, blusinhas decotadas, cabelos penteados e calças coladas.
De um lado da escada, meninos com seus piercings no canto da boca, franjas, tênis all star e camisetas do Chapolin Colorado. Do outro lado, meninas com saias de pregas, cinto de rebite, camiseta da Hello Kitty e tênis all star de cano altíssimo. Todos na faixa dos 15, 16 anos. Foi assim que nos tornamos as tiazinhas da balada.Descemos as escadas, com muito cuidado para não cair com nossos saltos, passamos as portas giratórias e nada mudou. Um som ensurdecedor tocava músicas de bandinhas de rock desconhecidas (e eu me achava a mais profunda conhecedora de bandinhas desconhecidas) e ficamos perto do palco onde aconteceria o show.
Se eu soubesse que o banheiro do lugar era unissex e que as portas não trancavam, eu teria evitado a cerveja e a enorme vontade de fazer xixi de cinco em cinco minutos. Logo que entrei, vi meninos segurando seus pequenos membros ainda não totalmente desenvolvidos e meninas que conviviam naturalmente com aquilo, aguardando a vez para entrar no banheiro. Eu fiquei virada para a parede, denunciando a minha idade ou a minha cabeça de velhinha (ta, eu vou fazer 24 anos, mas tenho um filho quase da idade daquelas pessoas).Quando chegou a minha vez e eu percebi que a porta não tinha tranca, me lembrei do banheiro do Pacaembu e do malabarismo que a gente tem de fazer para não mostrar as partes à torcida do Corinthians, literalmente. Coloquei uma mão na parede, outra mão na porta, um pé na porta e um pé no chão. Mirei e acertei o vaso. Como é que homem pode errar a mira se não precisa fazer nada disso e ainda tem um penduricalho pra ajudar?
Sentamos na escada, nós quatro, e Pati começou a contar de seu relacionamento com o namorado ciumento e possessivo. Na medida em que ela lembrava de histórias e relatava de maneira natural, eu, Gabi e Mari arregalávamos os olhos e levantávamos a mão para o céu por sermos solteiras. Lá pelas tantas, fui com a Gabi à caça de outro banheiro.Lá em cima não tinha absolutamente ninguém, a não ser os funcionários do bar que guardavam metade das bebidas e bebiam a outra metade. Pedi para usar o banheiro e o segurança disse que ali era restrito só para o pessoal do Amp Galaxy. Depois de uma choradinha, ele ficou convencido de que eu realmente faria xixi nas calças e abriu uma exceção. Para os funcionários têm banheiro masculino e feminino. E eu usei o masculino porque o feminino estava ocupado.
Depois, foi a vez da Gabi. Fiquei encostada no balcão, esperando a amiga e ouvindo as pirações daquele mundo freak de pessoas que trabalham no Amp Galaxy. Até meus pensamentos psicodélicos serem interrompidos por um carinha:- Oi, o que você faz?
- Ãhm?Que tipo de pergunta é essa, caraleos?
- O que eu faço do que? Da vida? No mundo? Aqui?- Da vida...
- Sou jornalista.- Prazer, eu sou o cozinheiro da balada.
Deixei o papo morrer antes que eu começasse a contar do meu asco por sementes de tomate e ervilhas. Mas ele insistia...- Então...
E a Gabi não vinha.“Porra, isso é hora da Gabi fazer cocô? Ainda mais no Amp Galaxy?”, eu pensava enquanto ouvia o rapaz falar da sua predileção por pratos exóticos que levam como ingredientes mel, kiwi, alface, arroz e farofa.
Quando a Gabi chegou, nem dei tchau pro Walter.- Porra, Gabi, por que demorou tanto??? Foi atacada por uma lésbica no banheiro?????????
- FUI!Eu até tinha percebido uma menina abrir a porta do banheiro feminino e dançar com um shortinho minúsculo enquanto alguém usava o recinto. Mas achei que a Gabi estava no banheiro masculino. A mulher bem-sucedida do Pão-de-Açúcar fazia seus malabarismos para fazer xixi porque o banheiro feminino lá de cima também não tinha tranca. Com um chute, Isis abriu a porta e começou a rebolar.
- Oi, meu nome é Isis, tenho 21 anos e quero te beijar.- Fecha a porta que eu to fazendo xixi.
- Você tem pó? Ninguém nessa balada tem pó, que saco!- Pó? Pó compacto? Base?
- Não, gata. Pó pra ficar loucona.- Não é o caso, Isis. Não tenho pó, nem quero te beijar. Agora fecha a porta que eu to fazendo xixi.
Gabi passou o resto da balada se escondendo da Isis. Quando voltamos lá para baixo, o show já tinha começado e o barulho era três vezes mais ensurdecedor.Do meu lado colou um garotinho.
- Oi, meu nome é André e o seu?- Leonor.
- ÃHM?- Leonor.
- QUÊ?- Leonor.
- Cara... QUE MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUITO LOUCO SEU NOME, VÉIO.Era a gota d’água. Na saída, ainda vi um rapaz de rosto conhecido, mas pensei que estava bêbada. Não era possível. Então ele veio atrás de mim.
- Leonor?- Neiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! O que um harmonia da Gaviões da Fiel está fazendo aqui em um show de hardcore????
- Não sou muito chegado em samba, sabe? Gosto mais de rock.Ele nem precisava falar porque eu já tinha percebido pela roupa preta que usava e corte de cabelo rockabilly.
- Por isso que a gente foi rebaixado, Nei.
Voltamos para nossas casas com lições valiosas aprendidas:a) estamos velhas demais para meninos de 15 anos
b) homem de colar gigante atravessado não fica bonito, mas é bem melhor do que garoto de franjac) nunca vá de salto em um show de hardcore
d) nunca vá a lugares de banheiros unissex que não tem tranca na porta (e isso é percebido quando a hostess usa roupa de lantejoula, cabelo permanente e batom laranja)e) um namoro pode ser realmente pior do que estar sozinho
f) sempre desconfie de um harmonia dos Gaviões da Fielg) é sempre bom demais sair com Gabi e Mari
Mas não fui para casa sem antes mandar uma mensagem de saudades para o Nino, minha relação amorosa mais estável atualmente..
Posted by subversiva at 12:04 PM | 13 Comentário (s)
Posted by subversiva at 12:33 PM | 6 Comentário (s)
March 14th, 2006
Posted by subversiva at 03:53 PM | 8 Comentário (s)
March 16th, 2006
Posted by subversiva at 11:11 AM | 7 Comentário (s)
Teto solar, R$ 9,90 e Isis II
Ontem, jantar em um restaurante japonês de chiques e famosos, no Itaim. Quase uma balada: sofá, banheiro espelhado, música eletrônica. Ao redor da nossa mesa, as conversas de playbas:
- Nooossa, meu!!!!! Aquela balada em Maresias bombou geral.
- E aí, pessoal? Quando vamos jogar golf?
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, amiga. Você também desfilou na São Paulo Fashion Week?
- Cristovão Pompeu Arantes Toledo Moraes de Abreu, meu marido, você lembrou de pagar os funcionários da nossa casa de praia em Camboriu?
O lugar era tão chique, mas tão chique, que tinha teto solar. E como nós somos pobres, isso não teve o menor glamour e choveu na gente.
*chega em casa, tira a calça social, o sapatinho e a camisa. Dorme*
*acorda, coloca as havaianas e vem para o trabalho*
Hoje, eu, Toni e Daygo fomos almoçar em um restaurante onde depois das 14h qualquer prato sai por R$ 9,90. Chegamos à 1h52. Despencou um mega temporal. E os três parados por oito minutos na porta do restaurante, tomando chuva para não pagar dois, três reais a mais. Porque vida de pobre é foda.
NOTA: Logo que entramos no restaurante hoje, os meninos descobriram que se tratava de um lugar lésbico. Talvez pela maneira rude com que a mulher que nos atendeu jogou os cardápios em nossa mesa:
- O PRATO DO DIA É ESCALOPE COM LASANHA VERDE!!!!
Eu achei que isso não era motivo. Nem os casais de mulher ao nosso redor eram motivo. Mas me toquei que era mesmo um lugar lésbico quando voltei do buffet, com um pratinho de pudim, e a hostess (bem bonitinha) me despia com os olhos enqüanto mandava um mega sorriso.
Na hora de pagar a conta, ela nos trouxe umas balinhas sabor cajuzinho, beijinho e chocolate. A Cris (amiga que encontramos no restaurante) comeu a de chocolate e eu reclamei:
- Pô, Cris. Eu queria a de chocolate. Moça, me traz outra de chocolate?
E com o mesmo sorriso malicioso, ela me respondeu:
- Mas a melhor é de beijinho...
Poderia estar casada agora.
Posted by subversiva at 03:57 PM | 6 Comentário (s)
Posted by subversiva at 04:39 PM | 4 Comentário (s)
Vamos a la playa
Segunda tem um Seminário em Santos e vou ter que cobrir e tirar fotos. Hoje recebi o e-mail da organização:
-----Mensagem original-----
De: Josi
Enviada em: quinta-feira, 16 de março de 2006 16:59
Para: leonor@cenpec.org.br
Assunto: Encontro SantosOi Lelê, eu enviei os e-mails pro povo confirmar a ida pra Santos, pra deixar formalizado, vc está confirmadíssima!!!Bem, na segunda, nos encontraremos aqui no Cenpec às 6h00 da manhã, teremos duas vans pra nos levar...Bjs
Josi
E amanhã trabalho na Bienal. Quem quiser me achar, favor ligar no celular.
Posted by subversiva at 05:06 PM | 3 Comentário (s)
March 19th, 2006
Livros de ouro
Sexta eu fui trabalhar na Bienal do Livro porque a ONG tem umas prateleiras para expor algumas de suas obras em um estande com mais outras 35 ONGs. Todos os estagiários explorados já tinham feito o serviço sujo de tentar vender as maravilhosas publicações sobre ações socioeducativas e tremiam só em ouvir falar de Bienal. Sobrou pra mim, a pessoa descontraída, que gosta de ver gente e odeia trabalhar ao lado de ex-namorados (quem entendeu, entendeu).
- Quanto eles pagam para trabalhar por lá, Lígia?
- R$ 25.
Meu ouvido mercenário (ou surdo) registrou R$ 105 e eu fiquei feliz pra chuchu porque finalmente poderia ir ao restaurante grego tão sonhado no mês que vem. Até a Érica esclarecer as coisas:
- R$ 25, Lelê. Dez mais dez mais cinco.
Eu já tinha me comprometido e pensei que se não fosse assim, talvez eu não tivesse a possibilidade de conhecer a Bienal neste ano (e desde que me conheço por gente não perco essa feira do capeta que nos faz gastar todo o dinheiro que temos por três livros).
Fui. Meu horário seria das 10h às 16h, o que me deixou extremamente feliz porque depois das quatro eu poderia dar um rolê pela feira. Entrei no lugar exatamente às 10h (o que é um verdadeiro milagre porque eu costumo atrasar SEMPRE - sou Gavião, pô) e a Bienal já estava completamente ABARROTADA. De crianças.
Corri até a Rua O, desesperada em evitar uma abdução pré-adolescente e me lembrei do André, na última experiência do AMP Galaxy: "Seu nome é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito louco, véio". A grande sorte em trabalhar no estande de uma ONG é que absolutamente ninguém entra por lá, a não ser que seja oferecido um livro, um apartamento no valor de R$ 50 mil, uma tele-sena premiada. A Ação Educativa estava oferecendo um livro. Mas a ONG onde eu trabalho não, então o pessoal da Ação Educativa trabalhou pra caramba.
Para passar o tempo, levei uma publicação do Gabriel Garcia Marquez e meus dois dicionários (pesadíssimos) de espanhol. Talvez por ser o Gabriel Garcia Marquez, o tempo não passava. Assustadoramente, depois de seis horas deu meio dia e eu fui almoçar com minha ajuda de custo de R$ 25, o que, em uma feira como a Bienal, é possível comprar um cachorro-quente e um copo de água. Centenas de milhares de crianças (e não estou exagerando) se espalhavam pelo chão com seus sanduíches, faziam guerra de batata frita, arrotavam uma na cara da outra e se espremiam no balcão do Bob's, como se estivessem na grade de um show do Trem da Alegria.
Lá fui eu, socando um, dois, três, para conseguir um cheesburguer (asqueroso). Tem alguma vantagem em já ter passado dessa fase e logo fui atendida, depois de uns 50 minutos. Arranjei uma mesa, engoli o sanduíche e fui passear pela Bienal um pouquinho.
Pelos corredores, os pré-adolescentes se paqueravam (e me paqueravam, o que comprova a teoria do fetiche que alguns meninos sentem por mulheres mais velhas. Ali, eu era a Hebe e eles eram o Juninho Bill - porque ele não deve ter crescido). Achei um estande onde um amontoado de garotos cheios de espinhas se cotovelavam por algum livro e logo deduzi que ali devia vender publicações relacionadas a futebol. Fui lá cotovelar também.
- Oi, moça. Você tem o livro do Diaféria?
- Menina, esse é raro. Na última vez que compramos, pagamos R$ 380.
- O QUÊ?
Pensei em fazer um curso de mediunidade para desenvolver técnicas de psicografia e incorporar o Diaféria assim que o velhinho morresse. Seria a única maneira de eu ter esse livro.
- Quanto está esse livro?
- Esse outro é R$ 158 reais.
- Tem certeza que essa feira forma leitores?
Desisti de qualquer possibilidade de nova leitura e voltei para o Garcia Marquez no estande (e recomendo o livro que estou lendo porque são os contos mais politizados do autor - Los funerales de la Mamá Grande).
Na frente do nosso estande, tinha uma editora cristã (e elas são em maior número por toda a feira) e dezenas de crianças dançavam e faziam coreografias das músicas do Pde Marcelo com uma monitora. Pensei que se fosse a escolinha do Lucas, ele teria fugido de sua professora, da monitora, dos colegas, da feira, da cidade, do País. E fiquei preocupada com os passeios que ele faz com a escola.
E lá se ia mais um conto do Gabriel, mais uma música do Pde Marcelo e parecia que eu estava na Bienal há dias. O pé doía mesmo dentro de um tênis. Até eu descobrir um computador conectado à internet dentro do estande. Ele era usado por uma menina do Apoio, aquelas que são contratadas pela feira para buscar água quando você, expositor, sente a garganta seca. E eu entendi porque raios o nosso estande não tinha água.
- Menina, posso usar o computador um minuto? Preciso passar um e-mail.
- Claro. Espera só um pouco porque tô fazendo umas coisas importantes.
Então ela abre um navegador e a página do Submarino. Começa a procurar máquinas fotográficas. Depois liquidificadores. Depois cds. E, depois de não gostar dos preços, abre a Americanas.com. E passeia com todo o tempo livre pela página (o mais curioso é que dentro da feira tinha um estande da Americanas.com). E abre o orkut. E escreve scrap. E eu tomando calmantes. Naquele momento, se tivesse um tijolo nas mãos, teria atirado. E escreve testemunhos. E vê os doze e-mails. E o povo morrendo de sede.
Deu 16h e a menina não tinha saído do computador.
- Obrigada, vaca, mas já deu meu horário. Agora pode morrer aí.
Minha prima apareceu no estande e fomos passear na feira. Livros absurdamente caros, mais e mais crianças, calor infernal. Foquei em publicações pro Lucas e consegui voltar com três pra casa: O Paladino dos Bolinhos, Vovó Delícia e O Ataque da Segunda Série. Como bem lembrou o Júnior, muito melhores do que "O Trenzinho Tchutchuque" que o pai dele deu pra ele.
Pra mim, comprei o Sexo na cabeça e Orgias, do Luís Fernando Veríssimo, para completar a coleção. E comprei o Cabeça de Porco, pra dar pra um amigo palmeirense. Cheguei em casa quase 20h, completamente arrasada, agradecendo pela inspiração divina de não levar o Lucas na Bienal e reconsiderando a possibilidade de não aparecer nas próximas.
Posted by subversiva at 10:06 AM | 7 Comentário (s)
March 21st, 2006
Tenho vindo de bicicleta para o trabalho todos os dias (e meus colegas que se danem com o cheiro). Tenho voltado de bicicleta também. E ido a alguns lugares só de bicicleta. Voltei a comer saladas, carnes brancas e frutas de sobremesa. Também tenho dormido mais e me divertido bastante. Decidi cortar o cabelo chanel e mudar o visual mais uma vez. Sinal de que estou assustadoramente de bem com a vida. Que horror!
Posted by subversiva at 10:47 AM | 13 Comentário (s)
March 24th, 2006
Sansão
"FreakJr [g] has posted a comment:
Email: freak@terra.com.br
Na boa, só porque cortou o cabelo chanel você está "assustadoramente de bem com a vida"? Você tem problema de personalidade, não se garante. Que decepção. Eu era tão seu fã. Acabou tudo agora."
*rindo por meia hora*
Não, gente, eu ainda não cortei o cabelo. Estou assustadoramente de bem com a vida e esse é o motivo pelo qual vou mudar o visual, mas se alguém aí quiser posso guardar uma madeixa para dar de presente. [ironia]Tudo por um fã, né?[/ironia]
Posted by subversiva at 07:54 AM | 9 Comentário (s)
March 27th, 2006
O dia promete!
Hoje de manhã, no ônibus lotado, uma moça sentou ao meu lado e tirou da mochila um punhado de papel higiênico. Desenrolou o bolo e dele saiu uma pequena tartaruga, bonitinha, em tons de vermelho. Quando percebi que a tartaruga estava sem nenhum sinal vital, a moça começou a chorar compulsivamente.
- Por que você foi embora, Taruga? Por que? – murmurava a mãe do bicho, abraçando o corpo.
E enrolava o presunto de novo no papel higiênico. Dois minutos depois, desfazia o bolo e choraaaaaaaaaaaaaaaaaaaava.
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, Taruga...
O caminho todo foi assim. Uma depressão só. Não sei o que foi mais estranho: a pobre moça velando o cadáver dentro do busão ou um rapaz dando os pêsames pela finada tartaruga, a fim de aproveitar a instabilidade emocional da coitada para tentar começar um novo relacionamento.
Posted by subversiva at 10:22 AM | 7 Comentário (s)
Cruzando informações
Tudo gira em torno do Corinthians. Meu amigo Rodrigo disse que o Palocci se demitiu para assumir o comando técnico do Timão. Já eu acho que a atriz global se matou depois da anulação do gol do Tevez.
Posted by subversiva at 08:40 PM | 2 Comentário (s)
March 28th, 2006
Eu devo mesmo ter picado salsinha na tábua dos 10 mandamentos. São 7h10 da manhã, eu estou indo para um evento do Chalita (e os PSDBistas o querem para futuro Ministro da Educação - *risadas de pânico*), acordei com uma mega dor de cabeça porque sonhei que namorava um menino de 6 anos de idade.
NOTA: Entre outras partes bizarras do sonho, eu e Gabi estávamos em um show do Edgard Scandurra (!) no Jockey Club. Quando a Gabi começou a rebolar com "Pobre Paulista", seu namorado ciumento meteu-lhe a mão e adivinhem quem foi defendê-la? O JÚLIO!!! É pra cagar de rir mesmo.
Posted by subversiva at 07:21 AM | 5 Comentário (s)
Dona Ariclê Perez, a atriz global, deixou um bilhete antes de ir limpar as janelas do apartamento e despencar do 10ª andar. O que dizia o bilhete?
a) Arroz, alface, farinha, milho, feijão de corda, azeite de dendê, bombril
b) BANDEIRINHA VACA!
c) Geraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaldo
d) Fui eu que matei o japonês na psicina
Posted by subversiva at 07:39 AM | 9 Comentário (s)
March 30th, 2006
BRASIL-SIL-SIL
Ontem a Globo transmitiu ao vivo (?) a decolagem da nave russa Soyuz TMA-8. Como assim "e daí?"?. Nós temos um brasileiro lá dentro, minha gente! Um brasileiro no Espaço!
Eu sei que dá a impressão de que o brasileiro ganhou uma promoção mandando duas tampas de margarina para poder ir até a ISS (Stação Spacial Internacional), ou fez a melhor frase de toda a Nasa em até sete palavras respondendo "Porque eu devo viajar por 10 dias para Marte", mas não podemos pensar assim.
Só porque embarcaram três astronautas para a estação espacial e apenas um voltará para a Terra manobrando o foguete, enquanto os dois ficarão explorando cometas, planetas e estrelas por seis meses? Só porque esse um que voltará é justamente o brasileiro? Puro azar. Certeza.
Mas esse texto nem se trata disso. Vim aqui mesmo só para agradecer à Globo sobre a emocionante transmissão, durante o jogo quase decisivo entre o Santos e o Soyuz TMA-8, pelo Campeonato Paulista. Foi lindo demais! Primeiro que o Cléber Machado narrou melhor do que o Zeca Camargo nos shows dos Rollings Stones e U2.
"Vamos lá, Brasil! É o Brasil no Espaço! O Espaço é Brasil-sil-sil! Vamos para a contagem regressiva: 8 (Cléber Machado atrasadíssimo), 2, 1, FOGO!!!!!!"
*corta para o jogo*
*volta para o espaço*

"Agora os astronautas fazem suas anotações. É muita emoção, Brasil! O brasileiro Marcos Pontes no Espaço! É Marcos Pontes!"
*corta para o jogo*
*20 minutos depois volta para o foguete*

"Quanta emoção! Olha os astronautas de novo no Espaço fazendo suas anotações! Tem um ursinho polar pendurado. Me parece o símbolo das olímpiadas de 1956! Brasil-sil-sil"
*corta para o jogo*
*depois de meia hora volta para a o foguete*

- Não é possível, Gabi! Eles estão jogando Stop! - comentei com a Gabi que tinha ido rangar e conversar comigo ontem.
"Voltamos para a nave russa, com a transmissão emocionante da decolagem e da viagem do astronauta brasileiro".
*corta para o jogo*
*volta para o foguete, uma hora depois*

"É realmente incrível, minha gente (...) É o Brasil! Gol do Santos."
Pelas minhas contas, o jogo do Santos teve uma duração de três horas e nada aconteceu no foguete. Pela narração emocionante do Cléber Machado, o brasileiro já está voltando.
Posted by subversiva at 03:26 PM | 9 Comentário (s)
March 31st, 2006
Recebi da Érica, pra salvar o dia
O amor é outra coisa."
Posted by subversiva at 04:24 PM | 10 Comentário (s)